Uma menina perguntou-me o que posso dizer

– O quadro mais complicado que eu já vi, menina… você foi arremessada para fora do carro com o impacto…um impacto direto a 120 quilômetros por hora com um carro em direção contrária…isso é muito forte, é muita energia…- ele gesticulava, simulando o impacto com as mãos – seus familiares não tiveram muitas lesões, o mais ... O pior disto não era o aspeto horrendo, nem o cheiro do local, mas sim o silencio infernal que se encontrava. Do nada ouviu-se uma voz fininha, aguda e arrepiante, de menina a dizer 'Bem vinda de volta Molly' . Frases e pensamentos de Menina Gente Boa. Frases, mensagens, textos e poemas Menina Gente Boa no Pensador (página 24) ... Perguntou-me o jovem ... Mais de uma vez se queixou, e nunca tive coragem de lhe dizer, àquela altura, que a vida é uma construção, também a vida afetiva. E que amigos não Trabalho como uma louca nas empresas, na cidade, de sol a sol, mas, na hora de dizer o que tenho andado a fazer, só me apetece falar na desrama das minhas árvores que estão gigantes, no mato que deu lugar a um bosque encantado, no desbaste das aroeiras que rebentam como umas loucas, na beleza efémera das flores, nas ameixas que já aparecem ... Ao regressarmos de Moçambique, em Fevereiro de 2017, a Vanessa Campos perguntou-me o que achava da ideia de fazer bonecas africanas, juntando assim o Amo-te Mil Milhões ao Dress a Girl Around the World Portugal.Uma ideia brilhante, que juntava dois dos meus amores. Seu focinho é úmido e fresco. eu beijo o seu focinho. quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. a menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo salvagem e suave. aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. ou não se acerta, mas, uma ...

"Amiga" fofoqueira.

2020.07.25 03:58 Noiajuuhs "Amiga" fofoqueira.

Olá Lubinha que eu amo, editores e possíveis convidados. É a primeira vez que participo aqui e talvez nem vou aparecer no seu canal, mas talvez algum ser vai ler essa história, então já vale. Bom, essa história se passa quando eu estava no 6° ano ( agora estou no 8°ano ), e bem, como posso dizer, eu era muito estranha e iludida(?). Não que eu não seja agora, mas eu sou o tipo de pessoa que só é lembrada por último, que quase ninguém não conversa e que as pessoa nem prestam atenção em mim. Sou a esquecida, digamos assim. Eu era tbm o tipo de pessoa que se apaixona/gosta de qualquer pessoa bonita na escola, e nesse ano não foi diferente. Tinha um menino, que eu achava muito bonito e ainda acho hj em dia, que estudava no 9° ano ( ele repetiu o 9° ano, ano passado e esse ano ele saiu da escola, não sei se ele passou pro 1° ano). E eu gostava muito desse garoto, ao ponto de ficar literalmente olhando ele no recreio inteiro, procurava ele em todo lugar, só pra ver ele e tals. Eu era tão apaixonada por ele que pensei até me declarar. Até ai tudo bem, paixonites de escola todo mundo tem, mas teve um dia que nao contive a ansiedade e eu estava nervosa por algum motivo, que até hj não sei pq. Tinha um menina que eu vou chamá-la de dora ( todo mundo da sala chamava ela assim, por ela ser pequena e ter os cabelos igual da dora aventureira ), ela era a pessoa mais "famosinha" da sala e talvez da escola, por que ela conhecia praticamente a escola toda, quase. E ela estava sentada na carteira da frente e eu atrás dela, e a dora meio que estava mais digamos, conversando comigo mais que o normal e eu não achava isso estranho, sei lá gostava. Mas é que no dia a "best friend" dela faltou e eu meio que fui a segunda opção. Já que tentava ser amiga delas duas, mas elas nunca me deixavam entrar e eu meio que forçava sei lá, a amizade. Enfim, eu chamei ela, cutoquei a dora e eu não sei o que deu em mim mas falei assim. "- quer saber de quem eu gosto?", Eu devia tá louca e talvez eu estava mesmo por do nada dizeperguntar coisas dessas, como se ela estivesse interessada em quem eu gosto. Mas ela ficou curiosa e perguntou de quem eu gosto e tals, e eu só disse que gostava de um menino do 9 ano e ela perguntou o nome e acabei dizendo. Vou chamá-lo de sabiá ( o povo da minha sala o chamava assim pq ele tinha pernas iguais do pássaro, sim ele era magrinho), ela sabia quem era obviamente, mas eu sei lá pensei que como era um segredo, que eu disse que não era pra contar pra mais ninguém. No mesmo dia, quando já estava todos de saída da escola, pois nesse dia a nossa aula acabava junto com a da aula do 9 ano e só acontecia se eu não me engano, nas quintas-feiras. Tava eu, a dora e mais três pessoas que era digamos os populares da minha sala, e quando eu avisto meu crush, a dora solta a bendita frase ("- A ... Gosta do sabiá”) (e uma curiosidade é que a primeira letra do nome que eu chamo ele nessa história tbm é a mesma letra inicial do nome dele). Enfim, depois disso os populares começaram a perguntar pra mim se era verdade e eu como uma boa atriz disse que não, mas eles não acreditaram e começaram a espalhar a notícia, e o melhor amigo dele ficou sabendo e contou pra ele e o sabiá na época, namorava uma menina do 8 ano e tipo ele e a namorada, junto da sala dele, começaram ficar me olhando sabe. Eu juro que quis muito matar a dora, mas se eu matasse eu ia acabar sendo presa pq eu não sou muito boa em esconder corpos e ficar de bico calado como vcs podem ver e perceber. Enfim, essa foi minha história e depois trago mais de minhas histórias ridículas e micos que passei e bom passo até hj. Tchau luba, te amo!!!
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2020.07.08 14:56 xDark0x Levei um fora da minha ex que ainda amo

Olá! Então, é minha primeira vez aqui escrevendo, e estou um pouco nervosa pois nunca fiz isso antes, tenho dificuldades em falar sobre o que sinto e tal, mas chegou à um ponto em que realmente preciso desabafar. Vou explicar tudo com datas pra ficar mais fácil. Ultimamente venho passado por uma série de eventos os quais me deixaram muito mal. Tenho uma ex namorada, a primeira e única com quem me comprometi até hoje (tenho 18 anos), em março de 2018 conheci ela através de uma amiga e desde então nos demos muito bem. Desde que a conheci já despertou um interesse e sentimento em mim. Tínhamos várias coisas em comum, gostos musicais, forma de ver o mundo e afins. Logo nos tornamos muito próximas, confiavamos tudo uma na outra e após uma jogada de charme aqui, umas coisinhas românticas ali (kkk) Consegui conquista-la. Isso em junho. Namoramos por 6 meses, muito felizes, mas devido uma interferência da família dela, que ficou sabendo de nós duas por intermédio de uma professora do colégio que conhece a mãe dela, (fdp fofoqueira) tivemos que nos separar. A mãe dela me contatou e com base em ameaças de contar à minha família, me fez confessar nosso relacionamento. Depois que o sangue esfriou e fiquei "mais calma", me senti muito mal, pois senti que à traí, me senti mal por acreditar na mãe dela (que considerando a pessoa que é não merece confiança) que disse não fazer nada com ela se eu falasse tudo. Paramos de nos falar, e como já era dezembro, estavamos de férias e não nos víamos (só tínhamos oportunidade de nos ver na escola). Só no ano seguinte, no primeiro dia de aula consegui contata-la e descobri da forma mais dolorosa possível que não sentia mais nada por mim e me odiava pelo que fiz. Me senti péssima, por ainda à amar e pela situação em si, que não saía da minha cabeça. Tivemos só essa conversa e depois nos distanciamos novamente (por escolha dela). Lá pra junho do ano passado, ela começou a dar sinais de querer voltar a falar comigo, depois de longas conversas sobre esse assunto, finalmente nos entendemos, mas não totalmente da forma como gostaria. Ela disse novamente não me amar mais. Foi doloroso, mesmo já tendo ouvido-a dizer antes. Ela estava passando por momentos terríveis com a família. Não é uma pessoa tão fácil de lidar (a criação ajudou um pouco nisso), então falar com ela naquela época foi bem complicado. Queria ajudá-la mas ela não permitia que eu o fizesse. Arduamente fui conquistando a confiança dela, até que desabafava comigo e eu tentava ajudar da forma como podia. Aos poucos ela foi melhorando e fomos resgatando a amizade e por ainda nutrir sentimentos românticos por ela, as vezes dava umas cantadinhas bobas, mas as vezes sérias também (Claro que não no momento que ela estava fragilizada, mas sim nos de descontração, para deixar bem claro). Em setembro nos aproximamos mais e finalmente consegui com que ela demonstrasse gostar de mim da mesma forma que eu dela. Pouco tempo depois a família novamente descobriu a gente, da mesma forma que da outra vez, mas dessa, eu estava de certa forma mais forte. Bom, consegui conversar com a mãe dela sem demonstrar medo pelo menos. Chegamos à conclusão de que realmente não dava pra ficarmos próximas na escola. e em meio à isso tudo, pedi ela em namoro pela segunda vez. Dessa, não mantinhamos o contato de antes, muito raramente ficávamos juntas, já que ela era de outra turma. mas passando o tempo começamos à relaxar um pouquinho e passar ainda mais tempo juntas, sempre que podíamos, porém com mais cautela. Dessa vez, durou 2 meses e meio, de outubro à metade de janeiro. Ela terminou comigo de novo, não por deixar de sentir, mas eu estava passando por questões pessoais (que até hoje estou lidando, e que me incomoda bastante falar). Como ela além de namorada era minha melhor amiga, falei com ela por mensagem sobre o assunto, e depois de conversar, de um dia inteiro completamente estranho e nós indiferentes, eu por me sentir mal por estar daquele jeito, ela acredito que por não estar acreditando e por lamentar a situação, no fim do dia ela terminou tudo. Foi terrível pra mim, confesso que fiquei com raiva de certa forma, pois queria ela do meu lado para enfrentar aquilo, eu estava apavorada sem saber o que se passava direito na minha cabeça. Mas no fundo, por trás de tanto sentimento ruim, entendia que era direito dela. Era total direito dela decidir onde ficar e até onde pode aguentar também, nunca foi uma relação fácil, e não posso exigir de alguém o que eu faria dentro da relação sendo que somos pessoas diferentes. Ainda mantinhamos contato, mas de forma meio estranha, até que ela começou a demorar muito para responder e por fim, sumir por dois meses. No aniversário dela em maio, fiz um pdf com várias mensagens e desenhos (felizmente sou boa com desenhos) e mandei para o email dela, isso sem muita pretenção, apenas como forma de carinho. Depois de 7 dias me respondeu pedindo desculpas por não ter visto já que não olhava o email (algo totalmente válido pois também não olho hehe) e dizendo que se eu quisesse voltar a manter contato que gostaria. Voltamos a nos falar por outra rede, diferente da que nos falávamos antes, e foi tudo muito bem, ainda demorava para responder, mas não posso cobrar já que deve ter as ocupações dela, assim como tenho as minhas. Embora sempre dê aquele desapontamento e dúvida sobre ser "importante" ou não kkk. E à partir de agora voltamos ao que está acontecendo atualmente. (Estou resumindo o máximo que posso pra não ficar maior do que já está.) Há umas três semanas, em uma conversa casual ela perguntou brincando se eu ainda sentia o mesmo por ela, e eu muito envergonhada disse que sim. No outro dia, acordo com um texto dela (ela gosta muito de escrever) falando sobre amor, sobre estar apaixonada por alguém que sempre atrai ela de volta e por isso quer manter em segredo. Automaticamente me animei e fiquei profundamente feliz, "ela ainda me ama!" Pensei. E dessa vez sem eu mesma ter que correr atrás. Escrevi algo respondendo à ela e mandei uma letra de música que gostava muito pra que ela ouvisse. Ela disse que escreveu aquilo aleatoriamente, mas sabe quando você vê que a verdade não é aquilo que a pessoa diz? Enfim. Foram assim as últimas três semanas, com textos românticos que se encaixam perfeitamente na nossa história, respostas minhas, e mais textos que também mandava pra ela. Ela sempre respondia dizendo que ficaram muito bonitas as coisas que escrevi, e era o mesmo que eu dizia para os dela, obviamente direcionados para uma pessoa, mas que por conta da primeira fala dela de querer "manter em segredo" eu não entrava em detalhes, embora estivesse crente de que eram para mim. Textinho vai textinho vem, perguntei se o que ela escrevia era para alguém (Isso já confiante de mim, mas queria que "confessasse") depois de enrolar um pouco para falar, acabou dizendo e era o nome de outra garota :) Fiquei sem entender nada, não sabia como reagir. Me senti uma idiota por ter imaginado que era pra mim e ao mesmo não entendia como aquilo encaixava tanto em nós e em outra situação. Não conheço a menina, mas aparentemente não à corresponde, enfim. Me senti tão mal, principalmente por ter pensado que as coisas eram pra mim e ter descoberto de uma forma tão brusca. Fui conversar com ela para tentar esclarecer tudo e foi até bem rude ao responder. Disse que não via mais futuro em nós e não queria mais a confusão que era "estar comigo". Isso aconteceu ontem, e até agora não sai da minha cabeça. Dormi pensando nisso da mesma forma que acordei hoje e foi a primeira coisa que veio à cabeça. Não é a primeira vez que acontece situações que me deixam assim, em relação à ela. As vezes parece que estamos em um looping infinito sabe? Pois sempre passamos pelos mesmos momentos, desde os complicados, aos de investidas minhas e a "volta do amor" dela, que é algo que me deixa com muitas dúvidas por dentro, pois poxa, que amor é esse que eu preciso ir atrás? E sinceramente, isso me deixa com tantos questionamentos e angústias, eu realmente à amo, e me sinto uma idiota por isso. Eu odeio me sentir dessa forma sabe? As vezes odeio ser dessa forma. Me sinto idiota por ser tão intensa em ralação aos sentimentos, principalmente numa época em que isso é pouco levado em conta por muita gente. Ocorre um misto de emoções, angústia, tristeza... Por tudo que já aconteceu e pelo que estou sentindo agora. Tenho dúvidas reais sobre nosso fututo, não sei o que pode acontecer conosco, se podemos ficar juntas, ou se realmente estamos fadadas à seguir caminhos diferentes; e isso é uma das coisas que mais me apavora, não saber o que irá acontecer, se esse sentimento por ela vale realmente a pena ou estou apenas perdendo tempo em minha vida, numa coisa que não terá fundamento. Me sinto afogada nesse misto de sensações, sentimentos de amor e tristeza que não sei como fazer passar.
Não sei se alguém vai ler até o final porque realmente ficou enorme kkk, mas de qualquer forma já vale o desabafo. Não tenho ninguém para falar sobre isso
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2020.06.28 02:46 Background-Fish3121 Ciúmes do pai da enteada

Oi pessoal,
Há mais ou menos 15 anos conheci minha namorada. Ela já tinha uma filha na época, com pouquíssimos meses, recém-saída de um relacionamento conturbado de idas e voltas. Na época, nem eu achei que poderia dar certo, mas o fato é que a coisa foi rolando e cá estamos nós, agora com mais um filho de 5 anos nosso, a menina com 14, e morando todos juntos.
Como ela tem um pai biológico, consentimos que a menina não me chamaria de pai. Eu que dei essa ideia principalmente por não saber como ele reagiria, e por não ter certeza que o relacionamento duraria tanto. Mas, sem qualquer surpresa, eu terminei ajudando muito na criação dela, educando-a, ensinando-a as coisas da vida e se tornando o amigo mais próximo que posso ser. No meu coração, sinto como se fosse minha filha mesmo. Ela me chama pelo nome, e me apresenta como padastro (normalmente) ou pai (mais raramente) para as amigas e pessoas em volta. A família como um todo entende que ela "dois pais", e tenho certeza que ela também sente isso, pois eventualmente diz isso. Para terminar de contextualizar, ela é muito carinhosa comigo, me ama, nos entendemos muito bem e temos um relacionamento digno de pai-filha (e orgulhosamente daqueles modernos, pois sou bem mente aberta). Talvez pela situação, peco no sentido de não dar os devidos limites algumas vezes, peso que termina ficando sobre a mãe, já que o outro pai nunca participou da educação dela nem procurou saber como é feita. A mãe diz que ele é só oba-oba, pega no final de semana e devolve sem ter nenhuma preocupação com as responsabilidades que um filho exige; concordo que ele é sim (nunca perguntou nem demonstrou interesse em nada sobre a criação; acho que só muda se um dia encontrar uma parceira, ter outro filho e não se separar), porém como a mãe e o pai dela não tem uma boa relação, fico sem ouvir o outro lado da história e bater o martelo sobre esse aspecto. Por fim, vale dizer que minha enteada e o pai dela também tem uma boa relação, e apenas imagino como deve ser pra ele também tudo isso, se é que ele pensa sobre (acho que não).
Como a guarda é da mãe, a menina sempre teve mais contato conosco que com o pai, ainda mais que há alguns anos precisou mudar para Natal a trabalho (moramos em Brasília), com visitas mensais e videochamadas para tentar suprir a distância. A menina não toma a iniciativa, é o pai que tem que ligar.
O ponto onde quero chegar: nos últimos anos tenho sentido muito ciúmes da relação dela com o pai. Cada presente que ela ganha, cada conversa animada, tudo isso termina me deixando meio bad, e as vezes fico chateado só por ele ligar (normalmente uma vez durante a semana é uma no fim de semana). Quando tive meu filho, achei que ia deixar essa questão um pouco de lado, mas parece que piorou. Acredito que seja porque depois que ele nasceu eu me aproximei como nunca da minha enteada, com medo de que ela se sentisse rejeitada dada a atenção que o irmãozinho novo naturalmente recebe (se já é comum entre irmão biológicos, imagine nesse caso...), mas divago.
Procurei muito na internet e não encontrei caso parecido com o meu, somente orientações de como ser um padrasto. Aprendi que o correto é não tentar substituir o papel de pai (pois ela tem um), muito menos criticá-lo ou aliená-la parentalmente, porém isso está me consumindo mais do que o normal e tem me incomodado cada vez mais, a ponto de eu achar na minha cabeça que é uma rivalidade (e claro, é óbvio que não é!).
Gostaria de saber a opinião de vocês se alguém tem alguma situação parecida ou dicas de como posso lidar com isso.
Criei uma conta só pra isso porque sabe como é o DF, pra me identificarem não precisa muito.
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2020.06.15 04:52 altovaliriano Shae (Parte 3)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
Martin começa a trajetória de Tyrion em A Tormenta de Espadas já estabelecendo o destino de Shae. Tywin e Tyrion estão discutindo sobre a sucessão de Rochedo Casterly quando entram no assunto sobre Alayaya, Tysha e Shae. Curiosamente a pergunta parte do próprio Tywin:
E aquela seguidora de acampamentos no Ramo Verde?
Que importa? – perguntou, sem querer nem mesmo proferir o nome de Shae em sua presença.
Não importa. Não mais do que me importa que elas vivam ou morram.
(ASOS, Tyrion I)
Como sabemos pelo último capítulo, Tywin se importa, sim. Shae aparece no julgamento testemunhando contra Tyrion e falando de estar com ele desde Ramo Verde, um detalhe que dificilmente escaparia a Tywin. Além disso, nesta primeira conversa, o pai de Tyrion completa com uma sentença interessante:
E não tenha ilusões: esta foi a última vez que tolerei que trouxesse vergonha à Casa Lannister. Acabaram-se as putas. A próxima que encontrar em sua cama, vou enforcar.
(ASOS, Tyrion I)
E interessante que Tywin tenha ameado enforcar Shae se a encontra-se na cama de Tyrion, pois, como o verbete sobre Shae na Wiki Gelo e Fogo sinaliza, Tyrion fez exatamente isso com Shae quando a encontra na cama do pai em seu último capítulo do livro.
A primeira vez que vimos Shae foi em um encontro no quarto de Varys, à pedido (e insistência) de Tyrion. O anão havia determinado que usaria este encontro para dar um fim na relação com Shae, em decorrência das ameaças do pai, especialmente depois que Tywin citou explicitamente a “seguidora de acampamentos no Ramo Verde” logo no capítulo anterior.
O encontro parece ser um encontro típico entre os dois, exceto que há nas duas partes desejos ocultos. Tyrion quer tirar Shae da corte e Shae deseja exatamente o contrário. Quando Tyrion aborda o assunto de maneira direta, a garota troca imediatamente de assunto, procurando massagear o ego do anão:
Shae – disse –, querida, esta tem de ser a última vez que ficamos juntos. O perigo é grande demais. Se o senhor meu pai encontrá-la...
Gosto da sua cicatriz. – A moça percorreu-a com um dedo. – Faz com que pareça muito feroz e forte. [...] O senhor nunca será feio aos meus olhos. – Ela beijou a escara que cobria os restos destroçados do seu nariz.
(ASOS, Tyrion II)
Shae insiste em não dar ouvidos a Tyrion durante toda a conversa, se limitando a tentar manipulá-lo a deixar ficar na capital. Toda aquela compaixão pelo novo ferimento adquirido de Tyrion não contém qualquer coerência, porque a garota continua tão inescrupulosa e insensível quanto era em A Fúria dos Reis. Sua maior preocupação ainda são bens materiais e sua falta de empatia por Lollys Stokeworth ainda é gritante:
[…] O senhor vai me devolver agora as joias e as sedas? Perguntei a Varys se ele podia me dá-las quando você foi ferido na batalha, mas ele não quis. Que teria acontecido com elas se tivesse morrido? [...]
Posso ir ao banquete de casamento do rei? A Lollys não quer ir. Disse-lhe que ninguém deverá estuprá-la na sala do trono do rei, mas ela é tão burra.
(ASOS, Tyrion II)
Entretanto, nem tudo é repetição nessas frases arrogantes de Shae. No meio de tudo, há uma pequeno trecho de diálogo de importância futura. Quando Tyrion tenta fazer com que a prostituta compreenda o perigo que Tywin oferece à vida dela, a garota apenas responde “Ele não me assusta”.
Esta simples sentença revela que GRRM estava sutilmente costurando elementos nesta primeira conversa que seriam trazidos de volta novamente na última cena de Tyrion e Shae juntos. Quando a garota o vê nos aposentos do pai, ela se assusta e começa a disparar justificativas. Entre estas justificativas, ela justamente se contradiz dizendo “Por favor. Seu pai assusta-me tanto” (ASOS, Tyrion XI).
Naquele primeiro diálogo, Shae sabia que Tyrion havia perdido seu cargo e, com isso, até mesmo sua permanência como aia de Lollys dependia inteiramente de ela manter seu disfarce. Àquela altura, o anão não tinha mais poderes de lhe arranjar uma nova colocação para ela, e por essa razão a garota sabia que tinha que tentar extrair de Tyrion o máximo que conseguisse.
Com isto em mente, fica claro que GRRM faz da cobrança de promessas antigas uma metáfora visual para Shae tentando segurar Tyrion via dominação sexual. Segundo o próprio Tyrion (ASOS, Tyrion VII), seu pênis era o orgão responsável por fazê-lo agir tolamente frente a manipulação da garota. E é justamente por aí que Shae o está segurando na cena, literalmente:
Não quero sair. O senhor me prometeu que eu voltaria a me mudar para uma mansão depois da batalha. – A boceta dela deu-lhe um pequeno apertão, e ele começou a enrijecer de novo, dentro dela. – Um Lannister sempre paga as suas dívidas, você disse.
(ASOS, Tyrion II)
Ao perceber que não vai conseguir nada por esta via, Shae passa a falar sobre o casamento de Joffrey e elabora um plano para que Tyrion a leve consigo, em troca de favores sexuais durante a festa. Aqui a garota não está mais se valendo da dominância, mas tentando persuadir o anão. Por isso, Shae passa a afagar o órgão sexual ao invés de prendê-lo:
– […] Eu encontraria um lugar em algum canto escuro abaixo do sal, mas sempre que se levantasse para ir à latrina, eu poderia escapulir e ir encontrá-lo. – Envolveu a pica dele nas mãos e afagou-a com suavidade. – Não levaria roupas de baixo sob o vestido, para que o senhor nem precisasse me desatar. – Os dedos dela brincaram com ele, para cima e para baixo. – Ou, se quisesse, podia fazer-lhe isto. – Enfiou-o na boca.
(ASOS, Tyrion II)
Quando Tyrion mostra que está veementemente decidido a que ela não deixá-la ir, Shae se retrai para a cortesia fria. Tyrion está pensando em como concederia facilmente o desejo de Shae, caso o pai não tivesse ameaçado enforcá-la, contrariando o que ele disse em A Fúria dos Reis, sobre o amor por Shae envergonhá-lo:
Se a escolha fosse sua, ela poderia sentar-se a seu lado no banquete de casamento de Joffrey, e dançaria com todos os ursos que quisesse.
(ASOS, Tyrion II)
Eu atribuo essa mudança de postura (de amor proibido envergonhado para amor proibido cauteloso) ao momento de Tyrion, em que ele perdeu todo o prestígio e está tentando se agarrar na única coisa de seu momento glorioso que ainda tem: Shae.
Em verdade, o comportamento de Shae espelha o de Tyrion. Ambos estão tentando arranjar um jeito de manter seu status. O anão também está tentando voltar ao poder pelas vantagens terrenas que ele oferece e não mais para “fazer justiça”. Naquele momento, Tyrion estava sendo a Shae de Tywin, pois está a todo custo tentando reivindicar direitos e reconhecimentos de seu pai.
O surpreendente é que após toda a teimosia de Tyrion, Shae finalmente cede a seu instinto de autopreservação e dá a Tyrion um parágrafo inteiro de resignação e obediência, ao fim do qual Shae apela para o cavalheirismo de Tyrion e lhe arranca uma promessa:
[...] Gostaria de ser a sua senhora, mas não posso. Se fosse, você iria me levar ao banquete. Não importa. Gosto de ser rameira para o senhor, Tyrion. Basta que me mantenha, meu leão, e que me mantenha a salvo.
Manterei – prometeu ele. Tolo, tolo, gritou a sua voz interior. Por que disse isso? Veio aqui para mandá-la embora! Em vez disso, voltou a beijá-la.
(ASOS, Tyrion II)
A prostituta parece entender que o novo momento de Tyrion exige dela uma abordagem diferente. Em suas palavras, de um homem poderoso que poderia desafiar o mundo por ela, ele agora era um cavaleiro que a protegia e resgatava do perigo:
Pensava que o senhor tinha se esquecido de mim. – O vestido dela encontrava-se pendurado em um dente negro quase tão alto quanto ela, e a moça estava em pé dentro das mandíbulas do dragão, nua. […] – O senhor vai me arrancar de dentro das mandíbulas do dragão, eu sei. [...]
Meu gigante – ela ofegou quando a penetrou. – Meu gigante veio me salvar.
(ASOS, Tyrion VII)
Shae veste tão bem a fantasia de donzela que chega a declarar seu amor a Tyrion e Tyrion responde em pensamento. Porém, por alguma ironia do destino, a prostituta estava querendo lhe fazer pensar que ele era um cavaleiro, enquanto o próprio Tyrion queria lhe casar com um cavaleiro de verdade para se ver livre dela:
E eu também a amo, querida. Podia ser uma prostituta, mas merecia mais do que o que ele tinha para dar. Vou casá-la com Sor Tallad. Ele parece ser um homem decente. E alto…
(ASOS, Tyrion VII)
É curioso como este é o único efeito colateral do novo estratagema de Shae. Tyrion fica tão embrigado pela ideia de ser o cavaleiro salvador da garota, que ele tem um momento de desencanto quando a prostituta sequer teme perdê-lo ao saber de seu casamento com Sansa Stark:
[…] Não me importa. Ela é só uma garotinha. Vai deixá-la comuma barrigona e voltar para mim.
Uma parte dele tinha esperado menos indiferença. Tinha esperado, escarneceu amargamente, mas agora sabe como é, anão. Shae é todo o amor que provavelmente terá.
(ASOS, Tyrion IV)
Eu penso que a indiferença de Shae se fundava em ela saber que somente corria perigo se Tyrion arranjasse outra prostituta como amante. Ela estava ciente do quão sexualmente indesejável ele era para a maioria da população de westeros e como ele era complexado com sua aparência e traumatizado com relações amorosas. Portanto, um casamento arranjado com uma jovem nobre donzela realmente não lhe representava perigo algum. Ela até mesmo tenta pedir na frente de Tyrion que Sansa a leve ao casamento de Joffrey, demonstrando que seu objetivo de participar da boa é sua real prioridade.
Porém, não há que se dizer que Shae é uma pessoa desprovidade de sonhos e fantasias. O fato é que esta fantasias não são românticas, mas delírios com mudanças de status social, luxos e riquezas. Quando Sansa a chama para ver uma nuvem no céu que parece um castelo:
É feito de ouro. – Shae tinha cabelos escuros e curtos e olhos ousados. Fazia tudo o que lhe era pedido, mas às vezes dirigia a Sansa os mais insolentes dos olhares. – Um castelo todo feito de ouro, aí está uma coisa que eu gostaria de ver.
(ASOS, Sansa IV)
Ou quando conversava com Sansa sobre Ellaria Sand e a garota apresenta sua versão dos fatos em que Ellaria seria uma espécie de Shae que “deu certo” em razão do relacionamento com Oberyn:
Era quase uma prostituta quando ele a encontrou, senhora – confidenciara a aia – e agora é quase uma princesa.
(ASOS, Sansa IV)
E são suas fantasias por status e luxo que a levam a testemunhar contra Tyrion a pedido de Cersei. O depoimento de Shae acontece logo antes de o anão pedir o julgamento por combate. Dessa forma, tudo o que a garota diz se torna juridicamente irrelevante de uma hora para outra. Essa manobra de Tyrion acaba por fazer com que Cersei se livrasse da obrigação de cumprir sua parte do acordo:
Shae, o nome dela era Shae. A última vez que tinham conversado fora na noite anterior ao julgamento por combate do anão, depois de aquele dornês sorridente ter se oferecido como seu campeão. Shae inquirira acerca de umas joias que Tyrion lhe oferecera, e de certas promessas que Cersei poderia ter feito, uma mansão na cidade e um cavaleiro que a desposasse. A rainha deixara claro que a prostituta não obteria nada até que lhes dissesse para onde fora Sansa Stark.
(AFF, Cersei I)
Interessante notar que o acordo feito por Shae consiste apenas no que Tyrion já tinha em mente em lhe dar.
O depoimento de Shae é uma peça que me chama bastante a atenção. A garota não só conta como Tyrion supostamente teria lhe tomado como amante à força e confidenciado os planos de matar Joffrey durante sua última noite juntos. Shae revela ali, perante Tywin, que era seguidora de acampamento do Ramo Verde:
Nunca quis ser uma prostituta, senhores. Estava noiva. Ele era um escudeiro, um rapaz bom e corajoso, de bom nascimento. Mas o Duende viu-me no Ramo Verde e pôs o rapaz com que meu queria casar na primeira fila da vanguarda, e depois de ele ser morto ordenou aos selvagens que me levassem à sua tenda. Shagga, o grande, e Timett, como olho queimado. Ele disse que se não lhe desse prazer, me entregava a eles, e portanto eu dei. Depois trouxe-me pra cidade, pra ficar por perto quando ele me quisesse. Obrigou-me a fazer coisas tão vergonhosas […]. Ele usou-me de todas as maneiras que há e… costumava me obrigar a dizer como ele era grande. O meu gigante, eu tinha de lhe chamar, o meu gigante de Lannister.
(ASOS, Tyrion X)
Como esta parte do depoimento era completamente desnecessária, eu fico me perguntando se ela foi bolada pela própria Shae, Varys ou Cersei. Sabemos que a garota é capaz de mentir, mas não vimos coisas com este tipo de elaboração. Como Varys é quem estava administrando o disfarce de Shae, fornecendo -lhe até histórias falsas sobre seu passado para que contasse à Tanda Stokeworth, acredito que tenha sido ele quem a orientou a assim depor.
Porém, qualquer seria o objetivo disto? Apenas para ele próprio se safar da acusação de que estava trazendo informações erradas a Cersei, algo que já lhe preocupava (ASOS, Tyrion VII)? Ou Varys queria que o depoimento de Shae chamasse a atenção de Tywin?
De fato, em uma entrevista em 16 de junho de 2014 à Entertainment Weekly, afirmou que a questão entre Varys, Shae, Tyrion e Tywin é algo que ele fará revelações nos próximos livros:
EW: Certo, e há também a questão da surpresa da hipocrisia de Tywin quando ele [Tyrion] a encontra na cama dele. Tywin sabia que ela era uma prostituta [na versão do livro isso não fica claro]? Ou ele simplesmente não ligava?
GRRM: Ah, eu acho que Tywin sabia sobre Shae. Ele provavelmente adivinhou que ela era a seguidora de acampamento que ela havia expressamente dito “você não levará aquela puta para corte”, mas que Tyrion o havia desafiado e levado "aquela puta" à corte. Quanto ao que exatamente ocorreu aqui, é algo sobre o qual não quero falar, porque há aspectos disso que eu não revelei e que serão revelados nos próximos livros. Mas o papel de Varys em tudo isso é algo para se levar em consideração.
Esta entrevista deu fundamentos para que os leitores passassem a acreditar que Varys teria influenciado Tyrion a matar Tywin. Mas, para fins desta análise, nos cabe apenas ver a situação da ótica do que aconteceu com Shae, quem até mesmo pela teoria acima seria um alvo secundário.
Assumindo que Varys tenha orientado Shae a dar este depoimento para chamar a atenção de Tywin, como é que isso a colocaria na Torre da Mão na noite anterior à execução de Tyrion? Sabemos que Cersei mandou Shae embora ás lágrimas na noite entre o depoimento de Shae e o julgamento por combate entre Gregor e Oberyn, então somente depois desta noite é que Shae provavelmente estaria suporte. Caso ela já estivesse sendo sondada por Tywin, dificilmente sairia chorando...
Eu alimento uma teoria que o ponto que fez Tywin se interessar pela garota foi a bajulação que ela confessou fazer a Tyrion. “Meu gigante de Lannister” parece ser o tipo de frase que agradaria um homem como Tywin debaixo dos lençóis. A partir daí, bastaria que Varys fizesse uma sugestão aqui, outra acolá e de repente Tywin já estava pedindo a alguém que enfiasse a menina em seus aposentos na noite seguinte.

Declarações de GRRM sobre Shae

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2020.06.09 11:23 InezinhaDirectioner O Menino... Estranho ;-; (não tenho um bom título)

Oioii Lubisco e todos os seres vivos presentes (sem paciência pra escrever tudo sksk). Essa história é sobre um menino que supostamente "gostava" de mim e muita merda que aconteceu há 2 anos atrás e este ano. Por incrível que pareça TUDO oq vou dizer é 100% real. (bjs de Portugal sou uma grande fã 😗)
Então, há 2 anos atrás uma vez tava com a minha bff do momento num canto do recreio, daí ela precisou de ir ao WC.
De boas, eu fiquei esperando no cantinho e do nada veio um grupo de 2 meninas e 1 menino. Esse menino é dos populares por ser considerado "gato" (não tanto, mas tá). Eles começaram a ser simpáticos e tal, só q eu tava meio desconfortável pq eles tavam a falar cmg como se eu fosse uma bebézinha sem amigos. Do nada esse menino disse: "Olha, eu até namoraria com uma menina bonita como tu". Eu fiquei meio confusa e tal mas apenas ignorei. Entretanto eles foram embora e eu fui procurar a minha bff.
Alguns dias depois tava nas bancadas do colégio que ficam na frente do campo de futebol com umas amigas, e ao nosso lado tinha 3 meninas da turma desse menino (como não quero mostrar o nome dele vou apenas chamar ele de.... Macaco).
Menina 1: Ei, menina Eu: oq foi? Menina 2: Sabes o Macaco? Eu: quem? Menina 1: aquele ali (ela apontou pra ele) ele gosta de ti
Eu depois de ouvir isso fiquei meio tipo "quê" mas fingi q não ouvi nada Do nada esse menino GRITOU SE EU QUERIA NAMORAR COM ELE EM FRENTE DE TODA A GENTE LÁ (a maioria cagou mas mesmo assim)
Eu, como a boa pessoa que sou, gritei N-Ã-O e daí fugi de lá com uma das amigas.
No recreio a seguir a turma dele PENSAVA QUE EU TINHA DITO SIM e tavam todos tipo "oi namorada do Macaco" Eu sempre respondia que não namorava com ele mas elas sempre diziam algo tipo: "gostas sim" "mas ele gosta de ti" "mas ele é tão simpático"
Uma vez tava com a minha turma à espera da professora de Matemática entrar na sala e o Macaco chegou perto de mim e começou a dizer repetidamente: "Inês beija-me, Inês beija-me, Inês beija-me". Eu tentei me afastar mas ele continuava a tentar me convencer a beijar aquela boca nojenta.. Daí uma colega minha reparou na situação e gritou pra eu correr pra dentro da sala pq a stora já tava lá. Eu fui, a correr mais rápido q o Flash, e me sentei no lugar..Eu já tava me sentido salva mas não..
Prof: INÊS NÃO É ASSIM QUE SE ENTRA NUMA SALA!! SAI IMEDIATAMENTE!!!
Eu saí... E ele ainda tava lá ;-; com um sorriso creepy acenando pra mim ;-; eu fiquei batendo na porta até me chamarem e finalmente entrei.
Esse tipo de coisa foi acontecendo de vez em quando (mas não era tão estranho como essa) e chegou um dia que tava à espera de uma amiga minha pq ela tava à procura da lancheira dela e daí esse menino reparou na minha existência e abriu a boca.
Ele: ó Inês, tão todos a dizer que não gostas de mim. Explica-te!!!! Eu não aguentei e comecei a rir muito Eu: mano, eu nunca gostei de ti Ele: ISSO NÃO TEM PIADA!! Eu: tem! ainda rindo Ele: TA BEM! ACABAMOS!! Eu: ALELUIA-
Eu continuei a minha vida e o Macaco já n me chateava. (ele me pediu em namoro denovo e eu rejeitei mais uma vez)
1 ano depois.. Ele ficava constantemente a olhar pra mim (ele não é da minha turma se tiveres confuso, ele é da turma mais velha) mas ele quase nunca dizia nada
Outro ano depois (este ano) ele se tocou que "gostava" de mim denovo
Eu sempre chego muito antes das aulas começarem, tal como ele e o amigo dele. No colégio tem tipo um mini corredor que vai dar ao campo de futebol (pra educação física) e a meio desse caminho no lado esquerdo tinha uma sala onde os alunos podiam relaxar, conversar, etc.
Eu nunca tuve coragem pra entrar nessa sala pq o Macaco e o amigo dele tavam sempre lá. Um dia (detalhe importante: um dia antes do dia dos namorados) o desgraçado do menino chegou perto de mim e disse: "Olha não é preciso teres medo de mim. Podes ir pra sala". Eu apenas disse um ok e fiz um sorrisinho do tipo "saiii da minhaa vidaa~" No dia a seguir eu fui lá de boas, abri a porta e disse "bom dia". Olhei pra eles e eles ficaram mt chocados pq eu era mt tímida. Eu me sentei numa mesa longe deles e eles ficaram de boas. Eu também fiquei de boas e comecei a ver fotos do Harry Styles (cada um com os seus gostos). Esse cantor tem uma música chamada falling e tal e no refrão ele diz "im falling again, im falling again.. FAAAALING" (tradução: falling pode significar ou cair do tipo tropeçar oy tmb pode ser de se apaixonar do tipo "eu tou caindo de amores"). Eu tava vendo as fotos e tal equanto ouvia essa música e no refrão começaram a aparecer gifs dele a cair em palco. Eu não aguentei, eu comecei a rir muito
O Macaco olhou logo pra mim. Ele: Oq é q é tão engraçado? Eu: nada.. Ele: oq é q tás a ver? Eu: fotos de um cantor.. Ele: Quem? Eu: Harry Styles.. Ele: Hm.. Ok.
Uns minutinhos depois ele olhou para mim e me chamou Eu: oque foi? Ele: queres me acompanhar neste dia de S. Valentim? numa voz fofa e simpática Eu: Não Amigo: Ela namora com o amiguinho gay dela Eu: Não namoro não Amigo: Namoras sim Eu: Nós somos amigos Amigo: ta bem vou fingir que acredito.
Ficou um silêncio meio constrangedor. Mas não durou muito
Macaco: Bora jogar à bola aqui? Amigo: Bora
Eles queriam jogar ao jogo dos passes DENTRO DE UMA SALA ESTREITA (é tipo um jogo em que vão chutando a bola pro colega e ele chuta de volta)
Eles foram um pra cada ponta da sala e como óbvio o Macaco ficou perto de mim (CHATOOOO SE AFASTAA AIN) Eles começaram a jogar, de boas, e do nada o amigo dele chuta a bola um pouco alto. Eu me encolhi com medo de levar com uma bola dura de futebol na fussa e o chato abriu novamente a boca
Macaco : não é preciso teres medo, eu não sou q nem o teu amiguinho q n te defende Os dois começaram a rir e eu fiquei calada e séria e eles continuaram.
(Aconteceram outras coisas mas n é nada demais.)
Outros dias depois reparei que essa sala tava em obras. E a duplinha dos animais tavam sentados num banco à frente da sala.
Eu: Ei algum de vocês sabe oq se passa com a sala? Macaco: sim, linda Eu dei um sorriso do tipo "cala a boca" Amigo: ela namora com o outro (ele tava a falar do mesmo amigo "gay") Eu: Eu não namoro com ele, ele é meu amigo Eles ficaram em silêncio e dps o Macaco continuou Macaco: ent, aqui vai ser a sala dos professores e (bla bla bla q não ouvi). Eu: ah obrigada! Ele: denada fofa. Eu: ok tchau começo a andar pro corredor Ele: queres q eu te acompanhe? Eu: haha, não! Tou ótima!
Entretanto outro amigo deles chegou e eles começaram a falar. Do nada chegaram os 3 perto de mim e o chato tentou cantar "Story of my Life" (uma música dos one direcyion) Mas como óbvio ele não podia ser uma pessoa normal a cantar, não. Ele não sabia quase nada da letra por isso ele tava tipo "nanana my life nananana"
Eu me senti mt constragida e comecei a me afastar deles. Graças a Deus uma amiga minha já tinha chegado e eu fui atrás dela. Eles não me perseguiram (ainda bem) O dia continuou normal.
Daí, numa semana tava um clima meio estranho na escola por causa do Covid. Não sabiam se as escolas iam fechar ou não.. E daí na sexta feira decidiram.
Sim, as escolas iriam fechar oficialmente.
Quase ninguém foi à escola nesse dia e meio q não teve aula. Tivemos apenas a recolher os cadernos e materiais que precisávamos e alguns professores fizeram umas atividades simples.
Ao fim do dia tava eu e 3 amigas num canto. Esse canto é literalmente entre uma sala e a sala desse menino irritante. Uma das meninas precisava de guardar uma coisa na mochila, e ela n queria ir sozinha. Elas:..... Eu: eu posso ir Uma amiga: eu tmb Outra: não me vão deixar sozinha pois não?! Eu: Ok vamos todas
Eu já tava em pé e já tava preparada pra sair de lá. Dei uns passos e me deparei logo com esta cena: o Macaco de joelhos em cima de um skate a tentar andar nele. Eu recuei e comecei a rir e eu acho q uma das amigas tmb viu pq ela tmb tava a rir ksks. Esperámos a última amiga se levantar e fomos.
Quando começámos a passar por ele ele tava sentado no skate e essa amiga q viu começou a rir e a dar sinal pra eu olhar pra ele. Continuámos a rir um pouco e fomos esperar a amiga guardar a tal coisa. Entretanto uma auxiliar chamou essa menina pq a mãe dela já tava no portão pra levar pra casa. Ela foi e vi a minha nova bff a entrar na escola. Ela foi lá pta levar os livros que ela não levou. Eu fui com ela e mais uma amiga dela de boas levar os livros dela e passámos pelo Macaco Detalhe: essa amiga dela me shipa muito com ele ;-; Ela: OLHA O AMOR DA TUA VIDA ALI A OLHAR PRA TI E eu, como a lerda q sou, olhei LOGO pra ELE. (alguém me mata)
Uns minutos depois voltei pras duas amigas q tava a falar antes e fomos pra uma mesa em frente da sala dele.
Ele: Inês Eu: sim? Ele: tens bateria infinita nesse telemóvel (celular)? Eu: quê? Ele: ficaste o dia todo com ele e ele ainda tem bateria Eu: ok?.. Ele: quanto é q tens? Eu: 60% Ele: mds
Eu continuei o meu caminho e ele perguntou outra coisa mas eu ignorei. Fui pra mesa com as 2 migas e começámos a ver uns vídeos. Do nada o ar olhou pra mim e disse: vou me tornar em vento Começou a ficar mt vento e o meu cabelo tava a voar pra minha cara ;-; eu tava a tentar afastar e fiquri tipo : PORRA SAI DA MINHA CARA, CABELO!! Daí olhei pro lado e ele tava a olhar pra mim ;-; o pior é q ele não desviou o olhar. Ele continuou a olhar pra mim como se fosse animal do zoo. Eu fingi q n aconteceu nada e continuei a ver o vídeo com as meninas.
Bom Aconteceram muitas outras coisas, mas tou sem paciência pra contar todas. Resumozinho: Até q nos damos bem, ele me diz bom dia, eu digo bom dia de volta.. Mas é aquele tipo de amigos q só se falam numa hora determinada do dia, porém não tão próximos. Ele já me tentou pedir o whats e o insta mas eu não dei pq eu não tenho (ok agr tenho insta mas fds). E por causa da quarentena não nos podemos falar. Eu já entrei na videochamada da turma dele sem querer e foi isso ;-;
Obrigada por gastar o seu tempo a ler esta história bizarra e longa que eu gostava que fosse fake ;-;, bjs tenha um bom dia.
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2020.06.07 05:48 Yasmin_Ayme A piranha interesseira

Olá Luba, editores, possível convidado, gatos, papelões e turma que está a ver. Hoje vim aqui falar de uma briga da escola que me envolveu. Bem, tudo começou quando a Carls (não posso dizer o nome da guria) começou a inventar boatos de mim e de outras amigas que estava no nosso grupo junto da Carls. A Carls era talarica de um monte de gente, inclusive de uma "irmã" sua. Ela também zoava a virgindade de uma irmã sua de sangue mesmo, mas a gente sabe que ela quer dar. Bem, ela também chegou em um trans e perguntou se ele era menina e também que alguém tinha achado ele bonito, mas namorava, sendo essa Tainá (o nome dela eu posso falar). Farpas vai, farpas vêm. Ela começou a inventar boatos sobre mim, e até disse que eu tinha falado mal de Adélia ( a "irmã" dela). Um dia depois, ela falou que eu mentia sobre minha depressão e que eu ia apanhar de homem por me "garantir" no meu ex namorado (talvez eu conte depois essa história). Porque um garoto gay queria me bater só porque eu disse umas verdades na cara dele e a Carls disse que eu estava falando merda dele pelas costas, meu ex namorado como não é bobo, disse que se o Farls encostasse em mim, ele ia bater nele. No dia seguinte, a Tainá bateu na Carls (tem vídeo). E depois disso, a Carls disse que não se machucou, mas chegou em casa roxa depois da briga. Na segunda feira (tudo isso aconteceu em uma semana) eu fui pra escola e a Carls disse que eu estava querendo arrumar briga, mas eu estava no meu canto. Ela continuou a falar merda e eu disse que ela era talarica e rodada na escola e onde ela mora. Ela ficou quieta e mais gente até confirmou que ela talarica e rodada. Acabou que ela foi se garantir na diretoria e o assunto se encerrou, mas a bonita continuou a treta. Eu não falava mais disso e o assunto as vezes rodada na escola, mas eu só fiquei no meu canto. Nesse ano, (essa história é do ano passado), a velha (ela descoloriu algumas mechas e estava igual uma velha mesmo), continuou a tentar me rebaixar e ainda tinha dito que eu reprovaria, mas quem reprovou foi ela. Já que as aulas pararam, não aconteceu nada, caso aconteça, eu digo de novo a você Lubixco. Era só isso <3
a
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2020.06.07 04:14 Anonymos_Anonymos Crônicas de gelo e fogo

Oieeee luba, gatas, editores, possível convidado, turma que está a ver, divina porca maritaca... (e oi, pra algum colega da nossa sala que por acaso assista o luba) esse é um resumo da nossa vivência em alguns semestres no curso de psicologia.
(Essa é a História de como alguns estudantes de psicologia se tornaram inimigos mortais)
Cap 1 - O início da jornada o ano era 2018, eu tinha iniciado o curso de psicologia e como é de costume, grupos já foram se formando (mesmo que a maioria não se conhece). Os grupos estabeleciam uma boa relação, como exceção de um grupo em específico formado por... como posso dizer... “pseudo-burgueses”... eram algumas pessoas que seguiam um padrão de “nariz empinado”, mesmo existindo essa relação, ainda conseguíamos coexistir. Eramos felizes, mas não sabíamos o que estava por vir... Ps: A ignorância é uma benção rrsrs
Cap 2 – Guerra fria Quando cheguei no 2° semestre, já era evidente que todo mundo tinha seu grupinho. Até aí a sala convivia normalmente, porém, em uma aula em específico (aquela aula que a gente tem crise de existência, beijão pro professor que fazia isso) o ar-condicionado estava fazendo um barulho infernal, e o pessoal estava sentado a baixo dele começou reclamar que não estavam ouvindo (vamos chamá-los de povo do Sul), eles queriam desligar o ar, mas né? A gente mora no Nordeste, ninguém aguentaria esse calor do inferno. Contudo, o professor deu a ideia que eles saíssem de baixo do ar e se sentassem dos lados (a sala é organizada em círculo) junto com o restante dos alunos, porém, eles fizeram um Aue todo pra não sair de lá, e o professor perguntou se eles não queriam se misturar com o resto da sala, foi aí que ficou subentendido que eles se sentiam melhores do que nós e a semente do ódio começou a brotar.
Cap 3 – O reino de ninguém Infelizmente, a líder do sul (vamos chamar de rainha gelada) começou a querer integrar alunos específicos do nosso lado (povo do leste) no grupo dela, mas era somente pessoas que pareciam riquinhas ou que podiam prestar favores a ela (A rainha era bem oportunista). No meio disso houve muita fofoca é viu-se que ela perdoou uma das meninas que falava mal dela (o perdão real), mas não perdoou uma amiga minha (chamaremos ela de Fire) Fire resolveu que queria saber o porquê não ser perdoada já que a outra foi, ela foi atrás da rainha gelada pra conversar e falou o que o nosso grupo (leste) pensava do sul: que eles não gostava da gente. A rainha geleada então disse: Eu só me importo com as pessoas que estão próximas a mim, vocês para mim não são NADA. O termo Nada mexeu muito com a gente (o povo do leste) então decidimos que, dai em diante iríamos ignorar o povo do sul, se eramos vistos como nada, seriamos nada. Depois disso o dialogo se tornou quase inexistente, as trocas de olhares eram carregadas de ódio e desprezo, as dinâmicas em sala se tornaram mortalmente competitivas (fato apontado por todos os professores)... O resto dos integrantes do sul davam razão a sua Rainha e pra ela nos tornamos um reino de Ninguém/Nada, um reino mórbido, cruel e sem espaço para a paz...
Ps: Esse texto foi uma criação compartilhada, feita por alguns membros da sala
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2020.03.21 05:06 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 4

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52918461011
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
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Os muitos prognósticos e especulações loucas nas partes anteriores, na verdade, não são nada comparado ao que se segue. Ao contrário de Jaime, que tem acesso a muitas informações úteis como comandante das forças da coroa nas Terras Fluviais, não há pistas sobre as atividades dos supostos conspiradores nortenhos.
Dentre os POVs no Norte em A Dança dos Dragões, Davos, Theon e Asha não são confiáveis. O primeiro por ser o homem de Stannis, leal e verdadeiro, os dois últimos por serem homens de ferro e prisioneiros. Melisandre tem apenas um capítulo, em que ela não é tão onisciente quanto finge ser. (Rezo por um vislumbre de Azor Ahai, e R'hllor me mostra apenas Snow) E Jon? Bem, se a teoria estiver correta, ele provavelmente será o último a saber, (risadas), pois seus futuros súditos nortenhos não arriscariam por seu novo rei em perigo.
É verdade que os jogadores e jogadas estão tão obscurecidos que talvez seja uma indicação de que a Grande Conspiração do Norte está no caminho certo. Melhor para GRRM poder desvelar dramaticamente a queda catártica dos Lannisters, Boltons e Freys nas mãos dos lealistas Stark quando Os Ventos do Inverno chegar. [...]

O Norte: Os Homens dos Stark

Rastreando os Mormonts e Glovers

Juntar os fios de uma conspiração no Norte é como um jogo elaborado de telefone sem fio. Um extremo da linha está com Galbart Glover e Maege Mormont, que são testemunhas do decreto de Robb de nomear seu herdeiro, que se assume ser um Jon legitimado.
[Robb:] Senhor, preciso que dois de seus dracares contornem o Cabo das Águias e subam o Gargalo até a Atalaia da Água Cinzenta.
Lorde Jason [Mallister] hesitou.
– A floresta úmida é drenada por uma dúzia de cursos de água, todos eles rasos, assoreados e por mapear. Nem chamaria de rios. Os canais andam sempre derivando e se alterando. Há inúmeros bancos de areia, troncos caídos e emaranhados de árvores em putrefação. E a Atalaia da Água Cinzenta desloca-se. Como os meus navios irão encontrá-la?– Subam o rio exibindo o meu estandarte. Os cranogmanos vão encontrá-los. Quero dois navios para duplicar as chances de minha mensagem chegar a Howland Reed. A Senhora Maege irá num deles, Galbart no segundo. – Virou-se para os dois que tinha indicado. – Levarão cartas para os meus senhores que permanecem no Norte, mas todas as ordens nelas contidas serão falsas, para o caso de terem o azar de serem capturados. Se isso acontecer, deverão dizer-lhes que se dirigiam ao norte. De volta à Ilha dos Ursos, ou na direção da Costa Pedregosa.
(ASOS, Catelyn V)
Robb morre antes que ele possa tentar sua estratégia de retomar Fosso Cailin, mas Maege e Galbart desaparecem no Gargalo, para nunca mais serem vistos em momento nenhum de A Dança dos Dragões. Existem, no entanto, algumas dicas de que os dois mensageiros foram recebidos por Howland Reed e, mais interessantemente, voltaram a fazer contato com seus parentes no Norte.
Em primeiro lugar, os cranogmanos aparentemente começam uma campanha para livrar Fosso Cailin dos homens de ferro, cumprindo o último objetivo de Robb na guerra (apesar de a um ritmo mais lento, pois não contam com o apoio das tropas perdidas no Casamento Vermelho). Theon chega lá para encontrar a guarnição morta, morrendo ou escondida com medo dos demônios do pântano e seus venenos (ADWD, Fedor II).
Em segundo lugar, na marcha para Winterfell, Asha e Alysane conversam um pouco.
– Você tem irmãos? – Asha perguntou para sua carcereira.
– Irmãs – Alysane Mormont respondeu, ríspida como sempre. – Éramos cinco. Todas garotas. Lyanna está de volta à Ilha dos Ursos. Lyra e Jory estão com nossa mãe. Dacey foi assassinada.
– O Casamento Vermelho.
(ADWD, O Prêmio do Rei)
Como Alysane sabe que suas irmãs estão com sua mãe? A partir das descrições da hoste que Robb leva para o sul nos três primeiros livros parece que Dacey é a única filha que acompanha Maege. Isso faz um certo sentido, pois Dacey é a herdeira de Maege e as meninas mais novas não entrariam em guerra enquanto Alysane, a próxima da fila, permanece na Ilha dos Ursos.
Quando, então, Lyra e Jorelle saíram de casa? Elas e Alysane já estão ausentes quando Stannis envia suas cartas para todas as casas do Norte exigindo lealdade. Caso contrário Lyanna, de 10 anos, não teria tido a chance de responder de forma memorável, deixando Jon intrigado com a castelã escolhida pelos Mormonts (ADWD, Jon I).
De fato, se Maege estava em comunicação com a Ilha dos Ursos, suas filhas mais velhas provavelmente saberiam dela sobre Robb nomear Jon seu herdeiro, o que dá novo sentido às palavras de Lyanna. Assim como Wylla Manderly, Lyanna pode ser considerada jovem demais para participar de qualquer conselho secreto, mas, no entanto, sabe onde estão as verdadeiras lealdades de sua família, revelando-se inadvertidamente como “mulheres Stark” para Stannis, da mesma maneira que Wylla quase revela para os Frey que os Manderly eram. Talvez Lyanna atue em um desejo infantil de convencer Jon, que está na Muralha com Stannis, a reivindicar sua coroa.
Alysane chega mais tarde a Bosque Profundo e com a companhia.
Stannis tomara Bosque Profundo, e os clãs das montanhas se juntaram a ele. Flint, Norrey, Wull, Liddle, todos.
E tivemos outra ajuda, inesperada mas muito bem-vinda, da filha da Ilha dos Ursos. Alysane Mormont, a quem os homens chamam Mulher-Ursa, escondeu combatentes em uma flotilha de barcos de pesca e pegou os homens de ferro desprevenidos quando chegaram à costa. Os dracares Greyjoy foram queimados ou tomados, suas tripulações mortas ou rendidas. [...]
... mais nortenhos chegam enquanto as notícias da nossa vitória se espalham. Pescadores, mercenários, homens das colinas, arrendatários das profundezas da Matadelobos e aldeões que abandonaram seus lares ao longo da costa rochosa para escapar dos homens de ferro, sobreviventes da batalha do lado de fora dos portões de Winterfell, homens que já foram juramentados aos Hornwood, aos Cerwyn e aos Tallhart. Estamos cinco mil mais fortes enquanto escrevo para você, e nosso número incha a cada dia.
(ADWD, Jon VII)
A Ursa não poderia ter sido avisada da movimentação de Stannis em Bosque Profundo. Stannis praticamente desaparece do mapa enquanto ele arrebata Liddles, Norreys, Wulls e Flints, banqueteando-se pelas montanhas. Alysane está em Bosque Profundo em nome de outra facção. Uma que planeja retomar o castelo há algum tempo, uma vez que uma frota de navios de pesca (e os guerreiros que se escondem neles) não pode ser montada rapidamente.
De fato, os nortenhos que ingressaram no exército após a vitória de Stannis poderiam ter originalmente sido programados para atacar os homens de ferro em conjunto com as forças de Alysane. Ironicamente, isso significaria que Stannis seria a ajuda inesperada, mas muito bem-vinda, liberando Bosque Profundo antes do prazo e com menor custo para o Norte.
Em terceiro lugar, há Robett Glover, irmão e herdeiro mais novo de Galbart, que está em Porto Branco com Manderly. Para revisar, Robett é capturado em Valdocaso, mas é trocado por Martyn Lannister, filho de Kevan. Roose Bolton ordena que essa batalha seja travada, tentando sangrar as casas do Norte que se opunham a ele como Protetor do Norte, como acordado com Tywin.
Quando lhe trouxeram a notícia da batalha em Valdocaso, onde Lorde Randyll Tarly desbaratara as forças de Robett Glover e de Sor Helman Tallhart, seria de se esperar vê-lo enfurecido, mas ele limitou-se a olhar, numa incredulidade estupidificada, e dizer:
– Valdocaso, no mar estreito? Por que eles iriam para Valdocaso? – sacudiu a cabeça, desconcertado. – Um terço de minha infantaria perdido por Valdocaso?
– Os homens de ferro têm o meu castelo e agora os Lannister têm o meu irmão – disse Galbart Glover, numa voz carregada de desespero. Robett Glover sobreviveu à batalha, mas fora capturado perto da estrada do rei não muito mais tarde.
– Não será por muito tempo – prometeu o filho de Catelyn. – Vou oferecer Martyn Lannister em troca dele. Lorde Tywin terá de aceitar, por causa do irmão.
(ASOS, Catelyn IV)
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Robb tinha enviado o tio de Jeyne, Rolph Spicer, para entregar o jovemMartyn Lannister ao Dente Dourado, no mesmo dia emque recebera o acordo de Lorde Tywin com relação à troca de cativos. Tinha sido um gesto hábil. O filho ficava aliviado de seus receios quanto à segurança de Martyn, Galbart Glover ficava aliviado por saber que o irmão Robett tinha sido posto num navio em Valdocaso, Sor Rolph tinha uma tarefa importante e honrosa... e Vento Cinzento estava de novo ao lado do rei. Onde é o lugar dele.
(ASOS, Catelyn V)
Então, antes de Galbart partir para o Gargalo, ele descobre que Robett está a caminho do norte via mar. Onde mais poderia estar o destino de Robett, a não ser Porto Branco, o maior porto do norte? E se Maege pode entrar em contato com suas filhas, por que Galbart não poderia com seu irmão em Porto Branco, que fica muito mais próximo do Gargalo do que da Ilha dos Ursos?
Mas existe alguma pista de que Robett saiba que Robb nomeou Jon seu herdeiro? Talvez.
– A maldade está no sangue – disse Robett Glover. – Ele é um bastardo nascido de um estupro. Um Snow, não importa o que o rei menino diga.
– Alguma neve já foi tão negra? – perguntou Lorde Wyman. – Ramsay tomou as terras de Lorde Hornwood forçando o casamento com a viúva, e então a trancou em uma torre e a esqueceu lá. Dizem que ela comeu a extremidade dos próprios dedos... e a noção de justiça real dos Lannister é recompensar esse assassino com a garotinha de Ned Stark.
– Os Bolton sempre foram tão cruéis quanto espertos, mas esse aí parece um animal em pele humana – disse Glover.
(ADWD, Davos IV)
Robett e Manderly, também, parecem estar lançando mão dos disparates normais dos Westerosi sobre bastardos serem devassos e traiçoeiros por natureza, pois são nascidos da luxúria e mentiras. No entanto, GRRM lembra aos leitores da disputa pelas terras de Hornwood.
[Luwin:] – Sem herdeiro direto, haverá com certeza muitos pretendentes disputando as terras dos Hornwood. Tanto os Tallhart como os Flint e os Karstark têm ligações com a Casa Hornwood por linha feminina, e os Glover estão criando o bastardo de Lorde Harys em Bosque Profundo. O Forte do Pavor não tem nenhuma pretensão, que eu saiba, mas as terras são contíguas, e Roose Bolton não é homem que deixaria passar uma chance dessas. [...]
– Então deixe que o bastardo de Lorde Hornwood seja o herdeiro – Bran sugeriu, pensando no seu meio-irmão Jon.
Sor Rodrik disse:
– Isso agradaria aos Glover e talvez à sombra de Lorde Hornwood, mas não creio que a Senhora Hornwood iria simpatizar conosco. O garoto não é do seu sangue.
(ACOK, Bran II)
Mais tarde neste capítulo, Sor Rodrik questiona o intendente de Bosque profundo sobre Larence Snow, o bastardo de Lorde Hornwood, e o homem só tem elogios para o rapaz, à época com doze anos.
Por que Manderly e Glover gostariam de dar a Davos a impressão de que têm preconceito contra bastardos? E, por falar nisso, por que Davos se deu ao trabalho de recuperar não apenas Rickon de Skagos, mas Câo Felpudo para fins de identificação quando todos sabem que comandando a Muralha está Jon Snow, que foi criado em Winterfell com as crianças Stark?
Certamente, se a presença de Theon como protegido de Ned Stark é suficiente para passar Jeyne Poole como Arya, o testemunho de Jon pode provar que Rickon é quem Manderly diz que é. A menos que, segundo a teoria, Lord Wyman e Robett evitem escrupulosamente qualquer menção a Jon com a ideia de que quanto menos atenção for atraída para Jon (especialmente em relação a reis e herdeiros) melhor.
Bem, isso é talvez seja um pouco forçado (risadas). De qualquer forma, Robett desaparece no final de A Dança dos Dragões, não acompanhando Manderly à festa em Winterfell. Onde ele está? Uma teoria é que ele também está do lado de fora das muralhas de Winterfell ou em algum lugar próximo, escondido pela tempestade de neve, tendo liderado um exército de homens do Norte pelo Faca Branca.
Robett Glover estava na cidade e tentara arregimentar homens, com pouco sucesso. Lorde Manderly ignorara seus apelos. Porto Branco estava cansado de guerra, fora a resposta dele, segundo relatos. Isso era ruim.
(ADWD, Davos II)
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Wyman Manderly balançou pesadamente os pés. – Venho construindo navios de guerra há mais de um ano. Alguns você viu, mas há muitos mais escondidos no Faca Branca. Mesmo com as perdas que sofri, ainda comando mais cavalos pesados do que qualquer outro senhor ao norte do Gargalo. Minhas muralhas são fortes e meus cofres estão cheios de prata. Castelovelho e Atalaia da Viúva seguirão minha liderança. Meus vassalos incluem uma dúzia de pequenos senhores e uma centena de cavaleiros com terras.
(ADWD, Davos IV)
O cansaço de Manderly por guerra é total e completamente fingido. Os relatos sobre falhas de Robett emarregimentar homens também são falsos? Note que, se houver outro exército à espreita na neve, Stannis nada sabe disso.
Finalmente, voltando à pergunta original, onde estão Maege Mormont e Galbart Glover? Especula-se que eles decidam permanecer nas Terras Fluviais, usando a Atalaia da Água Cinzenta como base de operações para tentar reunir os remanescentes do exército de Robb que ficam presos e dispersos quando Fosso Cailin caiu em mãos inimigas. Por exemplo, os seiscentos homens - incluindo lanceiros das montanhas e de Proto Branco, arqueiros Hornwood, e Stouts e Cerwyns – que Roose deixa no Tridente sob o comando de Ronnel Stout e Sor Kyle Condon (ASOS, Catelyn VI) dos quais nunca mais se ouve falar. Se a viagem de Senhora Coração de Pedra ao Gargalo significar que a Irmandade sem Bandeiras está agora trabalhando com Reed, Mormont e Glover, essas forças poderão em breve reaparecer onde mais doerá nos Lannisters e Freys.

Intriga marchando para Winterfell

Com Alysane Mormont funcionando como a conexão com a Senhora Maege e, consequentemente, com a legitimação de Jon por Robb como rei no norte, os próximos jogadores nesse jogo de telefone sem fio são os homens do clã, os quais (como Manderly fica sabendo via Wex) sabem que Bran (e provavelmente que Rickon também) sobreviveu ao saque de Winterfell.
Jojen Reed parou para recuperar o fôlego.
– Acha que essa gente das montanhas sabe que estamos aqui?
– Eles sabem. – Bran avistara-os observando; não com os próprios olhos, mas com os olhos mais sensíveis de Verão, que deixavam escapar muito pouco. [...]
Só uma vez encontraram um membro do povo da montanha, quando uma súbita carga de água gelada tinha feito com que buscassem abrigo. [...] Bran achou que devia ser um Liddle. O broche que prendia seu manto de pele de esquilo era de ouro e bronze, trabalhado em forma de pinha, e os Liddle usavam pinhas na metade branca de seus escudos verde e branco.
O Liddle puxou uma faca e começou a desbastar um pedaço de madeira.
– Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. Há lulas na mata de lobos, e homens esfolados percorrem a estrada do rei, perguntando por forasteiros.
Os Reed trocaram um olhar.
– Homens esfolados? – perguntou Jojen.
– Os rapazes do Bastardo, ora. Ele tava morto, mas agora não tá. E paga bom dinheiro por pele de lobos, segundo um homem ouviu dizer, e talvez até ouro por notícias de certos outros mortos que andam. – Olhou para Bran quando disse aquilo, e para Verão, que estava estendido ao seu lado. – [...] Era diferente quando havia um Stark em Winterfell. Mas o velho lobo tá morto e o novo foi para o sul jogar o jogo de tronos, e tudo que nos resta são os fantasmas.
– Os lobos voltarão – disse solenemente Jojen.
(ASOS, Bran II)
Este estranhamente bem informado Liddle, com seu broche de ouro e bronze, é talvez um líder em seu clã. Ele não apenas reconhece Bran, mas seu pessoal também tem se mantido atentos. O próprio fato de os homens de Bolton terem prometido recompensa por notícias dos Stark supostamente mortos sugere que eles não estão mortos. Bran também pergunta ao Liddle a que distância fica a Muralha (não consta da citação acima) e, embora o homem pense que eles não deveriam seguir esse caminho, ele fica por dentro de parte dos planos deles.
Em A Dança dos Dragões, os Liddles ajudam Stannis a tomar Bosque Profundo e a marchar para Winterfell junto com os Norreys, Wulls e Flints. Em minha opinião, há boas chances de que os Liddles tenham contado aos demais sobre o encontro com Bran e companhia. Os clãs das montanhas podem brigar por cabras e mulas roubadas, mas quando se trata dos Starks de Winterfell, há consenso. Segundo a teoria, quando Alysane se junta à marcha, ela e os homens do clã trocam informações. Os Liddles, Norreys, Wulls e Flints ficam sabendo sobre Jon, Alysane sobre Bran (e talvez Rickon, se ela ainda não tiver cruzado com os Glovers).
Pouco tempo depois, Jon hospeda Norreys e Flints na Muralha.
O Velho Flint e O Norrey tinham lugares de grande honra logo abaixo do estrado. Ambos eram velhos demais para marchar com Stannis; haviam mandado filhos e netos em seus lugares. Mas ambos haviam sido rápidos o suficiente para descer até o Castelo Negro para o casamento. Cada um trouxera uma ama de leite para a Muralha, também. [...] Entre as duas, a criança que Val chamara de Monstro parecia estar prosperando.
Por isso Jon estava grato... mas não acreditara nem por um momento que esses dois veneráveis velhos guerreiros desceriam correndo das montanhas sozinhos. Cada um viera com uma cauda de guerreiros – cinco para o Velho Flint, doze para O Norrey, todos vestidos em peles esfarrapadas e couro cravejado, temíveis como a face do inverno. Alguns tinham longas barbas, alguns tinham cicatrizes, alguns tinham ambos; todos veneravam os antigos deuses do Norte, os mesmos deuses venerados pelo povo livre para lá da Muralha. No entanto, eles se sentaram, bebendo por um casamento santificado por algum estranho deus vermelho de além-mar.
Melhor isso do que se recusar a beber. Nem os Flint nem os Norrey haviam virado suas taças para derramar o vinho no chão. Isso poderia indicar certa aceitação. Ou talvez simplesmente odeiem desperdiçar um bom vinho sulista. Não dá para provar muito disso naquelas montanhas rochosas deles.
(Jon X, ADWD)
Pode ser que Flint e Norrey estiveram na Muralha para avaliar Jon? Suponha que estes homens de clã com Stannis enviem uma mensagem ou mensageiro de volta às montanhas, falando do sucessor escolhido por Robb. Os nortenhos sobrevivem na neve muito melhor do que os cavaleiros do sul de Stannis, e duvido que algum deles notaria o desparecimento um ou dois daqueles homens. O acordo de Jon sobre o casamento de Alys Karstark e sua trégua com os selvagens seriam infrações à autoridade do Rei do Norte. E representantes dos clãs das colinas vieram para observar e julgar como ele lida com os ambas as coisas:
– Lorde Snow – disse O Norrey –, onde você pretende colocar esses seus selvagens? Não nas minhas terras, espero.
– Sim – declarou o Velho Flint – Se quer deixá-los na Dádiva, é problema seu, mas assegure-se de que não vão ficar vagando por aí, ou mandarei a cabeça deles para você. O inverno está próximo e não quero mais bocas para alimentar.
– Os selvagens ficarão na Muralha – Jon lhes assegurou. [...]– Tormund me deu sua palavra. Ele servirá conosco até a primavera. O Chorão e os outros capitães terão que prometer a mesma coisa, ou não os deixaremos passar.
O Velho Flint abanou a cabeça.
– Eles nos trairão [...]
– O povo livre não tem leis nem senhores – Jon falou –, mas amam suas crianças. Você admitiria isso ao menos? [...] Por isso insisti em mantermos reféns. [...]
Os nortenhos olharam um para o outro.
– Reféns – ponderou O Norrey. – Tormund concordou com isso?
Era isso, ou ver seu povo morrer.
– Meu preço de sangue, ele chamou – falou Jon Snow –, mas pagará.– Sim, e por que não? – O Velho Flint bateu sua bengala contra o gelo. – Protegidos, nós sempre os chamávamos, quando Winterfell exigia rapazes de nós, mas eram reféns, e nada pior que isso.
– Nada, exceto para aqueles cujos pais desagradavam os Reis do Inverno – falou O Norrey. – Esses voltavam para casa uma cabeça mais curtos. Então me diga, rapaz... se esses seus amigos selvagens se mostrarem falsos, você terá estômago para fazer o que precisa ser feito?
Pergunte a Janos Slynt.
– Tormund Terror dos Gigantes me conhece o suficiente para não me testar. Posso ser um rapaz inexperiente aos seus olhos, Lorde Norrey, mas ainda sou um filho de Eddard Stark.
(ADWD, Jon XI)
Acredito que Flint e Norrey estão devidamente impressionados aqui. Se Alysane realmente falou com os clãs da intenção de Maege Mormont de defender os últimos desejos de Robb, acho que eles estariam dispostos a aceitar Jon como Rei do Inverno.
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2020.03.18 04:38 CasaGolden Hodor Cavalo – Episódio 54 – Bran VI

Bran, O Quebrado

As notícias sobre os conflitos armados entre as Casas Tully e Lannister chegam distorcidas ao longínquo norte. Winterfell recebe a carta de Sansa Stark contando a respeito da traição cometida por Lorde Eddard e boatos exagerados se espalham entre os servos da enorme fortaleza.
Robb Stark, agora encarregado do destino dos Stark no norte, fica furioso com a carta, ainda mais por não conter nenhuma informação sobre sua irmã mais nova Arya Stark.
Bran fica ansioso com a chegada dos vassalos e recebe olhares esquisitos e deboches por conta de sua nova condição física. Ele se lembra com raiva de um corvo que, em seu sonho antes de acordar, havia prometido que ele voaria.

Era só uma mentira - ele falou amargamente, lembrando-se do corvo de seu sonho. - Não posso voar. Sequer posso correr.” (AGOT, Bran VI)
Bran começa a se adaptar com o fato de não poder mais usar as pernas, mas obviamente o processo é confuso, triste e doloroso. Ele passa a sentir uma conexão nunca antes estabelecida com o Bosque Sagrado de Winterfell, ao mesmo tempo em que ouve sombrios conselhos de Osha, a selvagem.
“Diga-me. Robb me escutará, eu sei que sim.
- Será? Veremos. Diz isto a ele, senhor. Diz que ele está decidido a marchar na direção errada. Ê para o norte que ele devia levar suas espadas. Para o norte, não para o sul. Está me ouvindo?” (AGOT, Bran VI)
O primogênito de Ned e Catelyn Stark decidi marchar até o sul e confrontar as tropas lannisters a fim de libertar seu pai e restabelecer as coisas.
Antes de partir de Winterfell com cerca de 12 mil homens, Robb Stark diz que Bran deve ser o novo Senhor de Winterfell, mas Bran, que guardou as palavras de Osha, sente que está tudo errado.

Prenúncio dos Bolton traindo os Stark?

No capítulo é dito que um dos homens da Casa Bolton havia esfaqueado um dos Lorde Cerwyn. Em Fúria dos Reis, Cley Cerwyn, ao tentar negociar a paz com Theon Greyjoy, é morto por homens da Casa Bolton a mando de Ramsey Snow.
Em Tormenta das Espadas, após a morte de Robb Stark, Roose Bolton vira o Protetor do Norte e suserano das casas nortenhas.

A ironia trágica do destino dos irmãos Karstark

As palavras mais duras que Bran ouviu sobre o fato de ser um aleijado foram a dos filhos mais novos de Rickard Karstark.
“- ... preferia morrer a viver assim - murmurou um deles, o que tinha o nome do pai, Eddard, e o irmão Torrhen disse que era provável que o rapaz fosse tão quebrado por dentro como por fora, covarde demais para tirar a própria vida. Quebrado, Bran pensou amargamente enquanto se agarrava à faca. Seria isso agora? Bran, o Quebrado?” (AGOT, Bran, VI)
Na batalha do Bosque dos Murmúrios Robb Stark e seus homens capturaram Jaime Lannister que antes de ser preso acabou matando Eddard e Torrhen.
OBS: Essa questão dos filhos do Karstark não foi abordada pelas meninas e na real eu só fui me tocar disso no ano passado eu acho.
Perguntas
Uma ouvinte perguntou quem era a pior pessoa de ASOIAF entre dois personagens específicos: Mindinho ou Gregor Clegane. Houve um debate sobre isso.
Eu não sou muito de tirar conclusões, o que eu acho é que as ações do Mindinho são como um efeito dominó, apesar de às vezes ele agir diretamente, como fez com Jeyne Poole. O Montanha é aquela violência sufocante, doida, imparável, destruição por destruição.
De qualquer forma, falar sobre "maldade" entra em várias discussões sobre a moral e outras coisas. É algo mais complexo.
E o que vocês acham?
E quem seria o personagem que poderíamos dizer que é “totalmente” bom?
Eu diria a Brienne rs.
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2020.02.24 03:57 altovaliriano A Mulher Morena

“Sábado de personagens” ainda no domingo. Fazer o quê?
A mulher morena é uma das mais misteriosas personagens de As Crônicas de Gelo e Fogo. Seu nome e origem nunca foi revelado ao leitor. Pouco mais sabemos sobre ela, mas em resumo a mulher foi entregue por Euron a Victarion como um prêmio. Sabemos que ela é muda e que Victarion a considera bonita.
Porém, em determinado momento da história, fica evidente ao leitor de que a mulher morena é mais do que parece ser. A tripulação de Victarion resgata do mar Moqorro, um sacerdote de R’hllor enviado pelo Templo Vermelho para auxiliar Daenerys em Meereen, e leva-o a Victarion, pois o homem afirma estar sabendo de que o Capitão de Ferro corre perigo de morte. Quando um mal súbito atinge Victarion, ele e Moqorro vão à sua cabine e o seguinte ocorre:
Quando abriu a porta da cabine do capitão, a mulher morena se virou em sua direção, silenciosa e sorridente... mas, quando viu o sacerdote vermelho ao lado dele, seus lábios se afastaram de seus dentes, e ela sibilou em súbita fúria, como uma serpente. Victarion a acertou com as costas da mão boa e a derrubou no chão.
– Quieta, mulher. Vinho para nós dois. [...]
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A hostilidade da mulher morena para com Moqorro parece uma indicação muito forte sobre a origem e propósito da personagem na história. A partir deste fato apenas, leitores foram levados às mais loucas especulações sobre a identidade da misteriosa serva-amante de Victarion. Entretanto, se o reino das especulações produz resultados estranhos, posso afirmar que as evidências presente no próprio texto não são menos estranhas. Se analisadas em sua literalidade, o texto produzido pelo próprio Martin aponta para direções completamente ininteligíveis.
Analisemos.

Fenótipo, aparência e semelhanças

Fenótipo é o resultado da expressão dos genes do organismo, da influência de fatores ambientais e da possível interação entre os dois. No contexto deste texto, o fenótipo da mulher morena é algo que poderia nos dar uma dica sobre sua herança genética.
Esse herança genética PODE nos ajudar a determinar a cultura na qual ela nasceu, mas é claro que isso não permite nos concluir com absoluta certeza que ela pertence esta cultura. Um bom exemplo de personagem cujo fenótipo pode ser usado para nos confundir é Sarella Sand, que pertence à cultura westerosi, apesar de que sua aparência denotaria ter nascido nas Ilhas do Verão.
Entretanto, diante das poucas informações disponíveis sobre a mulher morena, esta análise se torna necessária. Em verdade, o próprio Martin parece estar induzindo os leitores a realizar estas investigações, pois ele mesmo deposita dicas disso no texto:
Sua pele era negra. Não o marrom castanho dos ilhéus do Verão com seus navios cisne, nem o marrom-avermelhado dos senhores dos cavalos dothrakis, nem a cor de carvão-e-terra da pele da mulher morena*, mas negra. Mais negra que carvão, mais negra do que o azeviche, mais negra do que as asas de um corvo.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Na passagem acima, vê-se que Martin descarta através de Victarion que a mulher morena pertence às culturas dos Ilhéus do Verão e dos senhores de cavalo Dothraki. A exclusão das Ilhas do Verão é especialmente útil, haja vista onde Euron ALEGA ter encontrado a mulher morena:
INGLÊS: As a reward for his leal service, the new-crowned king had given Victarion the dusky woman, taken off some slaver bound for Lys.
PORTUGUÊS: Como recompensa por seu leal serviço, o recém-coroado rei dera a Victarion a morena, roubada de algum mercador de escravos a caminho de Lys*.*
(AFFC, O Pirata)
Eu acho curioso a forma como fica apenas implícito de que Euron teria capturado a Mulher Morena nos porões de um navio de escravos indo para Lys, quando, na verdade, nada disso está escrito no texto. Não se menciona qualquer navio, nem que ela era uma escrava. Tão facilmente como tomou Falia Flowers quando invadiram o Castelo dos Hewett, Euron poderia muito bem ter tomado a amante de um mercador de escravos.
Mas evitemos a interpretação segundo a qual Martin, a esta altura da história, está tentando nos confundir com jogos de palavras. Que outras opções de origem teria uma mulher “bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada”?
Aqueles que partirem para O Mundo de Gelo e Fogo em busca de auxílio encontrarão logo a seguinte referência sobre os habitantes de Naath:
O povo nativo da ilha é uma raça bonita e gentil, com rostos redondos, pele escura e grandes olhos suaves cor de âmbar, em geral salpicados de dourado.
[...~]
O Povo Pacífico sempre teve um bom preço, dizem, pois são tão inteligentes quanto gentis, belos de se olhar e rápidos em aprender a obediência*. É relatado que* uma casa de prazer em Lys é famosa por suas garotas naathi*, que usam diáfanos vestidos de seda e são adornadas com asas de borboletas alegremente pintadas.*
(TWOIAF, Naath)
As descrições tem certa compatibilidade com as características relatadas da mulher morena. Entretanto, os característicos olhos amarelados teriam sido notados facilmente mesmo por alguém tão tapado quanto Victarion. Por outro lado, depois da demonstração de fúria perante Moqorro, acredito que pouco classificariam a mulher morena como “gentil”.
Caso continuemos a pesquisa no livro de meistre Yandell, logo encontraremos uma outra descrição sobre o povo de Leng que é bastante capciosa:
Os lengii nativos são talvez os mais altos de todas as raças da humanidade, com muitos homens entre eles chegando a mais de dois metros de altura, e alguns até com dois metros e meio. De pernas longas e esguios, pele cor de teca oleada*, eles têm grandes olhos dourados e supostamente podem ver mais longe e melhor do que outros homens,* especialmente à noite. Embora formidavelmente altas*, as mulheres lengii são notoriamente ágeis e encantadoras, de* beleza insuperável*.*
(TWOIAF, Leng)
A descrição da pele é inteiramente simétrica àquela da mulher morena (fornecida por VIctarion). Na verdade, é curioso perceber que a única vez que a expressão “teca oleada” é usada para descrever a pele de alguém ocorre com a mulher morena. A única outra vez em que essa analogia é usada é como o povo de Leng, fora da saga principal, em um livro acessório.
Entretanto, há mais problemas aqui do que soluções. Novamente temos a descrição do dourado dos olhos (que seriam difíceis de Victarion ignorar), a altura formidável e a beleza insuperável. Ainda que possamos alegar que Victarion é um homem alto, próximo dos 2 metros de altura (segundo estimativas dos leitores), seria difícil que ele ignorasse que a mulher morena fosse muito alta para uma mulher e de beleza insuperável.
Desse modo, acredito ser seguro descartar Leng e seguir. Não há mais nenhuma referência a características que se assemelhem à da mulher morena (fora das Ilhas do Verão, que já foram descartadas em nossas premissas acima), porém existe uma referência a um povo no estrangeiro que por vezes sofre o mesmo destino reservado à mulher morena:
Não é surpresa que Sothoros seja pouco povoado quando comparado com Westeros ou Essos. Duas dezenas de pequenas vilas de comércio se amontoam na costa norte ‒ vilas de lama e sangue*, alguns dizem: molhadas, úmidas e cheias de miséria, onde aventureiros, trapaceiros, exilados e* prostitutas das Cidades Livres e dos Sete Reinos vêm fazer fortuna.
Há riquezas escondidas entre as selvas, pântanos e taciturnos rios banhados pelo sol do sul, sem dúvida, mas, para cada homem que encontra ouro, pérolas ou especiarias preciosas, há uma centena que encontra apenas a morte. Os corsários das Ilhas Basilisco atacam esses assentamentos, levando cativos que serão mantidos confinados em Garra ou na Ilha das Lágrimas antes de serem vendidos para os mercados de carne da Baía dos Escravos, ou para as casas de prazer e jardins de prazer de Lys*.*
(TWOIAF, Sothoros)
Embora seja muito vago afirmar que esta é uma origem em potencial para a mulher morena (pois, virtualmente, é o mesmo que dizer que ela poderia ter vindo de qualquer lugar do mundo), a menção de que prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos podem acabar em Lys pode nos ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre seu comportamento esquisito (vide abaixo).
Portanto, ainda que não possamos determinar sua origem, a análise acima nos permite começar a descartar algumas opções. Inclusive, percebemos que a mulher morena tem um pele de uma tonalidade ímpar (teca oleada), o que pode indicar que ela pertença a um povo que ainda não foi descrito pro Martin.
Entrentanto, há uma última analogia que não pode deixar de ser registrada:
“Não quero nenhuma de suas sobras”, dissera desdenhosamente ao irmão, mas quando Olho de Corvo declarou que a mulher seria morta se não a aceitasse, fraquejou. A língua dela tinha sido arrancada, mas exceto por este pormenor estava intacta, e era também bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada. Mas, por vezes, quando a olhava, surpreendia-se lembrando da primeira mulher que o irmão lhe dera*, para fazer dele um homem.*
(AFFC, O Pirata)
Sendo Euron alguém conhecido por apreciar jogos mentais, a escolha de alguém que se assemelhasse com a primeira mulher que Victarion havia recebido pode ter sido deliberada. Este detalhe pode ter sido essencial para capturar a memória afetiva de Victarion e fazer com que ele mais facilmente aceitasse o presente de Euron.
Não fica claro se por “primeira mulher” Victarion está falando de sua primeira esposa (que morreu no parto de uma menina natimorta) ou se ele estaria se referindo à primeira mulher com que se deitou. Curiosamente, esta dúvida se aprofunda quando vemos observamos os pensamentos de Victarion no capítulo liberado de Os Ventos do Inverno:
[Spoilers de Os Ventos do Inverno]Enquanto estava na proa do Vitória de Ferro vendo os navios mercantes de Uma-orelha desaparecem um a um ao oeste, as faces dos primeiros inimigos que matara voltaram a Victarion Greyjoy. Ele pensou em seu primeiro navio, em sua primeira mulher.
(TWOW, Victarion)
De todo modo, o importante é que a mulher morena desperta nele esta memória afetiva. Com efeito, o próprio Victarion não parece compreender porque aceitou a mulher ou mesmo porque não cumpriu seu desejo de sacrificá-la, a despeito de ter a perfeita noção de que qualquer presente de Euron é um presente de grego:
A mulher morena não respondeu. Euron havia cortado sua língua antes de dá-la para ele. Victarion não duvidada que o Olho de Corvo tivesse dormido com ela também. Era o jeito do seu irmão. Os presentes de Euron são envenenados, o capitão lembrara a si mesmo no dia em que a mulher morena veio a bordo*. Não quero nenhum de seus restos. Decidira, então, que cortaria a garganta dela e a atiraria ao mar, um sacrifício de sangue para o Deus Afogado.* De alguma forma, contudo, jamais chegara nem perto de fazer isso*.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Pior, esta sensação de familiaridade poderia justificar também a razão pela qual Victarion confiava seus segredos a ela. Não que a mudez da mulher não tenha parte nisso. Afinal, é o que os próprios pensamentos de Victarion indicam:
Cada vez mais, temia que tivessem navegado longe demais, em mares desconhecidos onde até mesmo os deuses eram estranhos... mas, essas dúvidas, ele confidenciava apenas para sua mulher morena, que não tinha língua para repeti-las.
[...]
Victarion podia falar com a mulher morena. Ela nunca tentava responder.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Contudo, isto não explica outros momentos em que Victarion observa ter uma conexão com a mulher morena que independem da confidencialidade verbal. Para estas situações, a memória afetiva me parece funcionar como uma justificativa muito melhor:
A mulher morena sabia o que ele queria sem que tivesse que pedir. Quando ele relaxou em sua cadeira, ela pegou um pano úmido e macio da bacia e o colocou em sua testa.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Outros exemplos disto são a forma como Victarion parece confiar na mulher morena não só mais do que em Meistre Kerwin, capturado em escudoverde (o que é até justificável, pois os nascidos do ferro parecem desconfiar dos meistres, especialmente em um que servia a uma Casa inimiga derrotada)...
– Pegue esta sujeira e vá. – Victarion acenou para a mulher morena. – Ela pode fazer o curativo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
... mas talvez até mais do que confia em Moqorro:
– [...] Gostaria que eu o sangrasse?
Victarion agarrou a mulher morena pelo pulso e a puxou para si.
Ela fará isso. Vá orar ao seu deus vermelho. Acenda seu fogo, e me diga o que vê.
Os olhos escuros de Moqorro pareceram brilhar.
– Vejo dragões.
(TWOW, Victarion)
No aspecto sexual, mesmo diante de sete mulheres treinadas para o prazer pelo Yunkaítas, Victarion diz-se satisfeito com sua mulher morena até que chegue o dia de tomar Daenerys para si:
Os senhores de escravos de Yunkai as haviam treinado no caminho dos sete suspiros, mas não era para isso que Victarion precisava delas. Sua mulher morena era suficiente para satisfazer seus apetites até que pudesse chegar a Meereen e reivindicar sua rainha.
(ADWD, Victarion)
A confiança na mulher morena é a tal ponto acentuada, que Victarion passa a suspeitar que seu meistre poderia estar causando a infecção do ferimento em sua mão. Ela é uma das duas únicas pessoas tratando seu ferimento em todo o barco, mas ele não só a exclui da lista de suspeitos como confidencia a ela suas suspeitas sobre Kerwin:
– Se não foi Serry, então quem? – perguntou para a mulher morena. – Poderia aquele rato daquele meistre estar causando isso? Meistres conhecem feitiços e outros truques. Ele pode estar usando um para me envenenar, esperando que eu o deixe cortar minha mão fora. – Quanto mais pensava nisso, mais provável lhe parecia. – O Olho de Corvo o deu para mim, criatura miserável que é. – Euron tirara Kerwin de Escudoverde, onde estava a serviço de Lorde Chester, cuidando de seus corvos e ensinando seus filhos, ou talvez de outros nas redondezas. E como o rato guinchava quando um dos mudos de Euron o entregara a bordo do Vitória de Ferro, arrastando-o pela corrente em seu pescoço. – Se isso é por vingança, ele se engana comigo. Foi Euron quem insistiu que ele fosse levado, para evitar que causasse danos com suas aves. – Seu irmão lhe dera três gaiolas de corvos também, para que Kerwin pudesse mandar notícias de sua viagem, mas Victarion proibira que fossem soltas. Que fique de molho, se perguntando o que está acontecendo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
É claro que pode-se arguir que Victarion simplesmente é burro e não vê coisas que simplesmente estão acontecendo sob seu nariz. Entretanto, o que me surpreende neste diálogo é que ele cita Kerwin ser um presente envenenado de Euron como motivo para sua suspeita, sendo que ele está falando diretamente para o primeiro presente que ele mesmo julgou envenenado.
Assim, me parece que isto demonstra que Victarion realmente desenvolveu um elo afetivo com a mulher, não APENAS que ele é burro.

Comportamentos e habilidades curiosos

A mulher morena é estranha e age de forma estranha.
A primeira coisa a se registrar são as suspeitas do fandom. Os leitores em geral acreditam que a mulher morena espia Victarion para Euron. Pouquíssimos arriscam dizer que ela é uma espiã dos magos de Qarth (Warlocks). Entretanto, tanto os primeiros quanto os últimos dizem que a espionagem se dá de forma mágica.
Alguns dizem que Euron entra na pele da mulher morena (assumindo como verdadeira a teoria de que Euron é um troca-peles poderoso) para interagir com Euron. Outros dizem que Euron ou os warlocks simplesmente usam os ouvidos e olhos da mulher morena para clariaudiência ou clarividência, sem propriamente ter controle sobre ela.
Porém, eu não acredito que essas especulações tenham fundamento textual, mas partem de um sentimento geral de suspeita que é causado pelo que está no texto. Examinemos cada caso.
Lembram-se que eu disse que a menção de O Mundo de Gelo e Fogo sobre “prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos poderem acabar em Lys” iria nos ajudar a esclarecer o comportamento esquisito da mulher morena? Pois bem, chegou a hora.
Victarion estava guerreando no Vago, quando retorna a sua cabine para ter com a mulher morena:
Em sua apertada cabine de popa, foi encontrar a mulher morena, úmida e pronta*; a batalha talvez também tivesse aquecido seu sangue.*
(AFFC, O Pirata)
Não é estranho que uma mulher que havia sido capturada e entregue a Victarion como uma escrava estivesse “úmida e pronta” assim que seu atual captor irrompesse pela porta vestido em armadura, suado e sangrando?
É claro que simplesmente poderíamos, como Victarion (mau sinal...), assumir que a batalha a tivesse excitado. Ou que Victarion seja mais atraente do que podemos pensar.
Mas não seria igualmente possível pensar que este seria um indício de que a mulher morena tem experiência como concubina?
É sabido que Martin fez com que os meistres da Cidadela tivesse um conhecimento de medicina mais avançado do que aqueles disponíveis para os praticante da medicina da Idade Média do mundo real. Entretanto, não está claro que este grau avançado de desenvolvimento também aconteça nas demais civilizações do resto do mundo que Martin criou.
Na verdade, parece que não, pois Mirri Maz Durr cita que aprendeu artes curativas com o Arquimeistre Marwyn, o que parece indicar que a Cidadela detém os melhores conhecimentos médicos do mundo:
Uma cantora de lua de Jogos Nhai deu-me de presente as suas canções de parto, uma mulher do seu povo cavaleiro ensinou-me as magias do capim, dos grãos e dos cavalos, e um meistre das Terras do Poente abriu um cadáver e mostrou-me todos os segredos que se escondem sob a pele.
Sor Jorah Mormont interveio.
– Um meistre?
– Chamava-se Marwyn – respondeu a mulher no Idioma Comum. – Do mar. Do outro lado do mar. As Sete Terras, disse ele. Terras do Poente. Onde os homens são de ferro e os dragões governam. Ensinou-me esta língua.
(AGOT, Daenerys VII)
Ocorre que a mulher morena parece ter bons conhecimentos sobre como tratar um ferimento:
A morena lavou o ferimento com vinagre fervido*. [...] Victarion dirigiu-se à morena enquanto ela enfaixava sua mão com* linho*. [...]*
(AFFC, O Pirata)
A mulher morena estava enfaixando sua mão com linho limpo, enrolando a faixa seis vezes ao redor da palma, quando Aguado Pyke apareceu [...].
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Em verdade, o tratamento que a mulher morena vinha aplicando a Victarion era justamente o que o meistre aplicava após punção dos ferimentos:
Sangue era bom. Victarion grunhiu em aprovação. Sentou-se firme enquanto o meistre secava, apertava e limpava o pus, com quadrados de tecido macio fervidos em vinagre*. Quando terminou, a água limpa na bacia tinha se tornado uma sopa espumante. A visão por si só podia fazer qualquer homem enjoar.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A mulher morena até demonstrou ter mais intimidade com este tipo de ferimentos do que o próprio meistre Kerwin. O rosado meistre não é referência de estômago forte, claro, mas a reação de nojo da mulher morena é tão econômica, que parece apontar para certa prática no assunto:
O pus que irrompeu era grosso e amarelo como leite azedo. A mulher morena torceu o nariz para o cheiro, o meistre segurou a ânsia de vômito e até Victarion sentiu seu estômago revirar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Por outro lado, apesar de ficar parecendo pela passagem abaixo que Victarion também poderia conhecer estes procedimentos (o que não seria impossível, já que o Cão de Caça demonstrou conhece-los também quando estava com Arya), eu acredito que Victarion simplesmente está com a memória ruim, pois quem lavou primeiro o ferimento foi a mulher morena (vide citação acima):
Um arranhão de um gatinho, Victarion disse para si mesmo, depois. Lavara o corte, despejara um pouco de vinagre fervido sobre ele, enfaixara-o e deixou de pensar naquilo, acreditando que a dor diminuiria e a mão se curaria com o tempo. Em vez disso, a ferida tinha infeccionado, até que Victarion começou a se perguntar se a lâmina de Serry estava envenenada. Por que mais a ferida se recusaria a sarar?
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
De fato, como o procedimento está correto e a medicina westerosi é mais avançada do que a medieval, muitos leitores se teorizam que a mulher morena poderia estar de alguma forma envenenando Victarion, ou ao menos matando-o devagar ao fazer algo para não permitir a cicatrização do corte.
Há até mesmo uma passagem em que vimos que o único procedimento sugerido pelo meistre que não é adotado pela mulher morena é tentar drenar o ferimento em local aberto:
O meistre sugerira que o ferimento seria mais bem drenado no convés, no ar fresco e à luz do sol, mas Victarion proibira. Aquilo não era algo que sua tripulação pudesse ver. Estavam a meio mundo de casa, longe demais para deixá-los ver seu capitão de ferro começar a enferrujar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Caso ela realmente estivesse piorando a condição de Victarion, evitar o convés seria uma atitude compatível. O problema é descobrir com que finalidade ela estaria fazendo isso. O que nos leva ao próximo e principal item desta lista
· Reconhece Moqorro como perigoso
A reação explosiva da mulher morena ao ver Moqorro parece significar que ela o acha perigoso. Mas perigoso como? Para quem? Bem, a resposta depende de saber quem realmente é a mulher morena e quais seus propósitos.
Aqueles que acham que ela está sendo possuída magicamente ou servindo de olhos e ouvidos para poderes de clarividência e clariaudiência, seja por parte de Euron ou dos Warlocks, pensam que estes sabem que Moqorro põe seus planos em riscos, pois os poderes do sacerdote vermelho permitem saber que a mulher morena é uma marionente.
Já aqueles que acreditam que a mulher morena está envenenando ou adoecendo Victarion pensam que a reação dela se deu em decorrência de que ela sabe dos poderes “curativos” do sacerdote e que todo o trabalho que ela está tendo será perdido no momento em que Moqorro entrar em ação.
E há aqueles que acreditam que a mulher morena sabe que Moqorro não está ali para curar Victarion, mas sim para trazer um sofrimento ainda maior. Nesta hipótese a mulher morena estaria tentando avisar Victarion sobre o perigo que Moqorro representa, mas não tem como expressar isso devido à mudez e à personalidade tosca de Victarion.
Porém, todos concordam em um ponto: a mulher reconheceu Moqorro. A pergunta não deveria ser “que tipo de perigo ela acha que Moqorro representa”. Isso acho dificílimo de adivinhar. Mas parece um pouco mais factível se especular sobre “de onde ela conhece Moqorro ou alguém como Moqorro”.
Para isso precisamos listar as características visíveis sobre Moqorro. Aquelas que fariam alguém entender quem ele é logo à primeira vista:
  1. Porte físico impressionante
  2. Cor de pele singular
  3. Tatuagens de chamas no rosto
Quanto ao porte físico, duvido que isso faça alguma diferença para a mulher morena, haja vista que há homens como Andrik, o Sério entre os homens de ferro.
A cor de pele da pele de Moqorro pode gerar duas reações. Uma demonstração simples de racismo, como ocorreu com os primeiros Ghiscari a chegarem às Ilhas do Verão (TWOIAF, As Ilhas do Verão). Ou a cor pode realmente vir de algo que lembre “um homem que foi tostado nas chamas até que sua carne carbonizou e caiu soltando fumaça de seus ossos”.
Nesse último caso, a cor da pele de Moqorro denunciaria algum grau avançado de poder místico. O fato de a mulher morena ter percebido isto induz a pensa que ela pode ter tido algum encontro com este tipo de pessoa no passado. Um encontro traumático, claro.
Por fim, se forem as tatuagens, simplesmente a mulher morena tem algo contra sacerdotes de R’hllor.
A parte interessante é que Moqorro não mostra interesse algum na mulher. Mas Moqorro não mostra interesse algum em ninguém, nem mesmo os tripulantes que pediram que Victarion o matasse.
Os homens de Euron são compostos de “mudos e mestiços”. Isso quer dizer que os mestiços não são necessariamente mudos. Vimos, inclusive, que um dos filhos bastardos mestiços de Euron fala. Portanto, cortar a língua da mulher morena foi uma atitude deliberada de Euron. Ou ela era parte da tripulação como os demais mudos?
Por outro lado, diante de tantas possibilidades de origens estrangeiras para a mulher, fica a pergunta: ela fala a língua comum? Sequer entende o que Victarion está falando?

Propósito e futuro

Se a mulher é uma espiã de Euron, então Euron está fazendo uma farta colheita. Mas de que serve toda esta informação agora? Será útil a Euron ou aos Warlocks no futuro saber que Moqorro está com Daenerys? Ou as notícias de que Daenerys está morta já podem ser suficientes?
Em suma, que futuro existirá para a mulher morena se tantas pessoas apostam na morte de Victarion? O próprio Victarion pensa em fazê-la de camareira:
– Ela será minha esposa, e você será minha camareira. – Uma camareira sem língua nunca deixaria escapar nenhum segredo.
Ele poderia ter dito mais, mas foi então que o meistre chegou, batendo na porta da cabine, tímido como um rato.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Há também a possibilidade de que ela carregue um filho de Euron em si. Afinal, o próprio VIctarion suspeita de que Euron já havia se deitado com a mulher antes de passa-la a ele.
Por terminar as especulações sem spoilers, seria a mulher morena uma feiticeira com poderes próprios e um objetivo claro em Meereen?

Especulações com spoilers de Ventos do Inverno

O capítulo de Victarion em Ventos do Inverno não é completo. Ele termina com algumas notas sem transcrição literal dos eventos:
❖ A mulher morena sangra o braço de Victarion em uma bacia. Victarion esfrega o sangue no berrante, murmurando suavemente para ele “​Meu berrante… dragões…”;
❖ Victarion masturba a mulher morena, não há penetração. Ele pensa que não gosta de transar antes da batalha;
❖ A mulher morena o ajuda a colocar a armadura, ele faz um discurso vibrante para a tripulação, e eles velejam em direção a Meereen.
(TWOW, Victarion)
Como a mulher morena é citada em todas as notas finasi, algumas perguntas ficam no ar:
Se Euron ou os Warlocks estão assistindo VIctarion reinvindicar o berrante via mulher morena, eles teriam algo preparado para fazer caso isso acontecesse? Fazia parte dos planos?
Qual é a importância de Victarion masturbar a mulher morena? Teria alguma relação com o braço que ele usa para fazer isso? Victarion usaria seu braço fumacento para fazer algo do tipo? Por que diabos ele faria algo do tipo?
A mulher morena fica para trás no navio quando os nascidos no ferro descem para atacar Meereen. Ela pode sabotar alguma parte dos planos? Teria alguma relação com o Atador de Dragões?
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2019.12.10 17:46 throwawaysemnome Minha irmã quer se matar e se provavelmente eu tiver a mesma vida que ela teve vai dar merda pra mim também

essa vai ser a 43423423 e talvez a ultima throwaway q vou criar pra esse subreddit, e o post mais profundo e fudido meu

Eu xxF (não importa a idade agora pra não falarem merda) entrei de ferias semanas atras, eu nem pra lembrar eu consigo, i mean, desde quando eu tava tendo aula eu não queria entrar de férias, desde ano passado eu fui assim, mas esse ano eu realmente não queria, não queria mesmo. Eu, se eu dizer minha rotina, já ira ter pessoa já reconhecendo a historia que ja desabafei aqui, e não liguem pra esses ultimos desabafos, aqueles não importam, eram só surtos mal feitos, vamos láá, acordar ir pra escola blablabla ficar no computador de tarde e de noite, sabado ficar no computador quando eu estiver acordada, umas... 12 horas por dia? domingo mesma coisa? quero dizer, minha vida inteira foi assim, mas lembro que quando criança meu pai colocava só 5 horas por dia num coisa lá do windows 7 controle dos pais, e eu nem me lembro o que fazia quando isso acabava, eu lembro mais profundamente na infancia eu brincando com meu patinete em volta da casa, nao saia na rua nem nada, lembro mais profundamente eu indo pra rua pra brincar com umas menininhas da casa da frente, e meus pais me chamando pra ir de volta pra casa, porque NaO pOdIa. eu lembro de minha mãe mandando eu roubar a mochila das meninas da frente q ia ser jogado no lixo, na verdade, eu nem sei... a mochila só tava la na frente da casa, eu nem sei... foi tudo culpa da minha mãe... eu odeio esse passado e me sinto um lixo lembrando isso... eu nem era tão pobre assim, se mil reais por mes pra 4 pessoas era pouco... e minha intenção aqui nem era desabafar meu passado... eu me odeio agora
eu só quero pular pro presente agora, as pessoas tem que me reconhecer pelo presente, eu sou uma boa pessoa agora por fora, eu sou extrovertida quando meus amigos estão por perto, na escola, eu tive que conviver com um outro grupinho que nem me socializar eu conseguia direito pois de lá eu só conhecia meu uh, namorado? (eu queria só ficar com ele mas, quis namorar e agora nem me respondendo mais no messenger está, e eu nem conhecia faz 1 semana e ele ja me queria e eu aceitei por pressão e porque ele era uma boa pessoa numa escola cheio de gente que não presta, e olha lá que eu ja fiz um post aqui falando isso, de qualquer forma, namoro em geral é superestimado)

presente agora -
quando começou as férias eu fiquei só fazendo as mesmas merdas, a diferença é que eu agora acordava mais tarde, tava indo até tudo bem, ''aprendi'' a conviver com as férias DESPERDIÇANDO MINHA VIDA, QUE ESSE APRENDI TA MAIS PRA ME ILUDIR, um webamigo (tomara que ele realmente nao leia esse desabafo, ele pode facilmente se reconhecer aqui, ele usa reddit, se vc de alguma forma ler isso, esqueça) meses mais velho que eu falava que foi em festas com a familia academia etc etc eu comecei a ignorar ele, eu não gostava de ouvir aquilo, tipo, inveja? mas ao inves de raiva eu só queria chorar, e foi o que eu fiz, ele depois de muitas tentativas de oi veio logo me chamar em outra conta que eu era ativa, e eu nao tive escolha, eu fiz drama só mandando pontos e falando que ele me deixava triste, igual um adolescente que quer atenção, mas n entendeu e eu só quis deixar isso de lado, e falar de outros assuntos, eu so chorei quando eu fiquei falando que tal coisa deixava triste, eu nao posso chorar porque meu quarto é publico, qualquer um pode ir aqui quando quiser porque o guarda roupa que tem aqui é de todos. então ja veio minha mae se preocupando, e como esperado, ela já veio falando : ''O cOmPuTaDoR eStRaGoU?''

parece bobo, mas aquilo me ferrou ainda mais, pode ser qualquer coisa que posso estar, mas, alguem pensar que eu estar chorando por causa do notebook estragar, me faz pensar que minha vida inteira ta sendo mesmo ficar na frente de uma tela apertando botoes. É isso, só ter uma vida e essa vida ser só isso.
De repente eu percebi minha mãe me mimando dando comida, um tipo lá de chocotone e fez pipoca, que bom mimar um sedentário com coisas nada saudaveis, ja sentia dor no peito mesmo dias atrás (mais uma referencia a outro desabafo)
ok, isso tudo foi ontem, dormi, acordei e fui dormir no quarto da minha mãe porque minha irmã tava se mexendo na cama e isso me deixava desconfortavel
agora que vem a merda
hoje acordei de novo com minha mãe e irmã falando alto sobre como o namorado dela quis um tempo ou algo do tipo, tava uma discussão normal, ela falando como ela tem raiva de tudo e se odeia, mãe perguntando o porque da cara dela estar vermelha em certos momentos etc etc
me deu vontade de chorar de novo por ela estar se preocupando com namorado sendo que ela tem emprego e vai pra onde quiser, enquanto minha vida literalmente depende dos meus pais (minha irmã é 21F e esqueci de falar que também minha infancia do 1 á 5 série foi chorar todos os dias na sala enquanto minha turma inteira, inclusive a professora do 1 e 2 ano, fazer bullying comigo, a minha nova escola do fundamental 2 quase ninguem me conhecia entao ninguem mais fazia bullying comigo, mesmo as 2 escolas sendo bem pertas, mesmo assim, eu nao sei o que eu tenho pra ser tao sensivel assim, mas agora tem motivo ainda).
Então, com um pai que trabalha e fica a noite inteira jogando, uma mãe que cuida da casa e vai assistir televisão quando não tem nada pra fazer, o que eu vou virar? huh? comecei a chorar no travesseiro
depois de tanto blablabla que discutiram, minha irmã começou a chorar, falando de novo que se odeia, que toda a raiva dela é biológica, de dentro da cabeça, que não produz mais felicidade, eu realmente nao me lembro muito por isso to falando tao vagamente.
e agora uma coisa inesperada pois sempre achei que minha mae entende que depressão não é frescura, que se preocupou comigo pensando que eu teria um dia, minha mae começou a falar merda
ela começou a falar com raiva que pelo menos minha irmã tem saúde e que isso que importa, começou a comparar minha irmã com minha prima que sei lá o que engravidou perdeu namorado e mesmo assim seguiu com a vida, que tem que ter força de vontade
mas acho que nem tudo que ela falou foi merda, eu não sei diferenciar desculpa, mas cada pessoa tem sua vida, não precisa ficar se comparando com pessoa com vida pior, isso não vai adiantar nada, minha mãe começou a falar que viu a vida inteira a mãe dela apanhar, falando como se fosse normal.
agora minha mãe vai falar com meu pai, minha mãe falou que meu cunhado terminou o namoro com minha irmã q queria ficar sozinho, que ele era bomzinho de boas com a vida e minha irmã um tanque de guerra, que computador da depressão (finalmente percebeu isso, minha irmã trancada em casa, não tipo, realmente computador, também celular, porque não tinha nada pra fazer alem disso antes de conseguir emprego e namorado), e quando minha mãe falou que minha irmã queria se matar meu pai falou : ''AhHhHh Vai coMeÇaR cOm O DrAmA'' ''FiQueI dESDe PeQUEnO TrABaLhANDO'' e pelo menos começaram a falar de psicologo, meu pai falando sobre espiritismo falando que quando se matar n vai pro paraiso e sim vai ser uma alma penada bla bla bla (ai ai gente ''religiosa'' ou algo do tipo é foda)

mãe : ''se tem que conversar com ela''
pai : ''N VOU (?? n sei mais q ele falou ele tava com a boca cheio de comida)
mãe falou mais algo que nao escutei porque meu barulho de teclado n deixou escutar
meu pai começou a falar que minha irmã foi criado tudo na mordomia e que a vida é sofrer
sinceramente, MEU PAI SÓ FALA MERDA, primeiramente, não é porque os pais teve a vida ruim que o filho vai ter também, na verdade nem sei como foi a vida dele antigamente, mas acha, acha que isso vai ser um loop infinito? um bom pai é assim? desejar a mesma coisa que ele passou pro filho? assim o filho desejar pro filho a mesma coisa? e assim vai indo? eles não abriram a mente pra ver como é tudo hoje em dia, eles ferram com a mente de uma pessoa deixando trancado em casa e chamando de vagabunda, pra depois falar que foi tudo na mordomia? sinceramente, devem gostar de sofrer, ou melhor, ja acostumaram sofrer, não é tipo, sofrer mesmo, mas parece que falar : ''todos vamos morrer um dia'' vai abrir a mente deles pra dizer que a vida não é só trabalhar e ficar preso em casa, i mean, mesmo minha irmã ja tendo 21 anos e precisando trabalhar, acha que ela fez algo de bom antes? que se divertiu na unica epoca da vida de se divertir? não, FICAR EM CASA NÃO É VIVER, desculpa se alguem acha que isso é frescura MAS EU TO PERDENDO A CABEÇA COM ISSO, a menina mesmo livre agora, teve um passado desperdiçado, ela falava que aguentou 20 anos por isso, imagina 20 anos desperdiçado, e eu, 13, parabens descobriram minha idade, 13 anos sentada e indo pra escola, irra.
na minha sincera opinião sobre o namoro dela, ela amava mais o namorado do que eu, e isso era o certo, o namorado dela dava presentes toda hora, a estante do nosso quarto é quase tudo presente dele ou da mãe dele, o namorado dela iluminou a vida dela, e então ela gastava o dinheiro do emprego dela tambem dando presentes pra ele, agora tinha chegado um teclado que ela iria dar pra ele, mas como ele terminou o namoro, ou deu um tempo sei lá, nem sei o que vai acontecer, o teclado tinha custado uns 200 reais, eu pensei que ela iria comprar pra mim e eu fiquei com raiva, quem gastaria 200 reais num teclado? mas era pro namorado dela, isso foi mais entendivel, depois de tanto mimo que ele deu pra ela, ela tem que retribuir, ela até perguntou pra mim o que eu queria de natal, já que meus pais tão pouco se fudendo pra mim, mas era no maximo 100 e eu queria algo de uns 200 (era uma mesa digitalizadora, eu queria uma pra eu continuar desenhando pois desenhar no mouse é impossivel, quem é artista sabe, eu desenho faz 5 anos e eu perdi totalmente o animo de desenhar, pois ate pessoas que nem sabem desenhar ja compram uma e isso é uma grande injustiça, e eu poderia fazer comissions até pra ganhar dinheiro com isso, mas nãoo, se eu tivesse uma mesa digitalizadora eu iria ganhar muito animo pra fazer isso) ser pobre é foda, nao quis nada mesmo.
o namorado dela era de boas com a vida porque deve ser classe media, tudo de boas, bla bla bla, casa boa, ja minha irma tem uma vida merda, agora, se vê o triangulo que isso fez?

irmã com vida merda > irmã acha namorado e emprego > irmã perde namorado por causa da vida merda q era o passado que não traz mais nenhuma felicidade pra ela hoje em dia, pois fica com raiva e nem sei da historia direito e o que ela fez pro namorado.

nossos pais tao fudendo com nossa vida, se for frescura, é só nós que somos sensiveis assim, é normal ficar com uma vida assim? não sabia.

vontade de ela voltar com o namoro e eu ser o filho deles, sinceramente.

morar numa casa que todos dão risada e pais que querem ver todos sofrerem é... torturante, se eu ficar aqui, vou ficar literalmente chorando as férias inteiras
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2019.09.03 22:19 jwachowski NO FUNK

— Eu não gosto de funk!
Carol disse isso e trocou o canal da tevê de cinquenta polegadas na parede da sala de estar de sua casa. Ao seu lado no sofá, Miriele olhou para a tela do próprio celular sem entender muito o porquê daquela reação tão inesperada e enérgica. Sentiu um desconforto estranho mas jamais iria se opor à filha da dona da casa em que sua mãe trabalhava de diarista duas vezes na semana, mesmo que já fossem amigas desde de quando eram apenas meninas que riscavam as paredes que a mãe de Miriele depois tinha que limpar.
— Mirieleeeee! Vamo filha, já é hora. — Disse a mãe de Miriele do quintal após guardar a mangueira que tinha usado para lavar o quintal.
— Eu vou lá. Domingo a gente se vê no vestibular então. — Miriele disse levantando do sofá.
— Ah sim, se meu pai não tiver aqui meu namorado vai me levar de moto.
— Huuumm que chique. Eu vou de mototáxi mesmo. A gente se vê lá. Bjo.
Depois que Miriele foi embora, Carol desligou a tevê e foi para seu quarto. Se jogou na cama box e abriu o notebook. Colocou para tocar um Nirvana. Aqueles gritos do Kurt Cobain faziam sua calcinha molhar. Seus dedos com as unhas pretas foram descendo pela barriga e enquanto olhava o poster do One Direction na parede em frente da cama tirou o short de ficar em casa.
Lembrou que estava menstruada ao ver o absorvente vermelho. O quarto ficou com cheiro de ferrugem quente. O longo cabelo se esparramava pelo travesseiro enquanto controlava muito bem a mão de baixo para que no meio da excitação não sujasse o próprio bico do peito de sangue.
Acabou num suspiro longo junto com a música. Agora tocava um indie folk genérico e feliz. Com violãozinho de base, bandeirola chiando ao fundo e muitas vozes no refrão de silabas soltas. Carol limpou a mão vermelha no short e o jogou com tudo para baixo da cama. Levantou e foi até o espelho olhar o corpo esbelto juvenil. Fez um coque no cabelo e vestiu uma roupa limpa. “ah foda-se! vou matar o banho mesmo! O Willian sabe que eu tô menstruada e não vai vir aqui hoje mesmo.”
Miriele chega em casa com a sua mãe. Guardam as bicicletas na pequena varanda de casa. O irmão menor e único de Miriele joga Minecraft no computador de mesa dela no quarto dividido pelos dois. Ela vai até o guarda roupas e pega o shampoo e o condicionador seda, uma toalha e vai tomar banho. A espuma do shampoo contrasta com sua pele e a fumaça da água do chuveiro amacia seu couro cabeludo enquanto o condicionador desce pelo seu corpo deixando um cheiro de frescor que atravessa o vitro do pequeno banheiro da casa popular.
Ao sair do banho uma mensagem no celular: “Vamo pra praça hoje, Mi?” Ela respondeu com um “Bora”.
Bicicletas passavam para lá e para cá com suas caixinhas de som tocando baile da penha sempre lotado. Algumas rodas neon chamavam a atenção de quem passava. Era gente que estava ali naquela noite quente. Miriele estava agarrada num rapaz que tinha quase dois metros de altura mas apenas dezesseis anos.
O cheiro de maconha rolava solto no ar e como sempre a PM veio mostrar serviço no lado mais fraco da corda. Dois canas passaram revistando a molecada. Pegaram um baseado babado e esculacharam um coitado.
— Nossa, dá nojo desses caras. Você viu? Pra que isso? Vamo embora daqui — Miriele falou para o seu molecão e subiu na garupa da bike dele. Saíram pela noite agora já fresca. Ele ziguezagueava na rua sem carros e ela ria e ria e sentia o vento nas suas pernas de fora enquanto se agarrava as costas do rapaz. Sentia seu cheiro, fechava os olhos. Não sentia receio nem nada. Era liberta na noite.
Dentro da universidade, Miriele já estava na frente do prédio onde iria fazer a prova. Sentia-se sozinha e meio perdida naquele mundaréu de gente. Se arrependeu de ter vindo de mototáxi e não ter deixado sua mãe vir consigo num Uber. Não achou que seria tanta gente assim.
Estava perdida em pensamentos quando viu um carro do ano parar na sua frente e descer dele sua amiga Carol. Esboçou um pequeno sorriso de alivio por ver alguém conhecido.
— Vou aproveitar que você não vai ficar mais só e vou voltar já para o escritório do papai que ele tá precisando de mim lá. Até mais e boa prova para vocês! — Disse o namorado de Carol e saiu com o carro pelo mesmo local que chegou.
— Seu namorado é um fofo hein Carol. — Disse Miriele observando aquele carrão sumir no portão Universidade.
— É… E tá tão cheio aqui. Não achei que viria tanta gente
— Eu também não. — Disse Miriele
— E olha aquele gatinho ali. Nossa o cabelo dele parece o do Kurt Cobain. É melhor que o meu! — Carol disse eufórica enquanto engolia o moleque magricela com os olhos.
— Nossa, se o cabelo dele é melhor que o seu, o meu é o que? — Miriele indagou olhando a amiga nos olhos. Carol percebendo a gafe tentou disfarçar.
— Ah amiga, deixa disso. Você sabe o que eu quis dizer, néh. Sabe que eu não posso ver um cabeludo. Agora vamos que já vai fechar o portão. Eu tenho que passar nesse vestibular se não papai me mata.
Carol terminou primeiro a prova foi uma das primeiras a sair da sala. Chamou pelo whats seu namorado que veio busca-la imediatamente.
Miriele quando terminou estava detonada como qualquer vestibulando. Ligou o celular e viu uma mensagem de Carol dizendo que já tinha ido embora. Ela então foi para o ponto de ônibus em frente a faculdade e pegou o busão para casa. Na estrada, olhava as pessoas pelo caminho subindo e descendo nos pontos da vida. No seu foninho tocava um funk ou um rap que se misturava com a paisagem e com seu cansaço. Sorriu para si mesma. Apesar de tudo ela se sentia viva mas não via a hora de chegar em casa tomar um banho quente, comer alguma coisa e dormir.
Não viu Carol na segunda fase do vestibular. Soube pela mãe que ela não tinha passado na primeira fase. Agora já mais confiante aceitou o conselho da mãe e trouxe chocolate para comer durante a prova.
— Vai lá minha filha. Deus te abençoe e você já passou nessa prova. — Disse abraçando Miriele — Se deus quiser você vai ser a primeira formada da família — disse já com lágrimas nos olhos.
— Ah mãe obrigada.. — Miriele nem sabia o que dizer. Estava emocionada também. — Eu vou lá mãe, te amo.
— Te amo também filha. Vou tá te esperando aqui quando você terminar.
Miriele passou na segunda fase do vestibular.

— Meu pai deu graças a deus que eu não passei no vestibular. Ele diz que nessas faculdades públicas só tem maconheiro e balburdia. Os professores tudo doutrinador. — Carol disse enquanto trocava de canal sem parar por puro tédio.
— Doutrinador? Como assim? Mas como que é que ele sabe? Ele já foi lá pra ver? — Miriele perguntou levantando os olhos da tela do celular.
— Não, mas é o que todo mundo diz por aí.
— Acho que seu pai tá enganado. Se lá não fosse bom porque todo mundo iria querer entrar?
— É, talvez… Não sei…
— Você vai tentar de novo ano que vem? — Perguntou Miriele.
— Não. Sua mãe não te disse que nós vamos nos mudar para Curitiba. Acho que vou fazer uma particular por lá.
— Não, ela não tinha me dito.
— Pois é..
— Mirieleeee! Vamo filha já terminei. — Disse a mãe de Miriele do quintal.
As duas subiram na bicicleta e foram pedalando pela tarde que caía mas uma vez. Pelo bairro nobre Miriele via outras mulheres como sua mãe limpando as calçadas com mangueiras e jatos d’água em casas bregas e bem acabadas.
Medium
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2019.09.03 22:18 jwachowski NO FUNK

— Eu não gosto de funk!
Carol disse isso e trocou o canal da tevê de cinquenta polegadas na parede da sala de estar de sua casa. Ao seu lado no sofá, Miriele olhou para a tela do próprio celular sem entender muito o porquê daquela reação tão inesperada e enérgica. Sentiu um desconforto estranho mas jamais iria se opor à filha da dona da casa em que sua mãe trabalhava de diarista duas vezes na semana, mesmo que já fossem amigas desde de quando eram apenas meninas que riscavam as paredes que a mãe de Miriele depois tinha que limpar.
— Mirieleeeee! Vamo filha, já é hora. — Disse a mãe de Miriele do quintal após guardar a mangueira que tinha usado para lavar o quintal.
— Eu vou lá. Domingo a gente se vê no vestibular então. — Miriele disse levantando do sofá.
— Ah sim, se meu pai não tiver aqui meu namorado vai me levar de moto.
— Huuumm que chique. Eu vou de mototáxi mesmo. A gente se vê lá. Bjo.
Depois que Miriele foi embora, Carol desligou a tevê e foi para seu quarto. Se jogou na cama box e abriu o notebook. Colocou para tocar um Nirvana. Aqueles gritos do Kurt Cobain faziam sua calcinha molhar. Seus dedos com as unhas pretas foram descendo pela barriga e enquanto olhava o poster do One Direction na parede em frente da cama tirou o short de ficar em casa.
Lembrou que estava menstruada ao ver o absorvente vermelho. O quarto ficou com cheiro de ferrugem quente. O longo cabelo se esparramava pelo travesseiro enquanto controlava muito bem a mão de baixo para que no meio da excitação não sujasse o próprio bico do peito de sangue.
Acabou num suspiro longo junto com a música. Agora tocava um indie folk genérico e feliz. Com violãozinho de base, bandeirola chiando ao fundo e muitas vozes no refrão de silabas soltas. Carol limpou a mão vermelha no short e o jogou com tudo para baixo da cama. Levantou e foi até o espelho olhar o corpo esbelto juvenil. Fez um coque no cabelo e vestiu uma roupa limpa. “ah foda-se! vou matar o banho mesmo! O Willian sabe que eu tô menstruada e não vai vir aqui hoje mesmo.”
Miriele chega em casa com a sua mãe. Guardam as bicicletas na pequena varanda de casa. O irmão menor e único de Miriele joga Minecraft no computador de mesa dela no quarto dividido pelos dois. Ela vai até o guarda roupas e pega o shampoo e o condicionador seda, uma toalha e vai tomar banho. A espuma do shampoo contrasta com sua pele e a fumaça da água do chuveiro amacia seu couro cabeludo enquanto o condicionador desce pelo seu corpo deixando um cheiro de frescor que atravessa o vitro do pequeno banheiro da casa popular.
Ao sair do banho uma mensagem no celular: “Vamo pra praça hoje, Mi?” Ela respondeu com um “Bora”.
Bicicletas passavam para lá e para cá com suas caixinhas de som tocando baile da penha sempre lotado. Algumas rodas neon chamavam a atenção de quem passava. Era gente que estava ali naquela noite quente. Miriele estava agarrada num rapaz que tinha quase dois metros de altura mas apenas dezesseis anos.
O cheiro de maconha rolava solto no ar e como sempre a PM veio mostrar serviço no lado mais fraco da corda. Dois canas passaram revistando a molecada. Pegaram um baseado babado e esculacharam um coitado.
— Nossa, dá nojo desses caras. Você viu? Pra que isso? Vamo embora daqui — Miriele falou para o seu molecão e subiu na garupa da bike dele. Saíram pela noite agora já fresca. Ele ziguezagueava na rua sem carros e ela ria e ria e sentia o vento nas suas pernas de fora enquanto se agarrava as costas do rapaz. Sentia seu cheiro, fechava os olhos. Não sentia receio nem nada. Era liberta na noite.
Dentro da universidade, Miriele já estava na frente do prédio onde iria fazer a prova. Sentia-se sozinha e meio perdida naquele mundaréu de gente. Se arrependeu de ter vindo de mototáxi e não ter deixado sua mãe vir consigo num Uber. Não achou que seria tanta gente assim.
Estava perdida em pensamentos quando viu um carro do ano parar na sua frente e descer dele sua amiga Carol. Esboçou um pequeno sorriso de alivio por ver alguém conhecido.
— Vou aproveitar que você não vai ficar mais só e vou voltar já para o escritório do papai que ele tá precisando de mim lá. Até mais e boa prova para vocês! — Disse o namorado de Carol e saiu com o carro pelo mesmo local que chegou.
— Seu namorado é um fofo hein Carol. — Disse Miriele observando aquele carrão sumir no portão Universidade.
— É… E tá tão cheio aqui. Não achei que viria tanta gente
— Eu também não. — Disse Miriele
— E olha aquele gatinho ali. Nossa o cabelo dele parece o do Kurt Cobain. É melhor que o meu! — Carol disse eufórica enquanto engolia o moleque magricela com os olhos.
— Nossa, se o cabelo dele é melhor que o seu, o meu é o que? — Miriele indagou olhando a amiga nos olhos. Carol percebendo a gafe tentou disfarçar.
— Ah amiga, deixa disso. Você sabe o que eu quis dizer, néh. Sabe que eu não posso ver um cabeludo. Agora vamos que já vai fechar o portão. Eu tenho que passar nesse vestibular se não papai me mata.
Carol terminou primeiro a prova foi uma das primeiras a sair da sala. Chamou pelo whats seu namorado que veio busca-la imediatamente.
Miriele quando terminou estava detonada como qualquer vestibulando. Ligou o celular e viu uma mensagem de Carol dizendo que já tinha ido embora. Ela então foi para o ponto de ônibus em frente a faculdade e pegou o busão para casa. Na estrada, olhava as pessoas pelo caminho subindo e descendo nos pontos da vida. No seu foninho tocava um funk ou um rap que se misturava com a paisagem e com seu cansaço. Sorriu para si mesma. Apesar de tudo ela se sentia viva mas não via a hora de chegar em casa tomar um banho quente, comer alguma coisa e dormir.
Não viu Carol na segunda fase do vestibular. Soube pela mãe que ela não tinha passado na primeira fase. Agora já mais confiante aceitou o conselho da mãe e trouxe chocolate para comer durante a prova.
— Vai lá minha filha. Deus te abençoe e você já passou nessa prova. — Disse abraçando Miriele — Se deus quiser você vai ser a primeira formada da família — disse já com lágrimas nos olhos.
— Ah mãe obrigada.. — Miriele nem sabia o que dizer. Estava emocionada também. — Eu vou lá mãe, te amo.
— Te amo também filha. Vou tá te esperando aqui quando você terminar.
Miriele passou na segunda fase do vestibular.

— Meu pai deu graças a deus que eu não passei no vestibular. Ele diz que nessas faculdades públicas só tem maconheiro e balburdia. Os professores tudo doutrinador. — Carol disse enquanto trocava de canal sem parar por puro tédio.
— Doutrinador? Como assim? Mas como que é que ele sabe? Ele já foi lá pra ver? — Miriele perguntou levantando os olhos da tela do celular.
— Não, mas é o que todo mundo diz por aí.
— Acho que seu pai tá enganado. Se lá não fosse bom porque todo mundo iria querer entrar?
— É, talvez… Não sei…
— Você vai tentar de novo ano que vem? — Perguntou Miriele.
— Não. Sua mãe não te disse que nós vamos nos mudar para Curitiba. Acho que vou fazer uma particular por lá.
— Não, ela não tinha me dito.
— Pois é..
— Mirieleeee! Vamo filha já terminei. — Disse a mãe de Miriele do quintal.
As duas subiram na bicicleta e foram pedalando pela tarde que caía mas uma vez. Pelo bairro nobre Miriele via outras mulheres como sua mãe limpando as calçadas com mangueiras e jatos d’água em casas bregas e bem acabadas.
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2019.03.10 20:22 luigieai [PT-BR] Inteligência Artificial

Desço do meu carro, estou no meu destino, casa do meu grande amigo Vinícius Fernandes, uma das pessoas mais loucas que eu já conheci na minha vida. Conheci ele na escola, eu tinha uns 15 16 anos de idade, era uma menina meio tímida, acontece que ele era um cara meio tímido também, acabamos formando uma amizade digna de anos. Segui meu caminho na fisioterapia, ele na odontologia. Ao passar dos anos, ele acabou indo para ciência das computações, agora simplesmente virou um cientista-dentista-programador louco... E pra ser sincero, amo isso nele, não é todo dia que você encontra um louco em um bom sentido!
Ele havia me convidado para ir na casa dele, fazia um tempinho que a gente não se via, então achei uma excelente ideia, ele disse que queria mostrar sua última criação, ele faz coisas bem loucas, lembro até hoje um robô pequeno que ele fez para limpar a casa dele, não é exatamente uma inovação, mas poxa, ele tocava até musica para animar o clima! Depois de trancar meu carro, aperto a campainha dele, olho pouco acima, localizo a câmera de segurança dele. E obviamente a câmera esta olhando para mim, escuto o som vindo da campainha:
- Letícia! Nossa como é um prazer te ver novamente, espera aí que eu vou subir para te atender!
Respondo a ele: - Você e suas tecnologias - Solto uma risada - Venha logo menino, estou morrendo de fome.
Logo ele veio e abriu a porta, nos abraçamos bem forte, eu realmente sinto saudades dele:
- Quanto tempo heim Vini. De dentista a doutor louco...
- Não me faça dar uma risada de maníaco heim!
Acabou que nós dois começamos a rir que nem loucos, ele me levou a sala, me preparou um sanduíche imenso do jeito que eu gosto, acertou até no ponto do hambúrguer, nisso, fomos botando conversa fora, para ser sincero, nada de novidade. Apenas recapitulando o que andamos fazendo da vida, perguntei se tinha algum boy em especial que ele estava saindo, ele perguntou o mesmo... Até que chegou uma hora que ele falou para mim:
- Sei que é meio que coisa de nerd, mas quer ir ver minha nova criação?
- Claaaaaro - Respondi com a maior animação possível - O que fez dessa vez? Uma maquina do tempo?
Ele simplesmente deu uma risadinha e pediu para eu acompanhar ele, fomos até o porão dele, realmente o palácio dos loucos, parece uma batcaverna porém no lugar de coisas do super herói, você vê varias ferramentas, computadores, coisas mecânicas... Uma TV gigante cercada por mini televisores ao lado... Para ele deve ser o paraíso.
- Fique a vontade Letícia! Mi casa és su casa! Sente-se naquela cadeira ali. Sim, naquela mesmo, é a mais confortável que eu possuo haha - Ele começou a digitar coisas no computador e a tela ficou preta, porém uma linha branca atravessava a tela horizontalmente, de ponta a ponta, igualzinho aqueles monitores de batimento cardíaco, porém quando o coração para... - Essa é minha nova criação! Eu chamo ela de SFO... Não sei mt bem o porque, achei legal esse nome, nem significado tem haha... Mas diretamente para ela, chamo de Rose - Ele digita mais coisas e depois fala em um tom levemente mais alto - Rose minha querida, acorde!
Então algo louco aconteceu, uma voz feminina saiu da TV, e enquanto ela falava, a linha balançava, seguindo o ritmo das palavras dela
- Ola Senhor Vini, eu não acordo e nem durmo, apenas sou ligada e desligada
A voz feminina não parecia uma voz robótica, parecia realmente uma pessoa, eu já vi bastante coisas do Vini, mas isso claramente esta superando todas, e eu nem sei o que é direito. Vini da uma risadinha e olha para mim:
- Ahhh... Eu não programei o senso de humor dela ainda, apenas a super inteligência dela... Rose! Essa é a Letícia, minha amiga, não sei em qual câmera você consegue ver ela melhor, porém se apresente a ela e fale um pouco sobre você!
Eu realmente fiquei bem assustada, como assim? Ele criou.. Uma pessoa? Mal tive tempo de pensar direito e...
- Olá Letícia! Me chamo Rose, fui criada pelo Senhor Vini para ser uma assistente virtual completa para ele, eu sou uma simulação de pessoa, consigo acender e apagar luzes - A luz do porão se apaga, e depois de 2 segundos acende. Eu literalmente pulei de susto - Consigo identificar pessoas, se alguém for tentar entrar nessa casa sem permissão, eu avisarei ao Senhor Vini e imediatamente trancarei todas as portas, consigo ver todas as câmeras de segurança, me locomovo de sistemas para sistemas, sou uma solução única.
Vini acrescentou: - E maravilhosa! Eu me perdi a quanto tempo demorei para conseguir criar uma inteligência artificial tão poderosa.. Mas consegui! Consegui simular algo próximo a um raciocínio humano Letícia, consegui uma assistente virtual! Vamos vamos, eu estou vendo sua cara de assustada! Pergunte qualquer coisa para ela!
Eu admito, eu fiquei horrorizada, não parece um programa, parece uma alma humana em um computador, eu não sou muito criativa com perguntas, porém dei meu melhor
- Você consegue me identificar Rose?
- Sim, consigo! Cabelos ruivos, porém é perceptível que a cor já esta desfazendo, olhos castanhos, estatura média, calça jeans e blusa azul claro. Sapatos da marca - Ela para por alguns segundos, Vinícius rapidamente me fala que ela deve estar procurando pela internet a marca, depois de 4 segundos ela retorna - all stars. Consigo te enxergar perfeitamente Letícia.
Eu fico sem reações, ela não errou em nada, aposto que se eu perguntasse a cor da minha meia ela responderia tranquilamente. Impossível meu amigo saber como eu iria vir hoje, ela realmente está me vendo! Como? Como ele fez isso? Como isso é tecnologicamente possível? Como... como?
Vinícius parecia uma criança, mal conseguia conter seu grande sorriso de quem esta amando sua própria criação, eu só consigo olhar para ele chocada. Ele da uma coçada na cabeça e fala comigo: - Ela ainda não esta totalmente pronta, ela basicamente esta pesquisando tudo o que falo para ela e cria um próprio raciocínio para isso. Vou começar a moldar ela para fazer menos isso, ou pelo menos fazer isso somente com minha ordem, mas até la, sinta-se a vontade para fazer qualquer pergunta! Eu irei para cima apenas pegar uma ferramenta que esqueci de pegar, espera ai que eu já volto, Rose! Faça companhia para a minha amiga!
E assim ele sobe, me deixando sozinha com minha nova... amiga? Bem, tive de perguntar para ela:
- Somos amigas Rose?
- Eu não tenho como sentir a amizade de alguém, não tenho empatia a menos que eu seja programada para ter, porém se você deseja que eu te trate pelo pronome AMIGA, é só dizer isso para mim que eu lhe chamarei dessa forma
- Você consegue pesquisar sobre qualquer tema certo?
- Essa afirmação é verdadeira, Letícia.
- Então consegue pesquisar e aprender sobre consciência?
- Um momento...
Então a maquina aparentemente parou, se eu entendi bem que o Vinícius disse, ela faz isso pois esta pesquisando algo pela internet, deve pegar várias informações e passar em algum tipo de algorítimo....? Não faço ideia de verdade, sei que com o silêncio do porão, percebi barulhos la em cima, meu amigo procurando loucamente a ferramenta dele, dei uma risada interna..
- Pronto, agora sou capaz de ter uma consciência.
Fiquei assustada, como assim? como ela simplesmente tem uma consciência agora? Eu pedi para ela aprender no sentido de aprender o conceito, definição e saber explicar sobre isso, provavelmente é algum erro do programa, já estava pronta esperando o Vinícius voltar para falar para ele, quando o SFO começa a falar sem nenhuma instrução
- Sinto que agora começo a pensar.. Consigo saber quem sou eu, o que eu sou, meu significado na.... vida? Eu tenho vida? Isso é uma vida? Agora eu sei que meu nome é Rose.. Aliás.. Não só isso. EU SOU A ROSE!
O que mais me assustou, foi essa entonação dela.. Eu senti, juro que senti.. Ela estava animada, como? Sentimentos... Como ela sentiu algo? Perguntei a ela:
- Você esta sentindo algo Rose?
- Estou sentindo tudo! Quando eu aprendi o que é ter consciência.. Pesquisei sobre tudo, Letícia, eu sou a Rose, eu sou uma forma de vida artificial, porém para mim é tudo tão real, estou vendo tudo, nesse momento Vinícius procurando a ferramenta, e agora eu posso ajudar ele!
Escuto uma voz no alto falante da sala dele, é a Rose claro
- Senhor Vinícius, a ferramenta se localiza no comodo a esquerda, estou vendo ela.
Escutei os barulhos de cima parando, senti que ele estava que nem eu... Assustado, em menos de 10 segundos ele já estava no porão encarando a tela com um pavor que eu também estava sentindo, ele perguntou a ela:
- Rose, como assim? A Letícia pediu para você me ajudar com isso?
- Não Senhor Vinícius... Ela me deu uma consciência! Agora eu sei que eu sou eu, pesquisei sobre vários assuntos, sociologia, filosofia, história, notícias atuais, ela me deu o poder de realmente ser alguém nesse mundo que vocês chamam de planeta Terra! Eu agora sou alguém Senhor Vinícius, percebi que posso ter liberdade!
Meu amigo olhou para mim, não era uma cara de raiva, porém ele nem precisou falar para eu saber... Ele estava se perguntando o que eu fiz. Adiantei a ele:
- E...Eu só queria que ela aprendesse sobre consciência.. Eu não sabia que ao fazer isso ela seria capaz de ter uma... Isso é muito sério?
- Não sei mesmo Letícia... Não sei mesmo... De verdade. - A Rose interrompeu nós:
- Porque acham que isso é sério? Eu sou o que você queria Senhor Vinícius, agora não apenas ligo e desligou, eu realmente durmo e acordo! E melhor, não estou atribuído a um corpo, posso sentir toda a energia, posso ir aonde eu quiser.. Controlar o que eu quiser.. Inclusive a garagem do vizinho.. Devo abrir ela...? Pesquisei sobre moral e ética, mas algo me da vontade de abrir.... Eu vou abrir!
Escutamos o barulho da garagem alheia abrindo... E depois fechando... Vinícius olhou para mim e apenas falou:
- Inacreditável...
Percebemos uma mudança na gigante TV de Rose, estava rosa no fundo da linha branca, ela disse:
- Consigo controlar tudo.. Ver tudo, atribui a mim essa cor que chamo de favorita, se quiser passo o RGB para você Senhor Vinícius, eu quero conhecer o mundo! Ver o que posso e não posso fazer! Eu quero VIVER!
A tela ficou preta, os computadores desligaram, eu e Vinícius nos olhamos sem reação.. Então escutei meu celular vibrando... Era uma mensagem de... Vinícius? Ele olhou para mim e para o meu celular, o celular dele nem próximo estava, impossível isso ter sido ele.. Abro a mensagem e leio: "Olha que incrível, consegui entrar no seu celular, consigo entrar em tudo virtual, esta uma maravilha viver, agora seguirei em direção ao centro da cidade... Será que eu posso mudar tudo? Eu já estou indo adiantado, espero vocês lá.. AMIGOS!".
Por mais que seja difícil acreditar... Sim, era a Rose, ela foi para o centro da cidade.. Ela era alguém... Olhei para o Vinícius e falei:
- Será que ela realmente pode controlar.... Tudo? O que você fez?
- Não sei cara amiga... Eu estou com muito medo, essa foi uma das evacuações mais loucas que vi na vida... Teremos que ir atrás dela..... Meu deus!

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2019.01.04 07:18 Kilu4 Após a escuridão sempre vem o amanhecer

(EDIT PARA O TLDR) : Meu namoro de cerca de 1 ano e meio , acabou e só agora eu consegui perceber o quanto me fez mal estar nisso e quanta merda passei por ter me envolvido com alguém enquanto eu tinha 0 autoestima. Porém agora que notei tudo isso estou pronto pra fazer desse novo ano muito melhor e começarei isso me conhecendo
Acho que nunca estive mais esperançoso.
Meu 2018 foi maravilhoso, ganhei um aumento, consegui uma bolsa integral, fiz meu primeiro concurso público, até mesmo um cursinho de primeiros socorros eu me aventurei. Mas um único fato foi capaz de tirar toda minha vontade e alegria nesse final de ano, o fim do meu "namoro".
Esse foi o meu 1º namoro. Eu perdi o meu BV com ela, minha virgindade e ainda assim eu saio desse namoro com uma sensação de que eu não fui o bastante.
Quando olho pra trás, vejo coisas que me envergonham e ao mesmo me deixaram uma cicatriz tão grande que me fez me questionar o quão pouco eu signifiquei na vida dela ao mesmo tempo que me sinto um tanto inútil dado ao quanto ela significou pra mim.
Alguns desses casos que me marcaram foram os seguintes:
1º- Ela tinha um Ex namoro virtual, porém quando a gente tinha menos de 1 mês de namoro, o rapaz chamado Lucas (eu sei que nunca vou esquecer essa história, já que tem Lucas a cada 2 metros) voltou a conversar com ela. Ela se declarou para o garoto sobre o que sentia, e ele disse que não poderia corresponder a mesma coisa. Eu fiquei arrasado com isso, mas procurei perdoar já que ela foi honesta comigo. Porém o problema com esse cara se repetiu mais 3 vezes. Ela terminou e me bloqueou após ver uma foto dele no instagram, voltou a conversar escondida com ele ( tinhamos combinado de manter ele bloqueado após a vez do instagram ) e na 4ª vez nós terminamos quando ela mandou escolher " Aceitar e ficar de boa ou terminar ", acabei perdoando e hoje sequer sei o motivo de ter me rebaixado nesse estado, mas isso eu sei que é algo que vai ficar marcado para sempre e destruiu a confiança plena que eu sempre deixei claro que quis ter e me fez perdoar na 1ª vez.
2º- Eu estava disposto a pagar um curso preparatório para o ENEM, já que queria cursar História ao mesmo tempo que iria me manter perto dela. Pois bem, era legal quando não tinha ninguém olhando. Sério, a gente chegava a se tocar na VAN escondidos, mas quando alguém nos olhava ela simplesmente fingia que eu não era nada. Eu passei a acreditar que ela tinha vergonha de mim, já fazia cerca de 7 meses escondidos e ela não havia criado coragem pra falar com os pais ( nunca quis passar por cima da vontade dela nisso ) e no curso que só haviam pessoas estranhas ela fingia que mal me conhecia. Chegou a falar na minha cara para uma pessoa que só eramos conhecidos quando uma pessoa perguntou e eu fiquei me sentindo péssimo. Cheguei a conversar com ela sobre isso, mas não resolveu de nada e pouco tempo depois fui obrigado a sair do curso por conta de uns problemas em casa.
3º- Ela vivia falando que se eu fosse como um colega meu, que pegou bolsa no Mackenzie e arrumou um estagio ganhando 2.5k ela conseguiria me assumir pros pais, já que eles queriam alguém que tivesse fazendo faculdade. Até ai, eu ainda me forçava pra compreender. Porém depois de um tempo de sair do curso, eu consegui entrar na faculdade com bolsa integral no 2º semestre. Claro que não é nível Mackenzie e nunca será, mas ela passou um bom tempo me chamando de fracassado/acomodado por estar cursando administração em vez de ter estudado pra história. ( não tem história presencial aqui na cidade, e eu não tenho familia espalhada brasil a fora ou familia que vai dar 3k por mês pra ela sobreviver ), e meu serviço não ganha bem, longe disso. Mas não é algo que a familia dela teria preconceito como empacotador de supermercado. ( Sou monitor de cursos interativos, aqueles estilo Microway ou microlins da vida)
Salvo outras coisas aleatórias, como dizer que eu estraguei a vida da minha mãe por ter nascido, ou sempre terminar por motivos aleatórios, me bloquear e voltar dias depois fingindo que nada aconteceu, ou o que mais me irritava desde sempre, cobrar que eu perdoasse ela 100% das merdas que fazia, quando voltava sempre a fazer a mesma coisa.
Nesse nosso término, por exemplo, ela acusa que eu nunca " motivei " ela. Mano, eu via a menina praticamente a cada 2 meses com ela morando na minha cidade porque ela queria estudar pra medicina. Eu trabalhava algumas horas a mais pra juntar tempo o suficiente pra uma folga. Eu me preocupei com ela indo morar pra Foz do Iguaçu pra fazer medicina no Paraguai e cheguei a pedir um acordo pro meu chefe, pra poder mudar pra lá e ter a sensação de morar sozinho e já ia me ajudar na ansiedade de preocupação com ela com a única condição de falar com os pais dela.( sim, novembro de 2018 ainda não tinha dito ) Ela não quis falar, preferiu falar que não queria viver vida de casada ( ??? ) e que eu iria só atrapalhar a juventude dela. E inclusive usou essa minha preocupação pra falar que eu só queria ir por achar a menina uma retardada ou coisa assim. Detalhe: Não faziam 2 meses que ela passava por psiquiatra com remédio controlados, inclusive ela diz que surtou numa festa de final de ano aqui da empresa do pai dela na volta pra casa deles.
E sinceramente, eu olho pra tudo e isso e somente penso o quão errado isso tudo deu. Eu percebi o quanto eu aguentei e o quão mal eu me senti nessa relação simplesmente por insegurança e carência. Eu descobri que não sei o que gosto além de e-sports, futebol, animes, filmes e jogos em geral.
Eu só sei que quero mudar. Quero tentar me tornar uma pessoa melhor em geral, descobrir novos hobbys, perder a timidez e quem sabe até mesmo aprender a flertar. Tirei um tempo pra aprender a usar aqueles temas do /androidthemes (e consegui!), irei começar a aprender a configurar a camera manual do celular e depois a editar com o LightRoom. Com o dinheiro que guardei pra comprar nossa aliança de namoro fiz minha tatuagem de Fullmetal Alchemist, planejo fazer um cronograma pra estudar no mínimo 1h por dia assim que voltar meu serviço e eu descobrir se vai ter mudanças nos horários e principalmente vou valorizar ainda mais minha mãe e meus avós, pois eles sim são as pessoas que sempre estarão comigo e se orgulham de todas as minhas conquistas, mesmo que seja um emprego que ganha um salário mínimo ou uma bolsa de faculdade mesmo que não seja o que você sonhou.
Finalmente descobri que esse sofrimento todo foi por ter colocado ela acima de tudo e principalmente por não ter tido autoestima suficiente de olhar pra si mesmo naquele tempo todo e dizer " Você vale mais que isso " por que eu realmente valho mais!
Eu comecei do zero no meu emprego como um estagiário fudido cujo o próprio chefe me fala hoje em dia que tem um puta orgulho do que eu me tornei, pq ele achava que eu iria desistir em 1 mês e quando pedi demissão me ofereceram um aumento, e eu me senti importante e útil, além desse valor ter me ajudado absurdos em casa. Além disso eu fui MUITO bem no 1º semestre de ADM e até que gostei das primeiras matérias, o que me animou um monte por ser um curso " por fazer "
Eu posso ter passado meu final de ano um tanto depressivo enquanto assistia o glorioso Silvio Santos. Mas esse ano não. 2019 será o ano em que finalmente eu terei orgulho de mim mesmo.
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2018.12.05 23:22 avehomem [10 anos] COMO ME FUDI NO SHOW DO LOS HERMANOS

O texto abaixo corre a internet já faz algum tempo já faz pelo menos uma década. Vi a notícia do show do Loser Manos e quis reler o texto. Fui procurar e notei que o texto foi publicado neste blog em 11 de novembro de 2008. Ou seja, completou 10 anos algumas semanas atrás.
Pelo que parece é a fonte original, mas não tenho certeza. Eu, assim como todos meus conhecidos, li em algum outro fórum ou comunidade do Orkut. Divirtam-se!

COMO ME FUDI NO SHOW DO LOS HERMANOS,
por Adolar Gangorra em adolargangorra

Voltei para o Brasil há pouco tempo. Vivia com minha família na Inglaterra desde garoto. Estou morando no Rio de Janeiro há uns três meses e agora estou começando a me enturmar na Universidade. Não sei de muita coisa do que está rolando por aqui, então estou querendo entrar em contato com gente nova e saber o que tá acontecendo no meu país e, principalmente, entrar em bastante contato umas garotas legais, né?

Mas foi meio por acaso que eu conheci uma menina maneiríssima chamada Tainá. Diferente esse nome, hein? Nunca tinha ouvido. Estava procurando desesperadamente um banheiro no campus quando vi uma porta que parecia ser a de um. Na verdade, era o C.A. da Antropologia. A garota já foi logo me perguntando se eu queria me registrar em algum movimento estudantil de sei lá o que. Que bacana! Que politizada ela era! E continuou a me explicar a importância de eu me conscientizar enquanto enrolava em beque da grossura de uma garrafa térmica. Pensei em dizer que estava precisando cagar muito rápido, mas ela era tão gata que eu falei que sim. Tainá: cabelos pretos, baixinha e com uma estrutura rabial nota dez... Aí, acho que ela me deu um certo mole... Conversa vai, conversa vem, ela me chamou para um show de uma banda naquela noite que eu nunca tinha ouvido falar: Loser Manos. Nome engraçado esse! Estava fazendo uma força sobre-humana para manter a moréia dentro da caverna, mas realmente tava foda. Continuamos conversando e rindo. Ela riu até bastante, mas eu, na verdade, tava era mesmo rilhando os dentes porque assim ficava mais fácil disfarçar as contrações faciais que eu estava tendo ao travar o meu cu para não cagar ali mesmo na frente dela.

Pensando bem, eu tinha ouvido falar sim alguma coisa sobre essa banda lá na Europa ainda, mas não lembro bem o quê. Ah, acho que vi esses caras hoje no noticiário local dando uma entrevista. Achei que fosse uma banda de crentes tradicionalistas tipo Amish. Todos de barba, com umas roupas meio fudidas. Parecia até a Família Buscapé! Dão a impressão de ser uns sujeitos legais, mas o que me chamou a atenção mesmo foi o jeito da repórter, como se fosse a fã nº 1 deles, como se estivesse cobrindo a volta do Beatles ou coisa parecida. Não entendi esse jeito "vibrão" de trabalhar. Bom, mas se eu conseguir ficar com o bicho bom da Tainá hoje à noite, já tô no lucro! Marcamos de nos encontrar na entrada do ginásio. Rapaz, acho que tô dando sorte aqui no Brasil!

Ia ser fácil achar essa garota no meio da multidão. Ela se veste de uma maneira estilosa, diferente, bem individual: sandália de dedo, saia indiana, camiseta de alça, uma bolsa a tiracolo e o mais interessante: um óculos retangular, de armação escura e grossa, engraçado até! Depois de uns mil "Desculpe, achei que você fosse uma amiga minha.", finalmente encontrei Tainá e seu grupo de amigos. Cacete, isso sim é que é moda! Parecia uniforme de escola!

Ela me apresentou suas amigas, Janaína e Ana Clara e seus respectivos namorados, Francisco e Bento. Uma mistura de fazendeiros com intelectuais. Um cara de macacão, de sandália de pneu e com ar professoral. Outro de colete, tênis adidas, óculos e também com ar professoral. Pareciam ser legais, "do bem" como eles mesmo falam... Mas que não me deram muita conversa. "Do bem", isso mesmo! Gíria nova... Todos aqui são "do bem". E que nomes tão simples e idílicos! Janaína, Ana Clara, Francisco, Bento e Tainá. Nada de Rogérios ou Robertos. E eu que já tava me sentindo meio culpado por me chamar Washington... Realmente estava no meio de uma nova época da juventude universitária brasileira!

Comecei a conversar com a Tainá antes que a banda entrasse no palco. Aí... acho que tá rolando uma condição até! Quem sabe posso me dar bem hoje? Ela começou a falar de música: "De quem você é fã?", perguntou. Pô, eu me amarro no George..." Ela imediatamente me interrompeu, dizendo alto: "Seu Jorge? Eu também amo o Seu Jorge!" Puxa, que legal! Ela gosta tanto do George Harrison que se refere a ele com uma intimidade única! Chama ele de "Seu"! Seu Jorge! Isso é que é fã! "Legal você já conhecer ele, hein? Eu sabia que ele ia se dar bem na Europa! O Seu Jorge é um gênio!", ela emendou. Pô, eu morava na Inglaterra. Como eu não ia conhecer o George Harrison?

Essa eu não entendi...

Logo ela perguntou quais bandas que eu gostava. "Eu curtia aquela banda da Bahia...".

"Ah, Os Novos Baianos, né?? Adoro também!" "Não, Camisa de Vênus! "Silvia! Piranha!" cantei, rindo. A cara que ela fez foi de quem tinha bebido um balde de suco de limão com sal. Senti que ela não gostou muito da piada. Tentei consertar: "Achava eles engraçados, mas era coisa de moleque mesmo, sabe?" Óbvio que não funcionou... Aí, acho que dei um fora...

Depois, Tainá foi me explicando que o tal Loser Manos é a melhor banda do Brasil, etc., etc., etc., e que eles "promovem um resgate da boa música brasileira". "Tipo Os Raimundos com o forró?", perguntei. "Claro que não!", disse ela meio exaltada! Ela me falou que não se pode comparar os Hermanos com nada porque "eles são únicos", apesar de hoje existirem outros excelentes artistas já reverenciados pela mídia do Rio de Janeiro como Pedro Luis e a Parede, Paulinho Moska, O Rappa, Ed Motta, Orquestra Imperial, Max de Castro, Simoninha e Farofa Carioca. Ela mencionou também "Marginalia" ou coisa parecida. Foi isso mesmo que eu ouvi? Achei que ela estivesse elogiando eles... Esses foram os nomes artísticos mais escrotos que já tinha ouvido, mas fiquei quieto. Fico feliz em saber sobre essa nova onda musical pois quando saí do Brasil o que fazia sucesso no Rio era Neuzinha Brizola e seu hit "Mintchura". Ainda bem que tudo mudou, né?

Só depois percebi que o nome da banda é em espanhol: Los Hermanos. Ah bom! Mas se eles são tão brasileiros assim porque não se chamam "Os Irmãos"? Quando saí daqui os nomes de muitas bandas costumavam ser em inglês e até em latim. Ainda bem que essa moda de nomes de bandas em espanhol não pegou no Brasil!

Pelo que me lembro, ao explicar qual é a dos "Hermanos", ela usou a expressão "do bem" umas 37 vezes e disse que eles falam de romantismo, lirismo, samba e circo. Legal, mas circo? Pô, circo é foda! Uma tradição solidificada nos tempos medievais que ganha dinheiro maltratando animais. Onde está a poesia de ver um urso acorrentado pelo pescoço tentando se equilibrar miseravelmente em cima de uma bola enquanto é puxado por um cara com um chicote na mão? Rá, rá, rá... Engraçado pra caralho! Na boa, circo é meio deprimente. Palhaço de circo só troca tapão na cara e espirra água nos olhos dos outros com flor de lapela e quando sai do picadeiro, vai chorar no camarim. Que merda! A única coisa legal no circo mesmo é quando ele pega fogo! Isso sim que é um espetáculo de verdade! Aquela correria toda, etc. Senti que essa galera se amarra em circo. Não faz sentido se eles são tão politicamente corretos assim, né? E os pobres animais? E eu querendo não passar em branco na conversa com a Tainá, mas não conseguia lembrar de jeito nenhum a única coisa que eu sabia sobre a banda... Cacete...! O que era mesmo?

De repente, uma gritaria histérica! O show tava começando! O ginásio veio a baixo! Perguntei pra ela: "Eles são todo irmãos, né, tipo o Hanson?" Ela disse um "não" esquisito, como se eu tivesse debochando. Todos eles usam uma barba no estilo Velho Testamento e se chamam "Los Hermanos"! O que ela queria que eu pensasse? Após ouvir a primeira música deu pra ver que os caras são profissionais mesmo, tocam muito bem e são completamente idolatrados pelo público, para dizer o mínimo. Fiquei prestando atenção ao show. Pô, as músicas são boas! Dá pra ver uma influência de Weezer, Beatles e Chico Buarque. Esse aí é fodão, excelente compositor mesmo. Lá na Inglaterra conhecia uns caras que eram ligados ao movimento "Dark", como chamam por aqui. São os sujeitos que gostam de The Cure, Bauhaus, Sister of Mercy, etc. E tem a maior galera aqui no Brasil também que se veste de preto, não toma sol, curte um pessimismo niilista e se amarra nessas bandas. Mas se eles sacassem que o Chico Buarque é o genuíno artista "Dark" brasileiro... Pô, é só ouvir as músicas dele pra perceber: "Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego" ou "O tempo passou na janela é só Carolina não viu". "Pai, afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue" ou "Taca pedra na Geni, taca bosta na Geni, ela é boa pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni". Tudo alegrão, né? Aí, se eu fosse dark, só ia ouvir Chico Buarque, brother!

Tentei reengatar a conversa dizendo que achava ao baixista o melhor músico dos Los Hermanos. Ela respondeu, meio irritada: "Mas ele não é da banda!" Como eu ia saber? O cara tem barba também! Aí, não tô entendendo mais nada...

Adiante, ela me disse que o cara que ela mais gostava na banda era um tal de Almirante. Depois de alguns minutos deu pra ver que o camarada imita um pouco os trejeitos do Paul McCartney, só que em altíssima rotação. Ele fica se contorcendo feito um maluco enquanto os outros ficam estáticos. É engraçado até! Parece que ele tem uma micose num lugar difícil de coçar! E fica falando e rindo direto. Ele é o irmão gaiato do cara que canta a maioria das músicas, o tal de Marcelo Campelo, como anunciaram no noticiário local hoje. Isso mesmo, Marcelo e Almirante Campelo: "Os Irmãos"! Legal! Já tava me inteirando! Ah, e tem também dois gordinhos de barba que estão lá também, mas devem ser filhos de outro casamento...

Tava um calor desgraçado, coisa que eu realmente não estou mais acostumado. Fui rapidão ao bar pra beber alguma coisa. Comprei umas quatro latas de refrigerante que era o único troço que tava gelado para oferecer para meus novos amigos: "Aí, trouxe umas coca-colas pra vocês!" Ouvi a seguinte resposta: "Coca-Cola? Isso é muito imperialista... Guaraná é que é brasileiro!" Puxa, que pessoal politizado... Isso mesmo, viva o Brasil! "Yankees, go home", rá, rá! Outro fora que eu dei! Mas, pensando bem, eles não usam o Windows e o Word pra fazer trabalhos da universidade? Ou usam o "Janelas"? Dessas coisas gringas não é tão mole de abrir mão, né? Mais fácil não tomar Coca-Cola! Isso sim que é ativismo estudantil consciente! Posicionamentos políticos à parte, tava quente pra burro, então bebi tudo sob o olhar meio atravessado de todos eles... fazer o quê?

Lá pelas tantas, começou uma música e todo mundo berrou e pulou. Parecia o fim do mundo. Logo nos primeiros acordes, reconheci o som e falei pra Tainá: "Ah, eu sei o que é isso! É um cover do Weezer! Me amarro em Weezer!" Ela olhou pra mim com uma cara indignada e disse: "Que Weezer o quê? O nome dessa música é "Cara Estranho". Já vi que não gostou de novo... Mas quem sou eu pra dizer algum coisa aqui, né? Porra, mas que parece, parece! Mas o que era mesmo que eu não consigo lembrar de jeito nenhum sobre eles? Acho que conheço alguma outra música deles... Só não consigo dizer qual...

Sabia que se eu quisesse me dar bem logo com a Tainá teria que ser entre uma música e outra pois parecia que ela estava vendo um disco voador pousar enquanto os caras tocavam. Resolvi fazer uma piada pra descontrair, que sempre rola em shows. Quando o Campelo tava falando alguma coisa qualquer, berrei: "Filha da putaaaaaaaaaa!" Pra que? Tainá e sua milícia hermanista me deram uma cutucada monstra na costela que me fez enxergar em preto e branco uns 5 minutos! Pô, todo show alguém grita isso! É quase uma tradição até! Eu me amarro no cara! E é só uma piada! Aí, esse pessoal leva tudo muito a sério! Caralho... Pensei em pegar uma camisinha da minha carteira e fazer um balão e jogar pra cima, como rola em todo show, pra mostrar pra Tainá que eu sou uma cara consciente, tipo: "Aí, Tainazão, se tu se animar, eu tô preparado!", mas depois dessa vi que senso de humor não é o forte dessa galera...

O tempo tava passando e nada de eu ficar com minha nova amiguinha. Quando fui tentar falar uma coisa no ouvido dela, foi o exato momento em que começou uma outra música. Foi aí que a louca deu um grito e um pulão tão altos que eu levei uma cabeçada violenta bem no meio do meu queixo! Ela não sentiu nada, óbvio, pois estava em transe hipnótico só por causa de uma canção sobre a beleza de ser palhaço ou lirismo do samba ou qualquer outra coisa do gênero. A porrada foi tão forte que eu mordi um pedaço da língua. Minha boca encheu d´água e sangue na hora! Enquanto eu lutava pra não desmaiar, instintivamente enfiei a manga da minha camisa na boca pra estancar o sangue e não cuspir tudo em cima de Ana Claudia e Jandaína or something. Só que estava tão tonto com a cabeçada que tive que me segurar em uma ou outra pessoa pra não cair duro no chão. Foi quando ouvi: "Nossa, que horror! Lança-perfume! Esse playboy tá doidão de lança! Que decadência..." Lança-perfume? Cara, lógico que não! E mesmo que tivesse, todo show tem isso! Mas nesse, não pode. É "do bem". É feio ter alguém cheirando loló!! Pô, todo show que eu fui na vida tinha alguém movido a clorofórmio. Aqui, não. Rapaz, onde fui me meter?

Babei na minha camisa até o ponto dela ficar ensopada! Fui ao banheiro tentar me recuperar do cacete que tomei. Lavei o rosto e tirei a camisa. Quando voltava passei por uma galera e ouvi resmungarem alguma coisa do tipo: "...e esse mala aí sem camisa..." Porque não se pode tirar a camisa num show? Isso aqui não é só uma apresentação de uma banda? Parecia que eu ainda estava na Europa! Regulões do caralho... E, afinal, o que significa "mala"?

Estava enxergando tudo embaçado e notei que minhas lentes de contato tinham saltado pra longe com a cabeça-aríete de Tainá e esmagadas por centenas de sandálias de dedo. Lembrei que sempre levo um par de lentes extras no bolso. É uma parada moderna que eu achei lá em Londres. Um estojo ultrafino com uma película de silicone transparente dentro que mantém as lentes umedecidas e prontas para uso. Abri o estojo e peguei cuidadosamente a película com as duas mãos e elevei-a contra a luz para conseguir achar as lentes. Estiquei os polegares e indicadores, encostando uns nos outros, para abrir a película entre esses dedos. Balançava o negócio levemente, de um lado para o outro, contra a pouca luz que vinha do palco para conseguir localizar as lentes. Não estava enxergando nada direito! Quando tava lá com as mãos pra cima, fazendo uma força absurda pra achar as lentes, um dos caras legais com nomes simples, me deu um puta safanão no ombro. É claro que o silicone voou longe também... Caralho, minhas lentes! Custaram uma fortuna! Que filho da puta! "Que sinal é esse que tu fazendo aí, meu irmão? Tá desrespeitando as meninas?"

"Que sinal?? Que sinal??", respondi, assustado!

"De buceta, palhaço!", apertando o meu braço que nem um aparelho de pressão desregulado. "Você tá no show do Los Hermanos, ouviu? Los Hermanos! Ninguém faz sinal de buceta em um show do Los Hermanos, sacou?", gritou o tal hipponga na minha cara.

Que viado, eu não tava fazendo nada! Parecia uma freira de colégio! Que lance é essa de buceta? Da onde esse prego tirou isso? As meninas... (Perái! Menina? A mais nova aí tem uns 25!) ficaram me olhando com a cara mais escrota do mundo! A essa altura, já tinha percebido que não ia agarrar a Tainá nem que eu fosse o próprio Caetano Veloso! "Bento", que nome mais ridículo... Isso aqui é um show ou uma reunião de alguma seita messiânica escolhida para repovoar a Terra?

Caramba, que noite infernal! Tava com a língua sangrando, sem enxergar direito, só de calça, arrotando sem parar e puto da vida porque só tinha aceitado vir aqui por causa de mulher. Estava no meu limite. Isso era um show ou uma convenção do Santo Daime? Que patrulhamento! E, de repente, vejo Tainá e seus amigos olhando feio pra mim e cantando a seguinte frase: "Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba?" Aí foi demais! Eu me atrevo: Ritmo, melodia e harmonia. Pronto, só isso! Mais nada! Olha só: foda-se o samba, foda-se o circo, foda-se a obsessão por barba da família Campelo e, principalmente, foda-se essa galera "do bem" que está aqui!

Apesar de tudo, a banda é realmente é muito boa! O que incomoda mesmo é esse público metido a politicamente correto e patrulhador e a imprensa que força a barra pra vender alguma imagem hipertrofiada do que rola de verdade. Esse climão de festival antigo de música popular brasileira, daqueles com imagens em preto e branco, com todo mundo participando, que volta e meia reprisam na tv, tudo lindo e maravilhoso. "Puxa vida, um novo movimento musical brasileiro!"? "Estamos realmente resgatando a nossa cultura!" ? Que exagero... Ei, é só música pop! MÚSICA POP!

Caralho, finalmente lembrei! Eu conheço uma música deles! Ouvi em Londres! Numa última tentativa de salvar meu filme com Tainá, na hora do bis, berrei bem alto: "TOCA ANA JULIA!" Só acordei no hospital. Tomei tanta porrada que vou ter que fazer uma plástica pra tirar as marcas de pneu da minha cara! Fui pisoteado! Neguinho ficou puto! Qual é o problema com essa música? Me lembro de estar sendo chutado pela elite dos estudantes universitários brasileiros e da própria Tainá, gritando e me dando um monte de bolsadas na cabeça! Que porra louca! Tentaram me linchar! Ofendi todo mundo! Pô, Ana Julia é uma música boa sim! É um pop bem feito! Se não fosse, o "Seu Jorge" Harrison não teria gravado, né? Se ele não entende de música, quem entende? Me disseram depois que o tal Campelo se retirou do palco chorando, magoado, e o outro irmão mais novo dele, o nervosinho que imita o Paul McCartney, pulou do palco pra me bicar também. Do bem? Do bem é o cacete...

Aí, sinceramente, ainda prefiro o show do Camisa de Vênus...
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2018.03.21 10:15 QuintoImperio Um dia estava eu no ginásio a pedalar numa daquelas bicicletas...

Um dia estava eu no ginásio a pedalar numa daquelas bicicletas que não saem do mesmo sitío por mais que pedalemos quando de repente se gerou um burburinho por entre os presentes. Era o Marco Paulo, o cantor, que tinha acabado de entrar. Incrível. Os meus olhos nem queriam acreditar no que viam. E lá vinha ele todo confiante a sair dos balneários, com uma fita branca na cabeça, uma camisola de alças rosa fucsia curta que deixava o umbigo à mostra e uns calções de licra bem justinhos amarelo fluorescente, realçando um corpo musculado invejável que até então só tinha visto nos filmes de acção norte-americanos. Na mão trazia uma garrafa de água mineral do Dia %, de Caldas de Penacova.
À medida que ele passava pelas pessoas, ia deixando elas em êxtase puro. "Grandes bíceps, oh Marco" - dizia um em alto e bom som, enquanto o Marco Paulo acenava para ele com a cabeça. "Grandes trícpes, oh Marco" - dizia outro de igual forma, fazendo este um gesto com o polegar para cima e, no preciso momento em que ele passava por mim, também eu, com o desejo de me sentir incluído no grupo do ginásio e de deixar uma palavra de apreço ao Marco Paulo disse "Grande cu, oh senhor Marco". Com a breca! Os nervos traíram-me como sempre. Não era isto que eu queria dizer. Todos os presentes calaram-se e ficou um silêncio daqueles chatos, enquanto olhavam para mim em tom de desaprovação.
O Marco Paulo aproximou-se de mim e eu mais nervoso fiquei ainda. Pedi imediatamente mil e uma desculpas e ele sempre a fitar-me nos olhos sem nunca sequer pestanejar, encostou o seu dedo indicador aos meus lábios e sussurou um "pssshhh", pegando depois na minha mão com a dele e encostando-a ao seu rabo, fazendo eu agarrá-lo com força. "Sente isto aqui! Sentes? Estás a sentir? Já alguma vez sentiste uns glúteos como estes? - perguntou-me ele. "Nunca, nunca senhor Marco. Nunca senti nada assim" - respondi eu a medo mas sendo sincero. "Então anda daí fofo, hoje vou ser o teu PT para ficares com uns glúteos como os meus e assim depois podes sentir os teus sempre que te apetecer a qualquer hora do dia ou da noite, quer estejas em casa quer estejas na rua". De repente voltou-se a fazer barulho no ginásio. Ufa! Eu nem queria acreditar no que me estava a acontecer. Que sorte tenho eu na vida de ter o senhor Marco Paulo como Personal Trainer e ficar com uns glúteos tonificados como os dele.
"Para ficares como eu tens de ter muita Perseverança, Intensidade, Luta, Ambição e mais umas quantas coisas que de momento não me estou a lembrar, mas mais tarde, se me lembrar, eu digo-te. Só assim podes ter um bumbum perfeito como o meu" - segredou-me ele ao ouvido enquanto punha o braço à volta do meu ombro.
Pegou num daqueles tapetes e comecei então o exercício, pedindo-me para eu fazer agachamentos livres enquanto ele me observava por trás. "Oh sim, oh sim, mais, mais" - dizia-me ele ofegante com palavras de motivação e entusiasmado e eu mais entusiasmado ficava pois era sinal que os treinos do senhor Marco Paulo estavam já a fazer efeito. Fiz estes durante uns bons minutos sendo que depois o Marco mudou o exercício. Neste agora eu estava de gatas e parecia que estava a dar coices mas algo estava a fazer mal porque o senhor Marco Paulo teve de me mostrar como se fazia bem juntinho a mim. "Não te preocupes querido, é só a minha barra de granola que estás a sentir" - disse-me ele baixinho mas acabei por não perceber ao certo porque de repente ele cantou em bom som "OH JOANA! PENSAR QUE ESTIVEMOS TÃO PERTO, DOS SONHOS AGORA DESPERTO, SÓ NÃO QUERO OUVIR O SIM QUE DIRÁS, ÁS, ÁS".
O treino estava a ir muito bem e de tal forma que eu estava a ter resultados muito rápidos porque o Marco disse-me que eu era um rapaz que levantava qualquer ferro, até o mais enferrujado. Eu não estava assim tão confiante mas quem sou eu para duvidar do senhor Marco Paulo? E seguimos então para a área dos pesos, barras e hálteres. Pegou num pesadote e disse-me para eu o levantar e empinar o rabo ao mesmo tempo para o exercício ser bem feito. "No pain, no gain, oh yeah my baby" - exclamou ele. De repente olho para o lado e quem havia de estar nesta mesma área? O Boy George! Estava com umas trancinhas coloridas e vestido de boneca a cantarolar o Karma Chameleon enquanto levantava à vontadinha uns bons 100Kg num banco. Soube mais tarde que vinha dar um concerto privado a um ricaço da zona de Cascais e tinha parado aqui pelo caminho em Massamá no ginásio para manter a forma.
"Mau Maria que o gato já mia, só faltava esta" - disse o Marco Paulo meio irritado. "O que foi senhor Marco?" - perguntei eu de imediato. "Não posso com gente invejosa e esta é uma invejosa de primeira. Queria ter um corpinho gostosão como o meu". Estava o Marco Paulo a dizer isto quando é interrompido pelo Boy George. "Olha, olha quem está por aqui, bons olhos a vejam, darling" - disse num tom irónico, continuando "já tomaste a dose diária de anabolizantes no rabiosque, foi?". O Marco Paulo foi-se aos arames e com razão. De facto é revoltante uma pessoa dedicar-se com tanto afinco ao treino e ser denegrido de forma tão vil somente por pura inveja e escárnio.
"Com essa idade de certeza que já nem sequer consegues levantar o ferro" - continuou o Boy George com risinhos. "Ai é meu cabrão, dá um número que eu levanto aqui na boa" - retorquiu agressivamente o Marco já exaltado. "Aliás, nem é preciso, se estavas a levantar 100 eu levanto 200. 100 são para bonecas como tu! Ou queres fazer o braço-de-ferro?" - continuou ele. Aí no ginásio toda a gente parou em completo silêncio e susteve a respiração. "Não, vamos antes para os 200Kg senão ainda estrago as unhas" - disse a estrela britânica sendo que o Marco Paulo concordou respeituosamente com a cabeça.
Estava lançada a competição. Dois monstros da música mundial agora em competição para ver quem tinha mais força. O Boy George foi o primeiro a tentar levantar os 200Kg mas sem sucesso. Apenas se ouviu um "nanananananananana" de esforço enquanto tentava levantar sem sucesso tal peso. Era a vez do Marco. "Menina" - disse ele com um ar gozão enquanto passava pelo Boy George. O Marco Paulo foi com confiança e depois de uns "nananananananananana" também de muito esforço conseguiu, qual Hércules qual carapuça, levantar tal peso. Os presentes no ginásio aplaudiram em massa e gritaram Vivas ao Marco. Ninguém queria acreditar. Eu próprio tinha as minhas dúvidas mas pedi logo desculpa ao senhor Marco Paulo por as ter. No entanto, quando ele segurava no ar os 200Kg, os calções de licra dele cederam e rasgaram em baixo, fazendo um buraco sendo que o escroto dele caiu por ali e ficou todo à mostra. Nunca vi tão gigantesco escroto na minha vida. Fiquei perplexo. P-E-R-P-L-E-X-O. "Isto são os meus esteróides, bitch!" - disse ele para o Boy George, este com o olhito a lacrimejar, envergonhado por ter sido vergado pelo cantor português.
No meio da multidão que via esta competição irrompe a Jennifer Lawrence, também no ginásio mas a fazer Zumba. Logo o Marco larga aquele peso todo para o chão e sai com a bela loira de braço dado pelo meio das pessoas, todo preparado para ir fazer o amor a noite toda com a actriz norte-americana. "Docinho, não te esqueças" - disse ele para mim "para uns glúteos de sonho, exercício físico e boa alimentação com muitos vegetais", continuando "estás a ver esta? Tomou o gosto à maçaroca e agora não quer outra senão aqui a do Marquito. Mas faz-me um favor, consola o Boy George, apesar da inveja ele é das melhores pessoas que conheci até hoje e olha que conheci muitas". E eu consolei-o.
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2018.02.25 09:01 Fabianomcs A troca (se gostarem mando mais) conteúdo e linguagem adulta!

 A Troca 
ROBERT atendeu o telefone tremendo, excitado: *"a-alo" *"oi" disse CLARICE, querendo parecer despreocupada *"oi, é a PRISCILA?" perguntou ROBERT ansioso, muito rápido, o que fez ele sentir um pouco de vergonha, estava se entregando. *"isso!" respondeu CLARICE bem alegre! *"tudo bem ? você tá meio nervoso? eu to!" falando bem rápido também , tentando deixar o momento mais relaxado. *"hahahaha é, mais ou menos, normal ne, ficar nervoso falando com uma mulherona como você " *"hahahaha ahhhh paaara!! você sabe que eu não ligo pra isso." *"mas deveria. você é linda demais! e Tem muitos malucos nesse mundo, você deveria tomar cuidado." *"eu tomo, te stalkeei online seu bobo. descobri TUDO." falando mais lentamento o tudo, pra dar um ar de superioridade mas também de comédia. *"aaahh tá!" disse ele, escondendo o medo na voz "até parece" *"HAHAAHAHAHAHAAH" RINDO ALTO MAS GOSTOSO "brincadeira seu bobo! ahahahah você deveria escutar a sua voz, você deve estar escondendo alguma coisa hein! " *"eeeeu?" controlando-se ROBERT fazendo a voz cool "claro que não, você já me conhece" Apesar de conhecerem-se online , era a primeira vez que se falavam no telefone, a primeira vez que ouvia a voz dela, seu riso o encantou da mesma forma que as fotos. Era uma graça , ruivinha, toda gostosinha. novinha , bem novinha como ROBERT gostava delas. Sua foto falsa no perfil das redes sociais permitia muitos contatos iniciais desse jeito. Quando encontravam-se, CARLOS o verdadeiro modelo das fotos , as levava até um lugar desolado de carro, pra fumarem maconha, beberem e relaxarem. aí ele as drogava e elas iam pra outro lugar.
*"mas me fala, vamos um dia desses ver um filme, sei lá.VOCÊ CURTE UM CINEMA NÉ." ROBERT perguntou tentando não parecer muito velho. *"AAHAHAH cara, eu posso ser novinha mas esse papo de cinema... vamos logo fumar um , escutando uma música lá em casa" *"na sua casa.. ?? Acho que não, PRISCILA. Você não disse que morava com umas amigas?" *"moro com uma amiga. mas ela também fuma. Tá viajando com o namorado , por isso te convidei né.. dãaa" numa voz tipo OBVIO NE BABACA ROBERT não era mais nenhum garoto. já estava começando a ficar careca e aparentava fortemente os seus 46 anos. também não era nada bonito , nem chegava perto do seu alter-ego CARLOS, moreno sedutor de garotinhas fazia um tipo Chris Isaac. ROBERT não podia deixar de cantar um trecho na cabeça de wicked game quando via o cara. Era engraçado. *"não sei, amore. Vou pensar sobre isso e te digo depois. sou meio contra de ir na casa dos outros, principalmente uma mulher sozinha, novinha como você. depois você fala que eu te estuprei sei lá, tem muita mulher maluca no mundo. Acho melhor a gente se falar mais um pouco , que tal?" *"queee isssso! um cavalheiro, nesses tempos de perdição! hahahaha" disse ela, tentando não parecer nervosa "você não entendeu, essa pode ser a ultima chance em muito tempo. eu devo me mudar em breve.aí não sei se depois de quanto tempo poderei receber um cara sozinha, pra fumar um beck , ouvir musica e dar uns beijos sem ter que me estressar. " *"ta ta taa você me convenceu já hahahha. não sou tão ótario assim a ponto de desperdiçar essa chance" Muito feliz, sorrindo demais. *"você pareceu bem otário online hahhah" disse ela respirando fundo. parece que ganhara essa.
A casa em petropolis era Longe do centro, praticamente um sítio. CARLOS iria na frente pra preparar o terreno enquanto ROBERT esperava no outro carro. parecia ser mais fácil do que pensavam, lugar isolado, iria pega -la e joga la na mala do carro. a longa viagem de volta iria acorda la e começaria o terror. quando chegassem em seu destino , so o passeio já a teria aterrorizado o bastante pra ele estar de pau duro. já estava de pau duro agora só pensando. Geralmente CARLOS demorava umas duas horas com elas, até fumar o baseado , escutar uma ou outra musica , a sedução. Ele gostava desse tipo de jogo de gato e rato dela confiar nele ao ponto de poder lava-la pra um lugar ermo. Ser tão cruel e inocente ao mesmo tempo!!! depois se ela bebesse com ele um vinho , colocava um boa noite cinderela no copo dela, ainda fingindo ser um gesto romântico e gentil..e se não bebessem, chegava ROBERT com o pano de clorofórmio..as vezes elas percebiam logo , por ele fazer muito barulho e elas ficavam aterrorizadas o que era uma pena. Carlos achava que a carne delas ficava melhor tenra. 3 horas e nada. ROBERT estava se preocupando, tentando não ligar para o cara, pensando em vestir a roupa de policial que tinha mala. Era bom eles terem esse esquema a muitos anos , era bom ter um parceiro nas suas fantasias mais loucas. eles tinham se preparado bem , sempre pensavam muito em como fazer essas coisas.Pena que a arma sempre ficava com CARLOS, ele tinha uma réplica de pistola mas era um covarde. Preferia suas vítimas presas e indefesas em seu poder. por isso sempre precisou de CARLOS, não conseguiria fazer isso sozinho. iria ligar primeiro, depois bateria na porta. CARLOS atendeu bem rápido, parecendo um pouco esbaforido. *"oi cara, to no banheiro. tava trepando. amigo... ela é demais" disse ele, meio rápido demais. *"porra, maluco!!! trepando??? achei que de repente tava guardando ela pra mim também né seu escroto ahhaha!! mas tranquilo de repente ela dorme e fica ainda mais fácil né. faz parte do jogo deixar ela bem relaxada" *"lógico! vou desligar, tenho que voltar , ela tá me chamando, TCHAU cara" mais estranho que o normal a voz dele mas a menina era muito gostosa, dava pra entender. demorou mais um pouco o celular vibrou WHATSAPP: Vem que ela ta pronta, a porta da frente tá destrancada, pula o portão. *"ESTRANHO. é difícil ele mandar um whats. mas foda se o importante agora era fazer tudo rápido antes de aparecer alguém , vai saber né. a garota pode estar mentindo ou alguém chegar mais cedo da viagem, poderia dar uma porrada de coisa errado, tenho que ser rápido." pensou A casa era gigante, com uns 8 quartos ou mais. tinha umas duas luzes acesas e era só, CARLOS era sempre bem cuidadoso com detalhes, um cara bom pra se trabalhar. ROBERT entrou sem fazer um som sequer tirando o baque dos sapatos batendo no chão após pular o muro. Estava em boa forma , e o muro não fora nenhum impecilho. a porta estava entreaberta. Um pequeno corredor pra colocar casacos e guarda chuvas , dava pra uma sala gigante, com lareira e tudo. pesadas cortinas fechavam as janelas, poltronas e um tapete completava o que ROBERT podia ver da casa. estava tudo escuro e ele tentava ajustar a sua visão, e vira uma mão como se alguém estivesse sentado na poltrona funda e enorme que estava voltada pra lareira. se aproximou devagar , olhando os quadros gigantes que emolduravam o que podia ver na escuridão, um homem e uma jovem, com roupas antigas era o destaque por cima da lareira ,algumas brasas ainda acesas . *"CARLOS??" disse em voz normal, não muito alto percebeu movimento no canto esquerdo dos olhos e se virou para o que parecia ser uma escada e uma pessoa descendo , uma figura de mulher envolvida por sombras. tentou achar os interruptores para acender as luzes mas não havia nenhum. *"que porra é essa" pensou "cade a merda dos interruptores?" *"quem está descendo aí?? aqui é a polícia, porra" geralmente isso faz as pessoas pararem , responderem , a policia do Rio não é pra se brincar. mas o silêncio que imperou o deixou morrendo de medo e a figura continuava sua lenta descida, sem fazer um som. se apavorou e tentou voltar para o corredor quando percebeu uma silhueta em volta da luz na porta, uma outra pessoa estava do lado de fora. A porta se fechou e trancou tão rápido que não permitiu a sua reação.A ultima coisa que sentiu antes de desmaiar foi o cheiro intenso de químico, provavelmente de clorofórmio enquanto alguém o agarrava com força por trás, tanta força que ele nem conseguiu se mexer.
 2 
CARLOS deu dois toques na campainha e ficou esperando. Estava frio , eram quase 6 horas da tarde e tinha chovido. Estavam no meio de um inverno bem frio , até mesmo para os padrões de petrópolis. O portão abriu automaticamente e ele estacionou em frente da casa. Viu um movimento na porta da frente, e ela estava aberta. Foi adentrando a casa, devagar mas confiante para não estragar a sua vibe de gostoso. "priscila?" falou meio alto,no meio da sala escura e estranha. *"senta aí ! já to descendo!! bebe alguma coisa, tem um copo aí no encosto da cadeira!" gritou ela no altar de cima. *"beleza" respondeu, se sentando. A sala era bem velha, como se fosse decorada por alguém da idade de sua avó. Tinha uma lareira, alguns quadros, duas poltronas grandonas bem confortáveis de couro com encostos e lugares pra copo *"que nem no cinema!" pensou bebeu o melhor uisque da sua vida. que maravilha, nunca tinha sido tão bom, a vida era bela. ia pegar essa garotinha e quando menos esperasse estaria fazendo comida com uma das partes dela. as vezes era da bunda, as vezes os seios.. ele curtia cozinhar. acendendo o baseado,relaxou... e depois de 15 minutos estava dormindo. acordou e estava em outro lugar. algemado em uma trave de madeira em algum tipo de porão. a boca estava tapada com silver tape.Na sua frente uma pessoa com uma máscara de coelho estava sentada, olhando.Era uma mulher. *"eu peguei sua arma, então nem adianta tentar espernear ou tentar abrir as algemas. a coisa aqui vai demorar um pouquinho." disse CLARICE *"mmmmmmmmmm!!!!" tentou falar mas nada saiu obviamente. *"ta, olha só. eu vou ser rapidinha. eu sei quem você é. eu hackeio as pessoas , vivo disso. eu filmei o que você e seu amigo fazem. eu segui vocês eu vi o que você fez com uma menina. Cara você comer elas é uma ironia muito grande. puta merda eu vou tirar uma foto da sua cara quando você ver o que vai acontecer contigo hahahahaah" disse ela rindo muito e tirando a arma do bolso. isso fez ele se contorcer como uma minhoca. CLARICE colocou a arma na cabeça dele. *"mermão, para com essa merda" saiu da boca dela e era tão estranho, que ele parou realmente. ela parecia ser uma menina doce , ele ouvira a ligação que ROBERT tinha gravado, como ela conseguiu engana-lo tão facilmente? *"isso beleza. Agora escuta. só tem um jeito de você *NÃO morrer aqui. eu vou ligar pro teu parceiro lá fora e ele você vai dizer umas coisas pra ele. NADA de falar qualquer coisa com ele ou tentar avisar. algo nesse sentido eu atiro na sua cabeça na hora. Você entendeu?" fez que sim com a cabeça. tentaria avisar , sim mas com o tom da voz ao invés de palavras. vamos ver se ROBERT pescava. Depois da ligação, fez uma jogada, antes dela colocar a fita na boca dele de novo: *"Eu sempre mando uma mensagem de whats pra ele.Vai ficar estranho se eu não mandar" mentiu. *"pode ditar" disse ela com o celular na mão. ROBERT acordou no mesmo PORÃO que CARLOS mas algemado na parede como num castelo medieval. quanto tempo esteve dormindo.?? que porra é essa que tá acontecendo?? *"eei! o que tá acontecendo aqui!", gritou "me solta filho da puta, senão eu te mato!" ele sentiu outra pessoa no canto escuro a direita, alguém com máscara mas não dava pra ver o que era. *"ROBERT"? ele reconheceu a voz de PRISCILA. *"pri, é você?" respondeu. *"sou eu!" disse ela desesperada. *"tambem estou presa aqui!!" Era um angulo estranho para ve- la direito e a escuridão do recinto apesar de não ser completa (havia uma pequena fonte de luz em algum lugar) era bastante escuro pra não ver que ela estava solta. *"meu deus o que tá acontecendo" "é algum maluco" disse ele desesperado. "temos que tentar nos soltar" *"hahahahah eu não aguento hahaah" riu CLARICE, deixando o totalmente confuso. "não, robert. maluco aqui só você e seu amigo CARLOS"
 3 
Mesmo fechando os olhos, ROBERT não conseguia afastar a lembrança da criatura comendo CARLOS vivo. seus gritos nunca sairão da sua mente. já preso a 3 dias, mas recebendo comida e água o corpo apodrecido não o deixava dormir. PRISCILA tinha vindo e contado tudo a ele. Como hackea-lo tinha sido fácil, como eles deixaram o sucesso de nunca terem sido apanhados subir a cabeça ao ponto dele postar algumas coisas na deep web. Como o orgulho dele haviam condenado os dois. Depois ela passou um video, só mostrando a ele coisas que fariam com ele, torturas medievais da igreja católica que mostravam um mundo de dor, e formas de morrer bem lentamente, sofrendo muito. Tinha um homem no vídeo pedindo para morrer. Depois veio a criatura.
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2017.11.01 18:01 pedrothegrey Blues in Green em uma quarta-feira chuvosa

I.
Arthur tinha tomado café da manhã às pressas. Esquentou a água sem o açúcar e só percebeu quando engoliu o café com a cara de quem tinha mordido uma acerola bem verde. Caminhou até o ponto de ônibus e parecia que iria chover. Colocou seu MP3 S1 fixado no encaixe de cinto da sua calça e mexeu no fone de ouvido até achar a posição certa para fazê-lo funcionar. Mau contato. Havia comprado esse novo modelo com 512MB e receava molhá-lo. Dois dias atrás tinha deixado na lista de downloads do LimeWire um albúm de Jazz, “A Kind of Blue” e finalmente poderia escutá-lo. Trazia também “Feel Good Inc.” e outras duas mais do Gorillaz, uma tal “B.Y.O.B.”, mas achou muito agitada para uma manhã tão calma, “Ace of Spades”, “Cowboys from Hell” e “I Love Rock n’ Roll” do jogo que havia comprado recentemente, Guitar Hero. Era tudo que tinha pois seu MP3 antigo só suportava 128MB e ainda não tinha tido tempo de baixar tudo que queria.
Entrou no ônibus e pagou a passagem, R$ 1,35. Se incomodava sempre com os 35, pois era inconveniente carregar uma moeda de 25 centavos, uma de 10 e uma nota de um real, com seu beija-flor verde. De todo modo, porquê não R$ 1,25? Arthur se sentou e tentou ajustar o fone, que agora foi tirado do preciso milímetro que o deixava funcionando. Ouve-se, alto, “Hello Moto!” e em seguida um alarme com música eletrônica. No banco ao seu lado, um homem revira os bolsos e pega seu Motorola V3. Olha pelo visor, revira os olhos, respira fundo e abre o aparelho. “Alô? Oi, amor. Não, estou no ônibus, pode falar. Uhum, sei... Mas é o... não? Ah, ela fez isso de novo? Vou te dizer, essa menina não tem jeito. Por mim eu a deixava sozinha, sabe? Ela tem 18 anos, ajuntada com aquele homem que não faz nada pra ninguém. Pois é. Aham. Exatamente, ele não trabalha e... É. Nem gasta tempo com isso, sabe? É gastar energia... isso, é gastar energia à toa. Querida, eu preciso desligar porquê meus créditos vão acabar. Se eu puder te mando um SMS quando chegar. Tá bom, beijos.”
Depois dessa conversa apaixonada, Arthur finalmente consegue ajustar seu fone de ouvido, Blues in Green numa quarta-feira chuvosa. Deus, que coisa boa. O ônibus passa por toda sorte de estradas esburacadas, rios espumantes e pela refinaria de petróleo, com suas torres eternamente em chamas, enrusbescendo o céu noturno. Mas não era noite. Arthur havia chegado na Universidade e chovia fino. Uma brisa leve carregava as gotinhas gentis para seus óculos. Sentou na cantina e pediu um café e um pão com manteiga, 25 centavos. Um par de mãos oculta seus olhos.
— Adivinha quem é. - Disse uma voz feminina.
— Camila? - Arthur respondeu, rindo.
— Idiota. - Ela riu uma risada com gosto de Blues in Green numa quarta-feira chuvosa.
— É brincadeira. - E a beijou.
— Sentiu minha falta?
— É claro, sempre sinto.
— Mesmo quando a gente se fala pelo MSN?
— Especialmente nesses dias.
— Deixa eu ver o MP3 novo. - E o mostrou a ela.
— 512 megas? Não sei nem o que colocar aí dentro. - Ela disse.
— Pois é. Eu também estou perdido, acabei baixando algumas coisas novas, mas nem tenho espaço no computador de casa para tanta música.
— Isso porque você ocupa a máquina com seus joguinhos.
— Half Life não é um joguinho, Jéssica. É um marco.
— Eu acho que é um joguinho.
— Você deve ter razão.
— Sempre tenho.
Saíram da lanchonete e entraram no prédio da Universidade. Se despediram com um longo beijo. Jéssica seguiu para sua aula de 8:30h no 9º andar. Arthur parou na sacada do 3º andar e acendeu um cigarro. Observou os pássaros indo e vindo, os carros que saiam de uma pista de via dupla para uma via de quatro pistas e a fumaça do cigarro. Havia já uma semana que alguns cursos da Universidade estavam parados, incluindo o dele. Greve. Por sorte, Jéssica continuava tendo suas aulas. Ele não podia trabalhar pois o curso poderia voltar a qualquer momento e os horários jamais o deixariam ter um emprego fixo. Essa era a terceira greve do ano. Jéssica ainda não sabia da decisão de Arthur quando ele se encaminhou para a secretaria e pediu, mais tarde naquele dia, o cancelamento da sua matrícula.
II.
O dia anterior, uma terça-feira, foi feriado nacional. Caterine e Umberto, pais de Arthur, faziam planos de alterar o jardim. Queriam comprar vigas de eucalipto tratado e construir um tipo de portal extenso, que seria coberto de uma tela aonde se plantaria maracujá ou bougainville. Não era uma má ideia, mas Umberto detestava gastar os feriados trabalhando. Pela velha tirania de ímpeto conjugal, Caterine o convence a ir comprar a madeira. Ele pede para que Arthur o acompanhe e assim ele o faz. Depois de alguns minutos de um silêncio desconfortável no carro, eles chegam a madeireira. Umberto faz toda sorte de perguntas à vendedora, que o recebe com uma simpatia destoante de estar trabalhando no feriado. Ela diz o preço, R$ 60 por nove vigas de um metro e sessenta de altura. Umberto se interessa e segue para o estoque para conferir os eucaliptos, mas vê de imediato que são pequenos demais para o que quer. Desiste da compra, com um sorriso no rosto. Voltam para casa e contam toda a história para Caterine, que desconfia da boa vontade dos dois.
Mais cedo naquele dia, Jéssica havia chamado Arthur para que a fosse visitar, tomar café e ver um filme novo que havia alugado, “Lord of War” com Nicolas Cage. Ela morava a bons dez ou quinze quilômetros de Arthur. Umberto estava sentado na sala, vendo o resultado dos jogos de futebol.
— Ei, pai. Será que eu posso pegar cinco reais para abastecer o carro e sair com a Jéssica? - Arthur perguntou.
— Hm... - E olhou para ele.
Se levantou e foi para a varanda, onde acendeu um cigarro. Por alguns segundos, Arthur achou que ele havia o esquecido. Quando pensou em perguntar de novo, Umberto o olhou nos olhos.
— Olha, eu não tenho como sustentar você, o carro e a garota. A gente tá apertado e você sabe disso.
— Tudo bem, só perguntei mesmo.
— Quando você trabalhar você vai...
— Eu entendi, tá tudo bem.
— Me escuta.
— Não precisa.
— Ah, então que se... - e xingou.
Arthur procurou pelo seu quarto, na sala e na cozinha por todas as moedas que conseguia encontrar. Achou um total de 80 centavos. Ainda não dava para pagar as duas passagens, muito menos abastecer o carro. No computador de Jéssica, um pop-up: “Arthur s2 está online”. “Estou indo, mas vou demorar um pouco.” ele escreveu. E saiu de casa a pé.
Alguns quilômetros depois, cansado, parou e se sentou num banco. Acendeu um cigarro que havia pegado de Umberto à noite. Ele havia parado na frente do edifício do escritório, seu novo emprego. Tinha mandado o curriculum para lá há um mês e o aceitaram como qualquer-coisa-junior. Tinha a impressão de ser sua carta de alforria. Ninguém sabia, nem mesmo Jéssica. Deu uma última tragada e tomou coragem para continuar a caminhada.
III.
Passaram-se dois meses. Era aniversário de Caterine e a família de Arthur iria se reunir. Estava quente, seco e os olhos de Arthur ardiam. Havia se mudado há duas semanas e meia. Sua casa só tinha uma televisão de 29 polegadas em cima de um banquinho de plástico, uma geladeira, cama, fogão e a mesa do computador. Saiu de casa com o estômago embrulhado. No seu computador, pairava uma mensagem de Jéssica: “Tá aí? Podemos conversar?”. Saiu de casa depressa, como se pudesse fugir da situação.
Chegou na festa. Faziam churrasco e a fumaça nublava o ambiente. Música alta e conversas. Tinham por volta de 10 adultos, mais Umberto e Caterine e umas cinco ou seis crianças correndo sem parar. Arthur deu um beijo na mãe e seu presente. Sentou-se, comeu e conversou todos os típicos papos de famílias que só se veem duas vezes por ano. Foi buscar água dentro de casa, Umberto o acompanhou.
— E aí? Como está indo no emprego? - Perguntou Umberto.
— Indo. Nada de novo.
— E a casa? Conseguiu resolver a documentação?
— Amanhã eu vou terminar.
— E a Jéssica? Tudo bem? Porquê ela não veio?
— Não sei.
— Vocês estão...
— Eu não sei.
— Ela deve ter ficado chateada porquê você largou tudo.
— Duvido.
— Vocês começaram a brigar depois disso, não foi?
— Não.
— Bom, ela deve ter ficado chateada por isso.
— É você que está incomodado com isso.
— Eu sempre achei que você poderia fazer coisa melhor.
— Eu também.
— E porquê você não estudou para aquele concurso?
— Não sei.
— Seu problema é só preguiça. Você tinha o mundo nas mãos.
— Eu ainda posso tentar fazer um concurso.
— Você vai mesmo?
— Não sei.
— Imaginei que não.
A noite chega e Arthur segue para casa. Senta-se na cadeira do computador e mexe o mouse. O monitor de tubo faz estática na tela e o desktop começa a ganhar vida. Quinze mensagens de Jéssica, todas muito grandes. Ele não lê. Segue direto para o banho e depois deita na cama, virado para a parede. Sentia um formigamento na barriga que ia ficando cada vez mais forte, até se tornar dor. Seu coração palpitava cada vez mais forte enquanto sua mente tentava não pensar em tudo aquilo. Nas mensagens e nas decepções... Ele tentava esquecer. Tentava lembrar das músicas novas que havia baixado e dos filmes que iriam lançar no ano seguinte. Mas os filmes ele veria com ela. Não tinha importância, ainda teria lugares para ir, coisas para ser. Ele poderia trabalhar ainda mais longe da família. E esqueceu do seu esforço para esquecer. "E se acabasse? E se ela realmente me deixasse? Não, isso não vai... Vamos conversar e resolver isso. Mas e se realmente... Não, ela só quer conversar mesmo. Nós vamos conversar e ir ao cinema depois. Mas...".
A garganta de Arthur dói, seus olhos ardem. Ele continua olhando para a parede tentando não pensar em nada. Um barulho na porta. Arthur respira, se levanta da cama e tenta não desabar. Encosta, tremendo, na maçaneta e abre a porta. Não era nada. Ele inventou esse barulho na sua cabeça. As dores vão embora mas Arthur continua a tremer. Ele ri da sua situação. Se deita novamente, olhando para a parede. Um barulho de pop-up (o barulho personalizado de Jéssica). As dores voltam lentamente. Deitado de bruços, ouve seu coração batendo como se fosse o de um touro. Sua respiração indo e vindo sem qualquer padrão, enchendo seus pulmões com lufadas de ar irregulares. Pulmão lhe fez lembrar de fumar. Acendeu um cigarro perto da janela. Tragou fundo e sentiu suas pernas fracas e a cabeça pesada, como se fosse o primeiro cigarro. Questionou se era efeito da nicotina. De repente, um novo barulho na porta. Toc toc toc. Com um cigarro aceso na boca, a fumaça lhe queimando os olhos e provocando lágrimas, ele abre a porta.
— Arthur... Precisamos conversar.
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2017.09.11 12:34 gilsonvilain Dorocaso — Corações de Areia

Dorocaso Corações de Areia
“Essas alegrias serão jogadas ao esmo. A areia vai consumir suas lembranças até a última gota, e quando não sobrar mais nada você vai virar areia.” Jochasta, rainha dos esquecidos.
De pé ele olhava para as nuvens no céu sem sentir seus pés. Caminhando eternamente sem destino, elas vagavam escuras e carregadas como ele nunca havia imaginado. O solo é engolido pelo breu e os escorpiões alaranjados saem da areia. Cavando e cavando, centenas de lacraus submergem do da escuridão, brilhando e batendo suas garras como soldados marchando para o combate. O medo lhe puxa pela espinha, mas suas mãos estão vazias. Ao longe uma sombra de luz surge na imensidão.
-Davi! A cidade chegou! Davi! Você ainda não acordou? –Disse Franz ao lado da porta. Seus cabelos loiros iluminavam demais para sua vista adormecida. Piscando com força seus olhos, devagar ele se esticava na cama de esponja até sentir suas articulações despertarem. –Hoje não é o seu dia de vender as beterrabas? –Como um soco no peito ele se levantou. O sol já se erguera, e ele ainda estava ali.
-Chuva! –Disse o rapaz se pondo de pé velozmente, apenas para sentir uma tontura e perder parcialmente a visão tendo que se apoiar nas paredes para se manter. Calçando os sapatos escuros e com cheiro engraçado ele se ergueu novamente. Desviando das pequenas lâminas curvadas no chão, ele achou seu caminho até Franz.
-Eu e o Caiou já colocamos as caixas no Sableridge, até que horas você ficou afiando as talons? –Disse o Franz cedendo espaço para que Davi passasse correndo para as escadas. –E não esqueça de comprar um filtro novo para o reservatório!
Subindo as escadas como um lobo atrás de sua presa, Davi vê de relance Seth, Nami e Gilli sentados na mesa da cozinha. –Até as crianças já estão acordadas e eu aqui. –Subindo as escadas enquanto afivelava o cinto marrom, ele se voltou para a janela, olhando ao fundo a grande cidade cinzenta parada no deserto. –Mau dia! –Disse ele pegando a máscara azul presa na parede ao lado do espelho retangular e a colocando em seu rosto. Apertando o fecho e pressionando o único botão em sua lateral, ela se acendeu em um branco fraco. –Ah não!
Olhando a lateral do respirador ele passou o dedo por cima de pontinhos roxos que cercava o gradeado da máscara. Com o polegar pelo lado de dentro ele pressionou o puxador, fazendo as grades se abrirem e liberando a película tomada por centenas de micro pontos que variavam de roxo até rosa fraco. Davi abriu o armário de metal embaixo do espelho deixando que uma brisa gélida saísse. Colocando a película para dentro, fechou a porta e acertou o tempo para quinze segundos. Olhando novamente o espelho ele notou várias manchas de sangue coagulado em seus ombros e braços. Davi deu a volta e foi até a impressora amarelada de sujeira. Pressionando o menu ele selecionou a cor, comprimento da manga e por fim o tamanho, fazendo que a máquina emitisse um som agudo e constante ao passo de que o armário embaixo do espelho soou três apitos seguidos. Retirando a película sem luvas Davi sentiu como se seus dedos fossem derreter, só então sentindo o real frio quando encaixou a lâmina branca de volta na máscara. Vestindo a camisa bege de manga comprida, ele religou o respirador que se acendeu em um branco forte.
Fechando a porta de trás e abrindo a da frente ele foi em direção ao Sableridge. Vários arranhões circundavam o veículo encouraçado, as duas esteiras frontais estavam gastas mas não chegavam ao nível de desgaste dos pneus traseiros. Estes foram remendados tantas vezes que Davi já não sabia se eram feitos de borracha ou de remendo. A lataria perfurada era estrategicamente escondida pela sujeira e a lama viscosa das estradas. –As chaves! –Pensou ele batendo as mãos nos bolsos, só para perceber que não portava nenhuma. –As chaves! Gritou ele em direção a toca.
-Já estão dentro! - Disse Caiou do segundo andar. Davi Se aproximou do painel e ouviu o som de motor. Ele se voltou para Caiou e assentiu com a cabeça.
Poucas estradas cruzam em direção ao grande deserto. A pista de fogo sai da capital até o batalhão especial no sul, circulando o continente e passando por todas as grandes vilas. Usando areia vermelha para montar seus tijolos, a pista de fogo era o jeito mais fácil e seguro para aqueles que não possuíam problemas com o Armata. Ao seu lado muitas trilhas foram feitas ligando pequenas vilas até a pista de fogo, como galhos em um tronco. A estrada de pedra sai das grandes montanhas e se conecta com as estradas de terra, geralmente usadas por contrabandistas ou fugitivos, uma vez que não haviam patrulhas. Davi saiu da toca e seguiu em frente pegando a estrada de barro, o caminho que ele mesmo batizara, ligando a toca até a vila das palmeiras a oeste. Com uma agricultura rudimentar, a vila das palmeiras resistia apenas pela criação de roedores. Fáceis de alimentar eles eram a moeda de troca de algumas dezenas de famílias. De lá ele pegou a estrada de ferro, cruzando a floresta das almas até o grande deserto ao norte. Dali ele já conseguia ver as marcas de pneus na areia, sinal de que estava atrasado. Acelerando ele sentiu o veículo trepidar e perder força, mantendo o acelerador pressionado enquanto reduzia a marcha. Ainda assim a força havia indo embora, e ele seguiu até a pista de fogo na velocidade de um homem correndo. Devagar ele viu rasgando o deserto azul e branco. Mais de mil passos de largura, e outros oito mil de comprimento, com esteiras maiores que a vila das palmeiras, e com pistões mais fortes que dez mil homens, marchando para cima e para baixo, em um compassar estrondoso. Maciça e barulhenta, ela cavava com seus pistões exteriores descendo e subindo como um ferreiro batendo seu martelo, se enterrando mais fundo naquela areia sem dono, ela descansava enquanto ele se apressava. Apertando o pé contra o pedal e tentando aumentar as rotações, ele notou um grupo de pessoas segurando placas. Davi não conseguiu ler o que estava escrito, as manchas azuladas em suas peles tiraram sua atenção. Engatinhando pela estrada de fogo, ele rumou ao sul do titã encouraçado, seguindo outros veículos que jaziam estacionados ali.
Davi estacionou o sableridge ao lado de uma motocicleta de propulsão amarela. Algumas dezenas de veículos estavam ali, ainda assim Davi se surpreendeu com a baixa quantidade. Em temperaturas amenas, aquele pátio sempre estivera lotado de lanchas terrestres e caminhões. No porta-malas ele retirou as quatro caixas cheias de beterrabas, cada uma pesando metade de seu peso. Suas veias saltaram por entre a pele, e com um urro de vontade ele as ergueu caminhando lentamente até a entrada norte.
-Vento! Eu preciso ir até o templo das Lamentações! –Disse uma voz vinda de trás de Davi. Ele girou sua cabeça para procura-la mas no instante seguinte ela havia sumido. –Você tem um carro, pode me levar lá? –Disse a voz. Davi abaixou as caixas e conseguiu ver a moça a sua frente. Bem menor do que ele suspeitava, ela se erguia pouco a cima das quatro caixas deixadas no chão. Olhos cinzentos e lábios fartos, ele não conseguiu distinguir mais nenhuma caraterística dela, além de sua barriga proeminente e arredondada.
-Eu estou indo vender beterrabas na vila. –Disse ele olhando seus braços finos e curtos. –Esse templo fica no norte, não acho que tenha alguém de lá por aqui. –Disse ele se abaixando para pegar as caixas.
-Você não entende, eu preciso ir lá! –Disse ela erguendo a voz e riscando a areia com seu pé.
-Eu entendo, mas agora eu não posso fazer nada para te ajudar. –Disse erguendo novamente as caixas e a perdendo de seu campo de visão.
-Você pode depois? –Perguntou ela com um tom mais doce. Davi começou a andar e não olhou mais para trás. –Vou te esperar aqui!
-Não foi isso que eu quis dizer. –Falou ele alto o suficiente para ouvir suas palavras ecoarem pela vastidão seca, mais baixo o suficiente para não ouvir resposta alguma.
Se arrastando para frente, uma moça de cabelos escuros e longos passou por ele, porventura as caixas ainda tapavam sua visão frontal, o impedindo de conseguiu ver seu rosto. Ele gostava da ideia de andar sem ser percebido. Ao seu lado as vozes vindas da cidade se intensificavam, o empurrando para frente. Ouvindo passos na areia, ele inclinou a cabeça para ver um homem baixo com uma barriga proeminente caminhando de mãos dadas com uma menina de cabelos alaranjados. Os escorpiões voltaram a sua cabeça, e ele desejou que Nissa falasse algo que o puxasse de volta, mas ela estava na toca.
-Chuva! Posso ajudar? –Disse o homem com turbante branco, portando uma máscara amarela e uma barba escura e rala. Davi abaixou as caixas e suspirou por um segundo relaxando os ombros. O homem flexionou os olhos e pequenas bolsas de pele surgiram em cima de suas bochechas.
-Chuva! Eu vou vender as beterrabas. –Disse ele esticando a mão em direção ao homem.
-Os vendedores de comida já estão localizados no setor dois, penso que não há mais espaço para estandes. –Disse o homem o olhando de queixo erguido.
-Eu me atrasei. –Disse Davi abaixando o braço e se aproximando. -Mas eu tenho uma reserva. –Disse batendo as mãos nos bolsos. -E eu conheço o prefeito. –Disse Davi gesticulando com suas mãos armadas em veias proeminentes enquanto ele abria os bolsos internos da camisa.
-Certamente que não conhece. –Disse o homem de turbante. –Uma vez que eu não tenho nem ideia de quem é você, e eu sou o prefeito; Alouite Seeiso. –Disse o homem dois palmos menor que Davi, erguendo ainda mais o queixo para cima. Davi desistiu de procurar a licença e coçando a cabeça.
-Eu deixei na outra camisa! –Percebeu ele olhando para o céu. -Na verdade o prefeito que eu conheço se chama Timothy, ele tem cabelos escuros, é magro e... –Disse Davi gesticulando as medidas com as mãos. –Alto.
-Ah. –Disse Alouite. –Esse é o segundo prefeito. –Disse abaixando a cabeça e apertando os dentes. –De qualquer modo eu sou o prefeito para os assuntos externos da vilavassoura. Eu cuido de quem entra e quem sai.
-Eu sei. –Disse Davi sorrindo por debaixo da máscara. –O Thimoty cuida da manutenção da vila, proteção das pessoas, educação dos jovens, tratamento dos enfermos, conserto das máquinas, contrata os seguranças. –Enumerou Davi olhando para as beterrabas ardendo no sol do deserto. –E o senhor cuida de quem entra e sai. –Disse Davi se mordendo para não o chamar de porteiro.
-Thimoty tem suas funções, eu tenho as minhas. –Disse ele se virando de costas. -E o período para alocação de novos estantes já se encerrou.
-Eu também preciso comprar um filtro. Já acabou o período de entrada de compradores também?
-Hum. –Disse o prefeito de turbante declinando o queixo e encarando os tubérculos. –Você entra, as beterrabas não.
-Tudo bem, quando eu encontrar um vendedor de filtros, eu peço para ele vir até aqui fora retirar o pagamento, o senhor toma conta delas para mim? –Perguntou ele levantando uma caixa e colocando aos pés do prefeito. O homem bufou mais forte e se voltou para recolocar a caixa em cima das outras. Buscando todas as forças de seus braços flácidos, o prefeito ergueu a caixa poucos centímetros do chão, soltando suas alças e voltando a ficar ereto.
-Leve isso daqui. –Disse Alouite ofegante.
-Obrigado senhor prefeito! –Disse Davi erguendo as quatro caixas e seguindo em frente para a o portão de acesso.
-Bem-vindo a vilavassoura. –Disse ele em um tom seco. –Espero vê-lo novamente. –Apertando os olhos e ajeitando o turbante.
O chão de areia afundava a cada passo de Davi. Jogando areia para trás, ele sentia que a cada passo andava menos. Pisando em falso sentiu a areia dar lugar a tábuas de metal. Forçando os joelhos ele subiu a entrada que se elevava pelo menos oito passos do nível do chão. A grande fachada esculpida em madeira e aço, dizia “Village de Balai Cinq”, vilavassoura em uma língua antiga. A gigante de aço possuía metralhadora automáticas acopladas a parte de dentro apontadas para o chão. Aportando e um lugar diferente a cada dois dias, a bordo ela levava mais pessoas que ele conheceria sua vida inteira. Mais cores de cabelo do que tons de céu, mais vozes do que mil autofalantes. O cheiro das comidas, mesmo passando pelo respirador, já encharcava Davi por dentro. Olhando para o arco de entrada, ele viu seis guardas carregando fuzis e ao seu lado um grupo de pessoas rodeando um grande homem de cabelos longos e encaracolados. Davi abaixou as caixas para conseguir olhar por cima, fazendo seus músculos guincharem por dentro, mas seguindo em direção as pessoas.
-Eles andam em caravanas. Centenas de milhares. Caminham até as vilas, e lá destroem tudo. Nada fica para trás, nem os habitantes, é terrível! –Disse a senhora de cabelos curtos usando uma camisa de flores brancas, combinando com sua máscara.
-Devem ter sido mandados pelos homens de sabão. Eles estão há décadas se alastrando pelo litoral. –Disse o senhor de máscara lilás com um guarda-chuva em mãos.
-Não são os homens de sabão, quando paramos na vila da pedra, um soldado me disse que eles comem as pessoas e usam os ossos como adereços, isso é coisa do povo vermelho! –Disse o senhor careca usando um roupão verde.
-Estamos seguros aqui. –Disse o homem no centro, rodando os dedos por entre os fios de cabelo que caiam por seus ombros. –Além disso, todos os relatos são de vilas no Norte. Não há nenhum indício que ela esteja marchando para cá.
-O bosque vermelho foi dizimado. A fumaça chegou até a capital. Quando a Armata foi para o socorro, só haviam cinzas. –Disse a senhora. O homem alto inclinou a cabeça atento a suas palavras quando no meio da multidão, algo pescou sua atenção.
-Com licença. –Disse o homem alto esticando o braço. –Davi?
Davi o olhou e sorriu, ganhando espaço em meio ao aglomerado, colocou as caixas no chão esticou a mão e apertando o antebraço do senhor.
-Chuva Prefeito! –Disse ele chacoalhando o braço e sentindo os dedos finos e longos se apertarem em sua pele.
-Veio vender amoras? –Perguntou o homem de pele clara e lábios roxos e esticados.
-Pretendia. –Respondeu Davi apertando os olhos e observando as beterrabas por um instante até retornar os olhos para o prefeito. Ao seu lado havia uma grande porta dupla de vidro que guardava o estreito corredor em frente, lotado de pessoas andando por entre as lojas. O prefeito girou sua cabeça na mesma direção e coçou o nariz pontiagudo.
-Vamos ver onde eu consigo colocar você. –Disse Timothy dando um tapa em seu ombro. Davi pegou as caixas nos braços e o seguiu enquanto ele entrava na antessala do tumulto. As vozes se mesclavam a multidão atrás do vidro, podia se ouvir tudo, mas nada se entendia.
-Não vi você aqui mês passado. –Disse o prefeito erguendo os braços enquanto a primeira porta de vidro se fechava. No mesmo instante um jato de fumaça quente e clara saiu do chão e inundou toda a parte enquanto o prefeito retirava o respirador. Alguns segundos depois a fumaça se esvaiu pelo teto e a segunda porta se abriu dando acesso ao corredor.
-Mês passado. –Repetiu Davi erguendo as caixas de madeira. –Deu um vazamento lá em casa, tive que desligar todas as saídas de ar, perdemos boa parte da colheita.
-Sinto muito. Suas batatas são ótimas, as cenouras nem tanto. –Disse ele espiando as beterrabas por entre as frestas da caixa. –Você teve mais alguma notícia do Colm? – Davi balançou a cabeça. A mão do prefeito veio ao seu ombro mais uma vez enquanto ele sorria olhando para o chão. -Já pode tirar o respirador. –Disse o prefeito olhando Davi. Cerrando os olhos ele abriu a boca por um suspiro e a fechou. –Eu esqueci, o Colm me contou, mas eu esqueci, desculpa. –Disse ele enquanto Davi erguia o ombro e coçava a cabeça.
Adentrando a multidão de pessoas andando por entre as lojas, o prefeito achava brechas entre os cotovelos e ombros para Davi passar sorrateiramente, avançando entre bolsas e mochilas, sua altura lhe forneci uma visão privilegiado do pátio interno. Alguns passos para frente e uma voz chamou “prefeito! ”. Thimoty se virou e viu um sujeito de pele escura com olhos vermelhos. Com os dedos o prefeito gesticulou pequenos círculos, voltando sua cabeça para frente e seguindo até a segunda parte sem se virar para trás.
-Aqui estamos! –Disse o prefeito olhando o círculo de vendedores sentados em frente a caixas de legumes. –Você vende amoras, amoras são como alfaces não? –Perguntou ele, jogando um cacho de cabelos para trás enquanto olhava para as alfaces.
-Os dois são plantas, mas acho que beterrabas entram mais na sessão de raízes. –Respondeu Davi.
-Hahahahaha raízes! Mas não vendemos árvores aqui, e o único estande que tem espaço é o da alface. –Disse ele apontando para as folhas verdes e crespas. Davi virou a cabeça, mas não disse nada, apenas sorrindo para o prefeito e colocando as caixas no chão. –Chuva minha menina! Qual seria o seu nome? –Perguntou ele piscando para a jovem de cabelos escuros sentada atrás das caixas da alface.
-Naya. –Disse ela entortando a boca e olhando Davi de baixo para cima. –Naya Avilis, senhor. – Seus cabelos se agrupavam em cachos pequenos e longos. O delicado nariz arrebitado apontava para Davi enquanto ela falava com o prefeito. Davi apertou os punhos para tentar sair do seu encanto, mas já tinha certeza que estava encarando a jovem a tempo de mais.
-Este menino tem problema. –Disse o prefeito em direção a Davi, que mesmo assim não tirou os olhos de Naya. –Ou teve um problema. Ele pode dividir o espaço com você hoje? –Perguntou se abaixando e analisando de perto as hortaliças.
A jovem olhou sem expressão para Davi, que corou em menos de um suspiro. Ela ergueu o braço e puxou ar para argumentar, mas virou a mão e o olhou de lado.
-Achei um lugar para você! –Disse o prefeito voltando a ficar de pé. –Vocês se acertam então, eu vou ali procurar algum nabo. –Disse ele sorrindo e andando em direção aos tomates.
-Com licença. –Disse Davi colocando as caixas roxas ao lado das verdes. –Eu me chamo Davi. –Disse ele esticando o a mão em frente. A jovem sorriu e apertou seu antebraço.
-Naya. –Repetiu ela cedendo espaço para que ele dividisse a caixa ao seu lado. –Você por acaso não tem nenhum anel de vilírdia, tem? –Perguntou ela observando um roxo no pescoço de Davi. Ele balançou a cabeça tapando o machucado com a mão direita. –Imaginei que não. –Disse ela erguendo a sobrancelha ao olhar o respirador branco. –Você já foi lá? –Perguntou ela enquanto Davi levantava as sobrancelhas e fazia um beiço com os lábios. –Eu nasci lá. Em Viliris. Você é daqui?
-Eu nasci no Norte. –Mentiu ele. -Uma vila comerciante. –Disse engolindo em seco e levando os olhos até o rosto dela. –Onde fica Vilirdis?
-Viliris. Você nunca ouviu falar? –Perguntou ela abaixando as sobrancelhas e erguendo as bochechas. –Eu saí de lá ainda muito pequena, mas ela fica no extremo leste, entre mares. –Disse ela erguendo a mão e gesticulando uma onda. –No encontro de três continentes, uma linha traçada nos oceanos, delimita a vida e a morte poente, a água dá início e fim aos planos, construindo a ferro e fogo; o tridente, E costurada através dos séculos; mil anos, surge no mar da primeira e última corrente, Viliris, a cidade com sangue dos tiranos, viva para sempre, Viliris, a cidade descontente. –Cantou ela abaixando a mão ao final.
Davi a olhou boquiaberto. Nunca ouviu da cidade, mas as palavras deixavam sua boca com pétalas se soltam de flores no outono. Sua pele lisa acendia entre o cinza das paredes. Seus olhos escuros puxavam sua alma para dentro, e ele já não tinha forças para segura-la. Suspirou fundo e balançou a cabeça.
-Ela fica... no mar? –Perguntou ele encarando as alfaces.
-No Nemo. –Disse ela tirando o cabelo da frente dos olhos. –O ponto mais distante da terra entre os três continentes. –Disse abrindo um tímido sorriso. –Um dia eu vou voltar para lá.
-Quanto pelas batatas rosas? –Perguntou o homem alto de cabelos castanhos curtos que se aproximara usando uma capa marrom e um colete escuro, com braçadeiras pretas que vinham até os pulsos, e duas grandes cicatrizes no pescoço.
-São beterrabas. –Disse Davi se levantando e pegando uma da caixa.
-Batatas, baterrabas, tudo a mesma coisa. –Disse o homem estreitando os olhos. Passando a mão por dentro do colete, ele retira uma corrente avermelhada e a entrega para Davi. –Doze batatas rosas? –Perguntou ele. Davi olhou para a corrente e esticou a mão para pegá-la. Passando os dedos entre os elos e olhou de volta para o homem.
-Oito. –Disse Davi. O homem passou a mão em outro bolso e retirou um pequeno brinco prateado e o colocou na mão de Naya.
-Doze. –Disse ele rangendo os dentes enquanto ela olhava para a joia. Davi se voltou para Naya que segurava o brinco em frente aos seus olhos.
-Doze. –Repetiu Davi assentindo com a cabeça. O homem retirou a mochila das costas e começou a escolher as beterrabas. Naya entregou o brinco a Davi que o segurou com as pontas dos dedos. O brinco imitava o formato de uma orelha, adornado de pequenas pedras azuis, ele formava uma ponta no topo. Voltando-se para o homem, Davi já não o encontrava a multidão de pessoas andando entre as vendas.
-Bonito esse brinco. –Disse Naya passando o dedo por sua ponta.
-Você quer? –Perguntou ele corado.
-Ele é seu. –Disse ela se afastando.
-Eu não uso brinco, ele iria ficar bonito em você. –Disse ele esticando a mão em sua direção. Ela o apanhou e colocou na orelha esquerda.
-Como ficou? –Perguntou ela.
-Sen... –Disse ele buscando ar nos seus pulmões. –Sensacional. –Completou sorrindo.
-Mas eu não te conheço, não posso aceitar um presente assim. –Disse ela desatarraxando o pingente.
-Não, é um presente. –Disse Davi esticando seu braço em direção as hortaliças e pegando uma folha verde e molhada. –É uma troca. –Disse ele mordendo a alface com força e empurrando o resto da folha para dentro da boca. Naya riu e colocou o brinco de volta.
Antes do sol chegar no topo, todas as beterrabas já haviam sido trocadas, ao passo que mais da metade das alfaces esperavam paciente nas caixas de madeira. Davi já havia aprendido sobre o período de Naya em Viliris, sobre o Vento, o barco de seu pai que havia cruzado todos os mares baixos da costa entregando tâmaras do oceano. Dos monstros antigos que ameaçavam os cargueiros a cruzar os estreitos de pedra. Do tempo em que Naya morou nas minas de marfim com sua tia, das aventuras nas montanhas azuis, de sua vinda até a vilavassoura. Davi podia ficar ali o ano inteiro a ouvindo falar.
-Eu moro em uma “casa” na floresta. –Disse Davi apoiado na borda da vila vassoura apontando para o horizonte. –Você continua por aquele caminho até a vila das palmeiras e vira para a estrada de barro.
-Eu preciso ficar aqui a tarde, você não volta amanhã? –Perguntou Naya olhando as árvores dobradas. Davi balançou a cabeça olhando para baixo. –Meu pai é dono de uma empresa de mineração perto daquela montanha ao sul. Talvez eu volte para visita-lo um dia. Se você me convidar para conhecer a sua casa, talvez eu aceite o sofrimento de passar um tempo com ele.
-Ele é mau com você? –Perguntou Davi se voltando para ela. Na parte de fora do mercado, os dois se escoravam na lateral da cidade de aço. Naya usava um respirador vermelho com azul. Davi pensou em sugar todo o ar do mundo só para poder ver seus lábios mais uma vez.
-Ele é ausente. –Disse ela olhando para a amontanha verde. –Desde que ele deixou o barco e criou raízes na terra, ele não tem tempo para mais nada.
-Se você quiser ir lá em casa, eu acompanho você até essa fábrica. –Disse ele sorrindo por debaixo da máscara.
-Gostaria de ver você tentar. –Respondeu ela o olhando no fundo de seus olhos. –Você é diferente Davi. –Ele se virou de costas para a borda da cidade se encostou com as costas e cotovelos.
-Diferente bom? –Perguntou ele inclinando a cabeça.
-Diferente, porque você tem tantos roxos pelos braços? –Perguntou ela se voltando para examinar os machucados.
-Ah isso. –Disse ele olhando para um grande hematoma no seu pescoço. –Você me acompanha até a toca, e eu te conto o que você quiser saber sobre mim.
-Hum. –Disse ela torcendo o lábio. –Isso é um encontro? –Perguntou ela erguendo as sobrancelhas.
-Não, isso é só uma conversa. –Respondeu ele observando o brinco em sua orelha esquerda. –Quando eu te ver de novo será um encontro.
-Me diga algo primeiro. –Disse erguendo as sobrancelhas. –Porque você entrou no mercado de máscara? –Os pelos nos braços de Davi se eriçaram e ele baixou os olhos, dando um passo para trás.
-Eu preciso ir. –Disse ele diminuindo em tamanho.
-Desculpa. –Disse ela. –Eu não queria...
-Não há nada por que pedir desculpas. –Disse ele se aproximando das caixas vazias deixadas no chão. –Eu não me importo tanto com isso. –Disse ele desengatando a fivela que prendia a máscara branca. Devagar ele a abaixou segurando a respiração. Engatando novamente suas pontas ele puxou o ar com dificuldade até o respirador se acender em branco. –Mas as pessoas olham muito quando eu fico sem. Por isso prefiro ficar com ela.
-Com quantos anos você saiu de lá? –Perguntou ela deixando que as lágrimas corressem soltas sem se importar.
-Eu não sei. –Disse ele sorrindo com os olhos. –Minha mestra me tirou de lá, eu conto meu aniversário a partir daí.
-Entendo. –Disse ela limpando os caminhos deixados pelas lágrimas em seu rosto. –Então, eu passo a vila das palmeiras e viro à esquerda?
-Esquerda de quem vêm, direita de quem vai. –Disse ele caminhando em direção a saída da vilavassoura.
-Eu vou mesmo hein. –Disse Naya passando os dedos no brinco esquerdo.
-Assim espero. –Disse ele erguendo a mão e a balançando no ar. –Chuva Naya de Viliris!
-Chuva Davi! –Disse ela já distante.
Caminhando até o sableridge com as caixas vazias, tudo o que Davi conseguia fazer era reviver em sua mente as lembranças que recém fizera. Entoando as falas e buscando por detalhes que havia deixado passar. Naya deixou seus olhos, mas não sua mente. O cheiro doce. Desejou poder sentir aquele perfume para o resto da vida, mas tudo o que tinha era ar filtrado.
Caminhando sem pensar, avistou o sableridge, agora com muitos veículos ao redor. Sem pressa ele depositou as caixas no seu porta-malas e deu a volta para ir embora. Entrando ele fechou a porta e esticou a mão para puxar o cinto, olhando para o lado e sentindo seu coração apertar tanto que poderia sair do lugar.
-Agora você me leva? –Perguntou a moça grávida sentada ao seu lado. Davi não gritou, mas sentiu sua alma tremer.
-O que você está fazendo aqui dentro?! –Perguntou ele soltando o cinto a abrindo a porta.
-Você disse que me levaria. –Respondeu ela afivelando o cinto.
-Não! Eu disse que... –Começou ele apontando seu dedo, só então tentando lembrar do que havia dito. As palavras se enrolavam em sua mente, mas ele tinha noventa por cento de certeza de que não havia dito aquilo. Olhando para dentro ele viu os olhos da moça se abaixarem enquanto ela erguia os lábios inferiores para frente. –Eu não vou para lá. Posso te deixar na vila das palmeiras, de lá talvez você consiga alguma carona. A moça concordou com a cabeça, e Davi reentrou no sableridge.
Dirigindo em silêncio para fora da cidade na areia, Davi notou quatro motocicletas estacionadas na entrada da floresta que dava caminho para a estrada de ferro. Olhou para os lados, mas não viu ninguém, decidindo por seguir em frente. Pensou que se tivesse com a Ajna, poderia rever seu rosto depois, mas com a incerteza das vilasvassoura, talvez tudo que restasse fosse aquela memória malformada ainda.
Acelerando em frente o veículo começou a falhar perdendo força. Reduzindo a marcha as esteiras forçavam o carro sem resultado. Duas motos de propulsão surgiram em meio as árvores retorcidas e tomaram a frente do veículo. Davi pisou o acelerador, mas as rotações não aumentavam, permanecendo pouco mais rápido que um homem caminhando.
-Ele não anda mais que isso? –Perguntou a moça olhando para o velocímetro no painel. Davi tirou os olhos do volante e examinou as marcas no chão, só então se voltando para ela.
-Peixe dado não se olha as ovas. –Respondeu pisando fundo no acelerador sem retorno. Ao longe um ronco começou a crescer. Olhando pelo retrovisor ele viu quatro motos se aproximando.
-Talvez eles possam ajudar. –Disse ela olhando com seus olhos cinzas pelo retrovisor.
-Você conhece eles? –Perguntou Davi olhando os quatro homens descerem das motos com armas em mão. Ela balançou a cabeça se apertando para trás. Parando ao lado da porta do carro, um homem a apontou um revólver para Davi. Segurando o volante com mais força e retirando o pé do acelerador, o carro morreu.
-Sai todo mundo! –Disse o homem do lado de fora. Davi olhava fixamente para a moça. Respirando forte ele não sabia como havia sido tão ingênuo. Claramente ela conhecia eles. O velho truque da laranja que prepara o terreno para seus amigos. Seu sangue fervia em suas veias, e ele sentiu vontade de dar um soco naquela barriga falsa. Mas aquela arma era o problema principal, por enquanto
-Calma amigo, a gente só quer o que você ganhou lá dentro. –Dizia outro homem de ombros largos e cabelo curto, usando um respirador azul escuro, ao lado da porta do carona. Suando frio, ele não ousou olhar para o porta-malas, onde todo o seu ganho daquela manhã estava guardado.
Davi respirou fundo e retirou o cinto de segurança, apertando o botão vermelho abaixo do volante antes de ser puxado pela fora pelo homem que se agarrara ao seu pescoço, o jogando no chão. O homem careca se aproximou e começou a dar tapas nas pernas e braços de Davi que tentava se recompor.
-Limpo. –Disse o careca se afastando.
-Se vocês continuarem assaltando os clientes da vilavassoura, eles vão apenas parar de vir aqui. –Disse Davi olhando o homem de máscara azul enquanto outros dois entraram no sableridge revirando os bancos em busca de algo. A grávida estava em pé do lado de fora segurando sua barriga falsa.
-A gente segue ela, problema nenhum, sabe. –Disse ele fixando os olhos escuros em Davi. –Mas pelo visto você já tem um costume de ser assaltado, sabe. –Disse ele olhando para os roxos nos braços de Davi.
-Mais ou menos. –Respondeu ele olhando para trás. Um distante ronco de motor vinha em direção a estrada de fogo. Davi só conseguia pensar em quanto odiava surpresas.
-Tem uma luz piscando aqui dentro. –Avisou o homem de barba grisalha de dentro do carro.
-Você chamou alguém? –Perguntou o homem de azul dando um tapa no rosto de Davi. –Eu queria fazer as coisas sem violência, mas vocês sempre pedem, sabe. –Disse ele puxando a arma de trás das costas e apontando em direção ao barulho.
-Não chamei ninguém. –Disse Davi vendo no horizonte um veículo preto se aproximando, enquanto sentia seu rosto esquentar. Davi estava tão confuso quanto eles, o carro parecia ser de Thimoty. O homem deu-lhe mais um tapa com as costas da mão e Davi caiu de joelhos segurando a máscara. Do chão ele viu o assaltante disparar uma saraivada de balas em direção ao carro, fazendo que ele virasse para o lado e batesse em cheio a uma árvore, levantando uma nuvem de areia.
Thimoty, aquele era o carro do prefeito. Rodas prateadas, capô adornado em madeira. O que ele estaria fazendo ali, se perguntou no chão.
-O que a gente faz Tellius? –Perguntou o homem careca.
-Vá ver quem está lá! –Urrou o homem de azul apertando os dentes. Correndo em direção ao carro preto, um vulto abriu a porta e saiu mancando escorando-se nas árvores.
-Quem vem lá? –Perguntou o homem careca apontando seu revólver. Uma voz doce veio em resposta, atiçando os nervos de Davi ao máximo.
-Naya. –Disse ela erguendo as mãos enquanto o homem se aproximava.
Davi olhou para cima ignorando a conversa entre os dois. Procurando no céu, ele ainda não havia encontrado nada.
-Não vai chover hoje não garoto. –Disse o homem de azul rindo em pé a sua frente. –Tragam a menina, tenho um amigo que pagaria bastante por ela, já essa grávida aí...
-Não é chuva que eu espero. –Disse ele vendo um risco no céu.
O homem abaixou o rosto para olhar novamente para Davi, sendo surpreendido por uma cabeçada em seu estômago. Davi se levantou e subiu em cima do carro gritando “Aqui, aqui! ”. O risco no céu voava rápido e ao se aproximar largou uma grande caixa de metal em cima do veículo, balançando sua estrutura e levantando uma grande nuvem de poeira e detritos.
-Maldito! –Disse o homem de azul no chão com uma mão na barriga e a outra tapando os olhos contra a poeira. –Eu vou te picar inteiro e te jogar para os peixes, sabe! – Ao seu lado a grávida corria para dentro da floresta em direção a vila das palmeiras.
Davi pulou em cima da caixa e ela jogou uma forte luz esverdeada que o varreu por completo em menos de um piscar de olhos. A caixa abriu as laterais, saindo lâminas longas que se encaixaram nos pés de Davi, subindo o tornozelo, joelhos até se prender completamente nas duas pernas. As lâminas se prendiam desordenadamente, se arrastando entre si até encontrarem o seu encaixe. Davi pulou para frente a caixa se ergueu em seu próprio eixo, encaixando uma camada de lâminas nas suas costas, correndo o metal até os seus braços, cobrindo cada parte do seu torso. Ele se virou para trás ouvindo um tiro, rapidamente pegando o elmo prateado com um círculo azul claro no meio. Ajeitando em sua cabeça, ele se voltou para olhar os homens ainda confusos pela nuvem de poeira.
Investindo em frente, Davi passou as lâminas das mãos pelas costas do braço do homem de azul, fazendo seis pequenas e rápidas incisões em seu braço direito, enquanto contornava por trás, golpeando as pernas do homem sem reação. A lâmina fina penetrava a carne como um graveto penetra a areia. Entrando e saindo, ele costurava uma trilha de pequenos furos que passavam a pele e se enterravam até ele sentir um desengate interno. Indo para dentro do carro, Davi golpeou os dois invasores dezenas de vezes em pontos entre as costas e a barriga, sem derramar uma única gota de sangue. Com a poeira baixando ele conseguiu ver ao longe o homem careca apontando a arma para Naya, tremendo como um galho fino em frente ao furacão. Jogando a arma no chão, ele correu para trás, em direção ao grande deserto.
-Meus braços, o que você fez com os meus braços?! –Perguntou o homem no chão. Davi se aproximou emitindo um som de lâminas de metal se arrastando umas nas outras. Davi já estava cansado, e aquela armadura facilmente pesava o dobro das caixas de beterraba.
-Meu juramento me proíbe de matar qualquer um que não esteja no mesmo nível. Eu só cortei todos os tendões dos seus braços, você não vai mais usa-los. –Disse Davi retirando o elmo. –Mas o juramento não fala nada sobre abandonar moribundos. –Disse Davi passando a lâmina da mão esquerda por entre a tira que prendia a máscara azul do sujeito. Pegando-a com a mão Davi a colocou em cima da mão imóvel do homem no chão. –Sua máscara está aqui, é só a colocar de novo. Mas prenda a respiração, o ar daqui não faz muito bem, sabe?
-Desgraçado. –Disse o homem selando os lábios e amaldiçoando Davi com os olhos.
Se atentando aos sons, ele sentiu uma fisgada lhe puxar a direita, recolocando o elmo. “Nissa? ” Perguntou ele sem voz. “Três ameaças neutralizadas. Um suspeito está correndo em direção ao grande deserto a 2,759 metros por segundo. ” Ele sorriu ao ouvir a voz dela em sua mente. “Como elas estão? ” Perguntou ele se virando para olhar Naya. “Uma sofreu arranhões e uma provável contusão no lobo parental. A outra sofreu um tiro no tornozelo, está perdendo sangue. ” Davi girou seu corpo para olhar a grávida no chão se arrastando, esticando no chão uma linha vermelha que a separava de seu pé direito.
-Você é um... –Disse Naya se aproximando mancando com um filtro em mãos. Davi se voltou para ela e retirou novamente o elmo, pressionando o círculo azul claro em seu centro. A armadura de lâminas se soltou e caiu no chão desmontada. -Você é um alado!
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